Terroristas provocam o caos em Bilbau


Bilbau, ontem.

Na semana passada, o tribunal especial espanhol Audiência Nacional condenou Arnaldo Otegi e outros dirigentes da esquerda independentista basca a dez e oito anos de prisão por, supostamente, estarem a mando da ETA a reconstituir o ilegalizado Batasuna. Na prática o que estavam a fazer era a lançar as bases para que houvesse um processo de paz. Ontem, um bairro de Rekalde, em Bilbau, foi tomado às cinco da madrugada por tanques da polícia autonómica para despejar um enigmático centro juvenil ocupado. Entre ontem e hoje, já houve mais de cem feridos e meia centena de detidos nas diversas manifestações que juntaram mais de 10 mil pessoas. Afinal, quem é que quer a guerra? Quem é que são os terroristas?

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22 respostas a Terroristas provocam o caos em Bilbau

  1. paulo diz:

    bruno

    deve estar abrincar
    repressão policial é condenável, mas não é a mesma coisa que por uma bomba num parque de estacionamento e matar 2 pessoas.
    o seu apego à causa basca comove-me, principalmente pensando que se as bestas da eta algum dia chegassem ao poder iriam avaliar o grau de basquicidade( não sei se é assim que se diz) dos habitantes do PB. deporque não se dedica a defender as minorias cristãs nos paises arabes, etc?

    • Bruno Carvalho diz:

      O meu apego à causa basca é o mesmo apego que tenho em relação a tantas outras lutas de outros povos. Não quero comover ninguém. Quero apenas que se veja o que a comunicação social não mostra. Não estou de acordo com a acção a que se refere e estou de acordo com o actual cessar-fogo da ETA. Contudo, os únicos que estão em trégua são os independentistas bascos. Os espanhóis continuam a ilegalizar, a reprimir manifestações, a prender e a torturar. Assim se vê quem é que quer a paz. Mas já que fala em assassinatos posso enunciar uma série deles, alguns até apoiados pelo Estado português. De resto, peço-lhe que se deixe de argumentos que nada têm a ver com a questão basca. Não é uma questão religiosa e os bascos independentistas não são uma minoria no País Basco. E, se chegarem ao poder, não vão andar a ver qualquer grau de “basquicidade”. Quem quiser fica, quem não quiser não fica. É simples, não?

      • José diz:

        “bascos independentistas não são uma minoria no País Basco”

        É evidente que são uma minoria e, ainda mais minoritária, é a esquerda abertzale.

        • Bruno Carvalho diz:

          José, deixe lá as mentiras. Se quiser ir pelos resultados eleitorais, os partidos que se dizem independentistas (que se dizem porque há uns que são como os ‘socialistas’ do PS), recebem a maioria absoluta dos votos. Estamos a falar do Bildu (onde entra a esquerda abertzale, o Eusko Alkartasuna e a Alternatiba – dissidência da Esquerda Unida basca) que obteve a maioria dos eleitos nas eleições municipais, estamos a falar do PNV que obteve a maioria dos votos nas mesmas eleições municipais e do Aralar (uma dissidência da esquerda abertzale e que se vai juntar ao Bildu). Os partidos espanholistas, o PSOE e o PP recebem uma parte minoritária dos votos e o PSOE só está a governar o governo regional basco porque cerca de 10% dos votos (na esquerda abertzale) foram considerados nulos e porque o PP o apoiou. Sobra a Esquerda Unida basca que apoia o direito do povo a decidir embora não defenda a independência (defende um outro modelo para o Estado espanhol).

          • José diz:

            Se quer ir pelos resultados eleitorais, o PSOE e o PP receberam, juntos, 44,8%, o que lhes permite governar em coligação (estranha)., sem precisar do voto da UPD (2,15%).
            Como disse – e muito bem – há partidos bascos que não são independentistas, como o PNV, que luta por uma alargamento e aprofundamento da autonomia dentro de Espanha, mesmo que, no seu seio, tenha muitos independentistas e quem não se reconheça como espanhol.
            Se a maioria do povo basco quisesse realmente a independência, há muito que a teria.
            Sobretudo a maioria do povo basco não se reconhece nos métodos da ETA e dos seus satélites.
            Por outro lado, é preciso reconhecer que a generalidade das actuações policiais são efectuadas pela Ertzaintza, a polícia basca e não pelas polícias espanholas.
            A Ertzaintza foi constituída pelo PNV – que desde os anos 70 governou o País Vasco, até ter perdido as eleições em 2009 – e não me parecem que recebam ordens directas de Madrid.
            Acho que o interesse de Portugal passa pelo desmembramento de Espanha ou, pelo menos, pelo enfraquecimento do seu núcleo central, com fortes autonomia nas comunidades históricas, como o País Basco, Catalunha e Galiza.
            Mas isso não chega para confundir os meus desejos com a realidade…

