Dia D

   Amanhã será o Dia D. Não porque a Palestina seja finalmente reconhecida como um Estado pelo Conselho de Segurança da ONU, porque isso não irá acontecer. Mas porque ficam clarificadas as posições quanto à região. Porque, esticando a corda, é o fim definitivo da credibilidade de Obama, que há um ano anunciou o suposto desejo de ver criado um estado palestiniano e agora vai vetar a decisão. É perfeitamente legítimo do ponto de vista do interesse nacional, na lógica mais pura de realpolitik, de apoio ao seu aliado de sempre: Israel. Agora, quando grande parte dos países mundiais defendem a proposta palestiniana, quando muita da opinião israelita já se manifesta contra os colonatos e a política de agressão, escusa Obama de voltar a falar em idealismo, em princípios e na boa intenção dos seus actos. Será que, três anos depois e numa lógica de liberalismo em política internacional, ainda existem crentes  a endeusá-lo? Pelo menos o silêncio sepulcral com que foi recebido o seu discurso na Assembleia Geral da ONU mostra que o respectivo estado de graça está definitivamente enterrado.

P.S. Entretanto, ignorando os indícios de manipulação, Troy Davis foi mesmo executado. Um país que continua a aplicar a pena de morte, abolida e considerada bárbara por grande parte dos países ocidentais, nunca poderá ser símbolo internacional de justiça, seja em que matéria for.

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