Na Líbia de hoje, não há heróis


É verdade que a intervenção da NATO na Líbia é criminosa e motivada apenas pelo petróleo. É verdade que o Conselho Nacional de Transição não tem qualquer legitimidade. É verdade que os actos de barbárie protagonizados pelos novos detentores do poder têm afogado em sangue milhares de líbios inocentes e a Comunicação Social tem-se esforçado por esconder essa parte.
Mas também convém não exagerar na descrição dos acontecimentos. Do lado contrário, está um regime ditatorial e violento que não hesitou em disparar contra o próprio povo logo que se viu ameaçado. Do outro lado, está o sanguinário Kadaffi, que reprime os líbios há mais de 40 anos. Não é propriamente o mártir no meio desta história.
Na Líbia de hoje, à excepção do povo inocente que vai sobrevivendo como pode, não há heróis.

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137 respostas a Na Líbia de hoje, não há heróis

  1. Carlos Vidal diz:

    Ricardo, um rápido comentário:
    Eu por mim desconfio sempre de frases como esta:

    “um regime ditatorial e violento que não hesitou em disparar contra o próprio povo”

    É que são sempre os “democratas” a proferirem-na, e a usarem-na como pretexto para as suas acções “libertadoras”: desde o Kosovo ao Iraque.
    E porque é que os democratas acham que o povo tem legitimamente dono?
    É estranho, a frase é muito estranha: parte-se do princípio de que um povo pertence a um líder (seja ele quem for).
    É que quem se manifesta, ao se manifestar, diz logo que não é “próprio” de ninguém.
    É uma expressão clássica de entre as usadas para as intervenções “humanitárias”.
    Jogos de linguagem que, acho eu, contam muito.
    Abraço
    CV

    • Carlos Vidal diz:

      Tenho de voltar ao assunto. Porque o “jogo de linguagem” é fundamental.

      Quando os EUA e a Europa ocidental (ou a “civilização ocidental”, quando esta pretende derrubar um inimigo), usam sistematicamente “o ditador X dispara e massacra o próprio povo”. Continuo a achar a expressão inaceitável, porque esse uso destina-se claramente a quando, numa “operação de libertação humanitária” (atenção zeque que isto tb é contigo), um dos exércitos libertadores mata dezenas de pessoas num inócuo casamento ou outra festa (acontece todos os dias), poder dizer que não massacrou o “próprio povo”, mas produziu “danos colaterais”.
      Penso que a linguagem é importante, e os poderes ocidentais sabem-no bem de mais.

      Lamento que ninguém tenha nada a dizer sobre isto.
      Zeque, avança (se fores capaz).

  2. salvoconduto diz:

    Meu caro, está a ser injusto, claro que há heróis, Paulo Dentinho e Cândida Pinto, dois entre muitos que nos serviram as notícias ao longo deste tempo. Paulo Dentinho foi dos primeiros a para lá ir, é certo que quando as coisas começaram a azedar se pirou para França, mas ei-lo agora de novo a dar conta que os rebeldes se matavam uns aos outros, porque mortos e feridos só entre eles, não se vê mortos ou feridos do outro lado. Já a Cândida nos relatava o tiroteio em directo, do hall de um hotel dizia que estava entre a metralha, enquanto mesmo atrás dela refastelado num sofá um seu colega estrangeiro saboreava o que parecia ser um gelado ou uma sobremesa. Por falar nisso, também me está a apetecer um, eu vou ali e venho já.

