Um tiro no pé

João Miranda, num esforço por santificar os pobres dos ricos, invoca uma notícia de 2009. “IRS: Apenas 5% dos contribuintes pagam 60% do imposto cobrado pelo Estado”, titulava-se a partir de dados disponibilizados pela Direcção-Geral dos Impostos. O artigo revelava a crescente contribuição para o IRS das famílias com rendimentos brutos acima de 50 mil euros.
Ainda que se deva ter algum cuidado em considerar rica uma família com rendimentos brutos acima de 50 mil euros (imagine-se se for uma família numerosa ou com familiares a cargo, por exemplo), a notícia não esclarece se esse crescimento percentual se deve a um efectivo aumento de comparticipação (que seria de estranhar pois Durão, Santana e Sócrates defenderam muito bem os seus direitos) mas a uma diminuição de comparticipação dos mais pobres, por ganharem menos ou pelo simples aumento do desemprego e reformas, por exemplo.
Acresce que, uma notícia de 2010, pode ajudar a esclarecer a equação. “O número de empregados a receber salários de 3.000 euros líquidos ou mais por mês aumentou 23% no primeiro trimestre do ano, para 28,6 mil pessoas, aprofundando a desigualdade de rendimentos na economia“, escreve-se.
Ou seja, relacionando as duas notícias do mesmo jornal, é perfeitamente legítimo retirar a conclusão oposta à de Nogueira Leite (que opina no artigo de 2009 sobre uma alegada “redistribuição dos rendimentos”) e de João Miranda. Se é um facto que os mais pobres estão a contribuir cada vez menos, isso não se deve a um processo de redistribuição mas de acumulação que lhes limita os rendimentos.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

Uma resposta a Um tiro no pé

  1. pappy diz:

    O joão miranda é um palhaço de merda;enfim,um fascista orgânico,um ‘intelectual’ que queria ser o Eugénio Rosa do esterco burguês em que ele vive -um proxy atento da Wall Street.joão zinho keres explicar o ‘investimento’ desse ganda empresário das rolhas no BPN?Não é subsidiozinho para o óme das rolhas?O que é?Não é um almoço(e que almoço) grátis para esse grande entreperneur?

Os comentários estão fechados.