          • Bruno Carvalho diz:

            José, se não lê o que escrevo e opta por não responder aos meus argumentos então não tenho nada a dizer-lhe. Sabe, e está a tentar deitar areia para os olhos de quem não sabe, que essas eleições em que o PSOE e o PP, juntos, receberam 44,8% dos votos porque ilegalizaram a esquerda independentista basca. Só dessa forma o PSOE e o PP conseguiram arrebatar o poder ao PNV que governava com o Eusko Alkartasuna e com a Esquerda Unida. O PNV reclama o direito do povo basco a decidir o seu próprio futuro e, nesse caso, dizem eles, apoiariam a independência. É o partido histórico dos nacionalistas bascos com uma base eleitoral, normalmente, estável porque tem um voto fiel de uma camada da população católica, burguesa e pequeno-burguesa, que defende a sua cultura.

            O José é muito engraçado quando diz que se o povo quisesse realmente teria a sua independência. Como se não houvesse em toda a História povos que tenham tardado décadas e séculos para conquistar a independência tendo de lutar contra a ocupação. E a Ertzaintza, apesar de ser um corpo policial autonómico, é orientado politicamente para reprimir a esquerda independentista basca. Mas a Guardia Civil, a Polícia Nacional e o Exército continuam no País Basco. Aliás, em Navarra, não há Ertzaintza.

          • José diz:

            Não há Ertzaintza, porque a maioria dos Navarros não quer qualquer confusão com o País Basco, sendo uma autonomia própria.

          • Bruno Carvalho diz:

            Você é o campeão da aldrabice.

        • A.Silva diz:

          Para sua informação, a única votação em que foi permitido aos bascos expressar-se, mais-ou-menos, sobre o tipo de relação que queriam ter com o estado espanhol, foi a votação da constituição espanhola e saldou-se num rotundo não por parte dos bascos.
          Mas é claro que para os “democratas” bourbonistas isto não quer dizer nada

          • José diz:

            Não diga disparates: o Sim ganhou com 74,6% e o Não teve 25,4%.

          • A.Silva diz:

            José, pelos vistos o seu problema não é falta de informação mas “esperteza” a mais, tanta que consegue transformar 661 412 votos num universo de 1 913 980 votantes (das 4 províncias bascas: Alava, Guipúzcoa, Navarra, Vizcaya), em 74,6%, para mim e para qualquer bom aluno de matemática seria 34%, mas prontos nós também não temos esse tipo de “esperteza” de aldrabar nos números e manipular a vontade dos povos.

            A votação para a constituição espanhola saldou-se no país basco por uma abstenção de 51,2%, o que, se tivermos em conta os critérios utilizados em Portugal em relação aos referendos, significa a sua não aprovação pelos bascos.

            No País Basco os resultados foram os seguintes; num universo de 1 913 980 eleitores, votaram 934 005 (48,8 %), sendo que 661 412 votaram sim (34,5 %) e 203 995 votaram não (10,6 %).
            O PNV apelou à abstenção e a restante esquerda basca apelou ao voto não.

            De ter em conta que no global do território espanhol o referendo teve uma participação de 67%, sendo o País basco a única região espanhola onde a participação da população não chegou aos 50%.

            José e já agora é capaz de explicar porque é que o estado espanhol (PP/PSOE) se recusam a aceitar um referendo no País Basco, onde a população se manifeste claramente sobre a relação que quer ter com o estado espanhol?

            Os resultados do referendo estão aqui:
            http://www.congreso.es/consti/elecciones/referendos/ref_consti.htm

          • José diz:

            Ainda bem que foi ver os número, A. Silva.
            Eles são claros e negam o que você disse: “saldou-se num rotundo não por parte dos bascos.”
            Quem ganha as eleições é quem vai a elas e não quem se abstém, como bem sabe.
            O que quer dizer? Que a abstenção é um “rotundo não”? Nesse caso os espanholistas também podem dizer que a abstenção representa um “rotundo sim”.
            Por outro lado dizer que o PNV é de esquerda, como você diz quando tem esta frase: “O PNV apelou à abstenção e a restante esquerda basca apelou ao voto não.”, é desconhecer por completo ou o que é esquerda ou o País Basco.
            E, já agora, veja os números fornecidos pelos próprios bascos e não pelos espanhóis..
            Foi o que eu fiz… e não apresento os números mascarados como você o faz…
            http://www9.euskadi.net/q93TodoWar/eleccionesJSP/q93Contenedor.jsp?menu=li_2_1_1&opcion=a&idioma=c

    • rato zinger diz:

      E a Espanha já pode apoiar o terrorismo e traficância de órgãos humanos pelos ‘rebeldes’ do UÇK e a ‘indepedência’ do Kosovo!

