Uma gota no oceano

Começou Setembro e começaram os telejornais sobre as torres, sobre os aviões contra as torres; sobre os homens que saltaram das torres, sobre os homens que juntaram os bocados dos homens que saltaram das torres; sobre o pastor-alemão-português que farejou as ruínas das torres, sobre o pivô-português que fareja a torre que nasce das ruínas das torres.

Para depois do telejornal, a SIC Notícias prometia o 11 de Setembro visto pela Al-Qaeda. Apanhei-o a meio, falava a viúva de um membro importante da organização. Dizia que, perante as vítimas muçulmanas dos anos que passam, as vítimas do atentado de 2011 são uma gota no oceano, uma gota no oceano. Na guerra entre o Oriente e o Ocidente ou entre o Ocidente e o Oriente, tinha a vitória prometida por Deus e a derrota prometida por Bush.

Durante a entrevista, a viúva agarrava-se ao Alcorão. Fez-me lembrar os que (só) se agarram às torres, aos aviões contra as torres; aos homens que saltaram das torres, aos homens que juntaram os bocados dos homens que saltaram das torres; ao pastor-alemão-português que farejou as ruínas das torres, ao pivô-português que fareja a torre que nasce das ruínas das torres. Soldadinhos de chumbo.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

15 Responses to Uma gota no oceano

Os comentários estão fechados.