Isto é um apelo fascista e é o último gesto que faltava: desenterrar o machado de guerra.

A juntar às declarações recentes de Pedro Passos Coelho, o abjecto editorial de António Ribeiro Ferreira, na edição de hoje do i, constitui mais uma peça do acto formal de declaração de guerra que ambos os momentos constituem.

ARF recupera a famosa frase de Maldonado Gonelha, uma das chaves-mestras do processo contra-revolucionário conduzido por Mário Soares que permitiu à direita revanchista, aos clãs e caciques do fascismo que a revolução portuguesa tinha temporariamente apeado, recuperar o poder. Tratava-se então, com a criação da Carta Aberta, que veio dar origem à UGT, “partir a espinha” à Intersindical, hoje CGTP – Intersindical Nacional.

Este editorial é, antes de mais nada, uma demonstração de que a direita, o grande poder económico e mediático, com contas para ajustar com a revolução portuguesa, passou ao assalto final e já não esconde envergonhadamente o seu fundo fascista.

Esta demonstração faz-se de dupla maneira: a) aos sindicatos podemos “partir a espinha” – os sindicatos podem ser em determinado momento, havendo necessidade disso, perseguidos, reprimidos e destruídos – são descartáveis, são o inimigo; b) o editorial queixa-se da intervenção dos sindicatos (da CGTP, que outros?) a propósito das privatizações, queixa-se afinal da intervenção dos sindicatos numa área que não lhes pertence, a “política”; ou seja, revela o incómodo (o medo de classe, certamente) pela evidência de que o povo trabalhador não vai ficar a assistir impávido a este acto de pirataria com o nome de “ajuda externa”, que significará, a prosseguir, a profunda fascização da sociedade portuguesa, a subjugação do povo português e dos trabalhadores a níveis de exploração inéditos, ao empobrecimento, à perversão, à destruição de vidas concretas de pessoas concretas.

A direita sabe que o protesto e a indignação, com um profundo sinal de classe, vêm aí. O protesto está a organizar-se, a ganhar consciências e forças. Tentar amansá-lo não seria credível, pois que a própria ofensiva – nos actos e já no tom – é de ataque declarado aos direitos dos trabalhadores e às suas condições de vida. A solução, para a direita, é assumir a guerra, esperando com isso atemorizar e dividir as forças do protesto e as suas organizações.

Mas esperam ainda algo, um golpe de sorte, que certamente farão tudo para conseguir ou fabricar: um acto de desespero, de descontrole, de raiva desnorteada. Estão a trabalhar para isso, estão a contar com isso.

Ao assalto, ao roubo e à guerra daremos resposta. Com as nosssas armas mais eficazes: a organização, a experiência histórica, a determinação, a unidade e uma aguda consciência de classe. Somos nós ou eles.

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