      Mas é preciso ter uma lata descomunal!

    • Carlos Carapeto diz:

      Se considera que os meios que a ETA recorre para defender os direitos do povo Basco são reprováveis, porque razão não apresenta você a solução para resolver o problema? Os Bascos são os primeiros a repudiar os metodos violentos que os forçam recorrer. Mas se não for assim como se fazem ouvir? Como defendem a sua cultura? Como alcançam a independencia. Como se livram da ocupação e da humilhação que lhes tem sido imposta?

      Deviam ter-lhe ensinado que os Bascos são mausões que matam a torto e a direito. E você como deve ser um preguiçoso mental não se quiz dar ao trabalho de pensar porque o fazem, e vai daí badala tudo o que ouve.

      • Provocador diz:

        “Como defendem a sua cultura?”
        A região basca é das que goza de uma maior autonomia de todas as regiões da Europa. Até os emigrantes portugueses que lá trabalham vêem-se forçados a pôr os filhos a ter aulas em basco na escola.

        “Como se livram da ocupação e da humilhação que lhes tem sido imposta?”
        Se a região basca está “ocupada” diz-nos lá quando é que foi invadida.

        • Bruno Carvalho diz:

          É certo que é uma das que goza de maior autonomia e isso foi conquistado com a luta. Ou melhor, foi uma cedência do Estado espanhol para que a luta independentista não se agudizasse. Acho muito bem que quem vá trabalhar para um país aprenda a língua desse sítio. Mas se quer dramatizar, dramatize melhor porque no País Basco há vários níveis de aprendizagem, uns com mais basco e menos espanhol, outros com mais espanhol e menos basco.

          O País Basco foi sendo ocupado progressivamente e, definitivamente, em 1512. Ao contrário do que se tenta fazer passar, Euskal Herria (literalmente, a terra dos que falam basco) já existiu enquanto Estado independente. Tinha outro nome e era um dos reinos mais importantes da Península, Navarra. Mas mesmo que nunca tivesse sido independente teria o direito a sê-lo se os seus habitantes assim o quisessem.

        • Carlos Carapeto diz:

          ««««««e a região basca está “ocupada” diz-nos lá quando é que foi invadida»»»»».

          Isso mesmo invadida e ocupada. Tens duvidas? Esforça-te um pouco mais a estudar melhor a história do povo Basco, só assim podes ficar habilitado a dar uma opinião sensata a esse respeito.

          Mais . Existe alguma lingua na Europa aparentada com o Basco? Não. Entre muitas outras, essa é uma forte razão para que tenham todo o direito de viver como desejam.
          Por esse motivo mesmo o que estás a fazer é a negação da história , despejando disparates retirados da propaganda e da mentira dos que reprimem e negam as aspirações daquele povo.

          Eleições. Mas que eleições? Não sabes que quem controla a informação manobra o sentido do voto e os resultados eleitorais em seu beneficio? Churchil dizia que a opinião publica molda-se.

          Não estão a cometer nenhuma ilegalidade ou a impor qualquer tipo de arbitrariedade, ao exigir a quem vive no seu território tenha que falar o Basco.

          • Rafael Ortega diz:

            “Existe alguma lingua na Europa aparentada com o Basco? Não. Entre muitas outras, essa é uma forte razão para que tenham todo o direito de viver como desejam.”

            Porque não, nesse caso, a independência para Mirandela? Ou para alguns bairros periféricos de Lisboa onde se fala mais crioulo que português?

            Falar uma lingua diferente é uma razão da treta.

          • De diz:

            Este comentário do Rafael é a prova provada da ignorância que paira sobre alguns que escrevem sobre assuntos que…
            Comparar a língua basca com o mirandês ou com crioulo é não perceber quase nada
            O que está certo no contexto de quem a profere

    • subcarvalho diz:

      Resposta de solidariedade do colectivo CasaViva (em Português):

      O centro cultural Kukutza III, em Bilbau, estava ocupado há 13 anos. Mas, na quarta-feira, dia 21, por ordem do tribunal, a polícia iniciou uma operação para desalojar os ocupantes do que tinha sido anteriormente uma fábrica abandonada.