  3. pedro pousada diz:

    A Comunicação Social (Al-jazeera, Sky News, CNN entre outras centrais de desinformação)não se tem apenas esforçado por esconder a realidade dos massacres e dos crimes de guerra dos mercenários da al-quaeda provenientes da Argélia, da Tunísia, do Qatar, da Jordânia, do Egipto, todos eles patriotas líbios, sem dúvida, ao serviço da Nato , ela foi e é numa dimensão sem precedentes um beligerante activo nesta guerra contra o povo líbio e contra o seu governo legitimo. O CNT não possui agenda própria, essa está nas mãos dos seus criadores, em Washington, Londres e Paris-onde é que já se viu um movimento de libertação nacional reunir a sua direcção política a bordo do porta-aviões de um pais estrangeiro?Os Vietcong fizeram-no?Os argelinos? Os angolanos, os guineenses? os membros do ANC ou da Swapo fizeram-no? Não haverá almoços (nem pernoitas ) grátis para estes senhores do CNT, eles estão ali apenas para entregarem as riquezas do seu país aos verdadeiros (mas provisórios) vencedores desta agressão, e fá-lo-ão com a cumplicidade da ONU e da liga Àrabe.
    A Líbia está a sofrer uma extensa operação de desmodernização e de recolonização, as bases militares britânicas e americanas regressarão e como no Iraque o sectarismo e o tribalismo mancharão de sangue uma sociedade com altos níveis de desenvolvimento humano e servirão os interesses dos novos senhores, as petromornarquias do Golfo servirão de modelo político para impor de cima e de fora ao povo Líbio, aterrorizado, ameaçado, desorientado, a sua terceira mundialização como fuel provider do mundo ocidental.
    O que nós assistimos neste seis meses foi a uma campanha de rumores, de testemunhos de pessoas cuja existência real nunca foi verificada (o diz que disse ou que viu), à proliferação de factos não confirmados, de falsidades doseadas por meias verdades-porque o falso tem sempre algo de verdadeiro ou pelo menos de verosímil.
    A mais flagrante falsificação da realidade, obra digna dos Die deutsche wochenschau do III Reich, foi confeccionada em directo pelo canal qatari com um simulacro da praça verde a servir para que figurantes pagos fingissem que a verdadeira Praça Verde tinha sido ocupada por rebeldes e populares em júbilo (facto que o vira-casacas Abdul Jalil ex-ministro da Justiça da Líbia e actual títere do CNT admitiu a um canal àrabe ter servido para enganar e desorientar as tropas governamentais e a população de Tripoli) e com outras montagens vergonhosas sobre cidades conquistadas pelos rebeldes que de facto não o foram; os jornalistas corporativos tornaram-se neste conflito agentes provocadores e fabricantes de uma derrota que ainda está para ser confirmada; assistimos ao encobrimento dos crimes da Nato, ao silêncio mediático sobre a destruição sistemática de infra-estrutura vital para a vida quotidiana dos líbios, ao disfarce dos massacres planeados contra os funcionários do Estado Líbio (choque e pavor contra as populações urbanizadas e cultas como garante de que não haverá resistência no futuro-quanto tempo faltará para que como no Iraque, os intelectuais e cientistas líbios comecem a ser assassinados?). Todo este ataque cerrado ao povo líbio nasceu de mentiras grosseiras: o que sucedeu em Fevereiro em Benghazi e noutras localidades da Cirenaica foi um ataque armado contra bases militares, o que ficou provado pela vigilância electrónica russa é que a força aérea líbia nunca foi usada contra populações civis, o que ficou provado é que os levantamentos armados foram protagonizados pelos sectores mais conservadores e reaccionários do integrismo, o que ficou provado é que nos meses precedentes a esta “revolução” os traidores e entreguistas do Estado libio se tinham reunido em Paris, Washingtons e Londres com os seus minders para prepararem o golpe, o que ficou provado é que Khadaffi não tinha fugido para a Venezuela, o que ficou provado é que esta “revolução” foi fabricada no estrangeiro e que a bandeira da monarquia, ressuscitada