      O Kukutza partilha com muitos dos seus parceiros europeus um espírito de autogestão e um objectivo de revitalizar as zonas que estão sob ameaça de se degradarem até serem desertos urbanos homogeneizados. De facto, a ocupação de espaços abandonados, seja o solo para cultivo ou um edifício para o desenvolvimento dum centro social, é, sem dúvida, muitas vezes, a única estratégia sensata que resta para resistir às pressões dos interesses especulativos e à consequente gentrificação e perda de diversidade cultural. Os ocupantes rejeitam frequentemente, por questões ideológicas, as opções de recurso aos quadros institucionais ou governamentais. Mas, dum ponto de vista prático, essas opções podem ser consideradas de pouca utilidade, uma vez que envolvem o trato com entidades e pessoas que foram vendidas às pressões mencionadas acima.

      A ocupação é uma abordagem em termos de acção directa que implica o reconhecimento de que, na actual conjuntura sócio-política, temos que interferir fisicamente (e não pedir a outros que interfiram!), de forma a tentar garantir todos os aspectos do nosso bem estar. Para isso é necessário integrar mecanismos de cooperação e coexistência. Ou, noutras palavras, maximizar a solidariedade mútua na presença dum objectivo partilhado, ao mesmo tempo que se aceita e respeita a diversidade das necessidades individuais.
      Mas o Kukutza tem sido uma aventura excepcional. Principalmente por causa das suas dimensões. Uma vez que esta velha fábrica tem vários andares e salas, tornou-se naturalmente a casa de muitos colectivos e associações. Como consequência, ganhou um papel central na vida social e cultural de Bilbau e do bairro de Rekalde. Um vídeo de mobilização, lançado na internet, em Julho, quando as ameaças de despejo se tornaram iminentes, acaba com qualquer dúvida que poderíamos ter sobre este facto [1]. O protesto do dia 16 de Julho trouxe 7000 pessoas para as ruas da cidade.

      Mesmo assim, e não surpreendentemente, os grandes interesses da propriedade dominaram sobre qualquer outro argumento de interesse público na decisão final do tribunal para ordenar o despejo. O proprietário legal do espaço é a imobiliária CABISA S.A.. A empresa sempre recusou qualquer comunicação com os ocupantes, mas afirmou a um jornal que o seu objectivo era demolir o edifício. O governo local não deu qualquer sinal de que não iria passar uma licença de destruição do local. Mais, tinha, antes, negado a relevância do Kukutza para as gentes de Bilbau. É claro que, tanto o poder judicial como o executivo, pelas suas acções e atitudes, são complacentes na repressão desta iniciativa de base que cresceu até se transformar num grande local de interesse público.

      De qualquer forma, o que é que interesse público quer dizer para os que estão no poder? Quando uma barragem precisa de ser construída ou uma linha de alta velocidade precisa de ser criada, inúmeras pequenas casas podem ser legalmente expropriadas, através de uma compensação que não é mais do que uma fracção do valor do que essas famílias anteriormente possuíam. Quando uma imobiliária quer deitar abaixo uma fábrica abandonada no centro da cidade, a questão da posse legal sobrepõe-se a todos os outros e justifica um ataque policial brutal, de forma a pôr na rua dezenas de associações e colectivos.

      Nesta situação de profunda injustiça, o Kukutza pode ou não sair vitorioso em si. Mas uma coisa é certa, o espírito dos que ocuparam o Kukutza continuará a viver e dará origem a novas iniciativas em Bilbau e noutros lados, A força demonstrada por milhares de pessoas que vieram para as ruas na tarde do despejo, protestar ou resistir contra o estado policial e tentar reocupar o edifício, reforça e inspira outras pessoas que trabalham noutros projectos, numa altura em que os acontecimentos em Rekalde ainda estão a desenvolver-se.

      O colectivo CasaViva quer, aqui, expressar o seu apoio ao Kukutza III e levantar o seu punho em solidariedade explícita com aqueles que resistem nas ruas nos dias e noites que se seguem. Que as vossas barricadas aguentem!

      CasaViva
      Porto, 22 de Setembro de 2011

  2. Chalana diz:

    Um Estado que não permite a um povo a sua auto-determinação é um Estado ditatorial. O Estado espanhol proíbe aos bascos pronunciarem-se, através de um referendo livre, sobre a sua independência… Logo, o Estado espanhol é uma ditadura É uma ditadura ao serviço dos Bourbon, da Igreja Católica e da oligarquia económica espanholista.

    Como é que dizia o herói no filme A batalha de Argel…?
    “Dêem-nos os vossos tanques e aviões que nós vos daremos as nossas bombas artesanais”

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