como símbolo dos rebeldes, inundou as ruas de Benghazi porque já tinha sido previamente produzida pelos patrocinadores deste falhado golpe de Estado que se transformou em intervenção neocolonial, o que ficou provado foi o racismo dos “rebeldes” . Não discutirei a autocracia de Khadaffi, é óbvio que a sua liderança estava desgastada e que existia uma unipessoalização do poder mas os oposicionistas (nem todos pois muitos se tinham reaproximado desgastados com o papel destrutivo da NAto) ao seu regime atravessaram a linha irreversível da traição quando se aliaram com os inimigos da Líbia. Não são só os ditadores que são sanguinários, há líderes de democracias parlamentares que nadam em piscinas da sangue (Tony Blair, Bush, Bill Clinton, Sarkozy, Aznar, Berlusconi, David Cameron só nos tempos mais próximos contabilizam mais mortos e desalojados por esse mundo fora que Saddam e Khadaffi juntos).
    Ao contrário do que jornalistas ignorantes vão veiculando como se fosse verdade absoluta, a Líbia não era um país afectado pelo mesmo tipo de males sociais que atingem o Magrebe (Marrocos, Argélia, Tunísia) ou o Chade, o Niger, o Burkina Faso; era uma nação desenvolvida, com um sector financeiro e bancário nacionalizado, com uma importante reserva de ouro, sem dívidas nem pedidos de crédito ao FMI e ao Banco Mundial, era uma nação com um serviço de saúde gratuito, moderno, tecnologicamente avançado (como pudemos apreciar nos diferentes hospitais visitados pelas televisões ocidentais) em nada parecido com a catástrofe sanitária que são os hospitais marroquinos ou egípcios que atendem as populações mais empobrecidas e destituídas.
    Finalmente: antes da Polónia ser invadida pela Alemanha nazi, ela era conhecida como o “Caniche dos alemães”, o cãozinho que ladrava contra o bolchevismo, não era um regime democrático, antes pelo contrário inclinava-se para um protofascismo católico e anti-semita, a famosa fortaleza de Brest-Litovsk que ficou para a história como um dos primeiros baluartes da resistência soviética era no período em que pertencera à Polónia, conhecida como “hotel Litovsk” por albergar, contra a sua vontade, os líderes da oposição política polaca. Não foi por estes e outros factos menos agradáveis que as “democracias” europeias (que não eram por sua vez lá muito democráticas) se mobilizaram (mal e porcamente, diga-se de passagem)contra o agressor nazi; porque é que hoje não havemos nós, militantes de esquerda, de nos mobilizar contra esta agressão e de denunciá-la? Por causa do senhor Khadaffi? Haja paciência! Eu neste momento tomo o partido da resistência líbia a esta agressão, se por lá anda o senhor Khadaffi (que apesar das suas fraquezas escolheu ser um patriota) ainda bem para ele (creio que não há maior redenção que o patriotismo, que a luta de um povo pelo direito à dignidade). Estou certo também que a maioria da população líbia se encontra (ou se encontrará com o decorrer dos acontecimentos) do lado da resistência e da defesa activa pela soberania e independência.
    E engano teu, há muitos heróis, anónimos, mortos e vivos, a enfrentarem com armas e palavras esta agressão aérea e ultra-sofisticada assim como os seus esquadrões da morte, os Einsatzgruppen islamitas que estão a medievalizar a Líbia ao serviço, pasme-se, do sionismo.

    • De diz:

      Parabéns pelo comentário

    • Leo diz:

      “O que nós assistimos neste seis meses foi a uma campanha de rumores”.

      Infelizmente, caro Pedro, foi a muito mais do que isso. Foi ao mais cruel bombardeamento. Foi a um bombardeamento que já ultrapassou os 20.000 raides aéreos com mais de 8.000 raides de ataques. Perante esta barbaridade as II Guerra, Guerra do Vietname e Guerras do Iraque e Afeganistão são uma brincadeira.

      Mais de 8.000 raides de ataque aéreos sobre uma população de 6 milhões em 5 meses é algo que nunca antes ocorrera na história da humanidade. Pior, é algo que continua a ocorrer. Os ratos da NATO declararam precisar de mais 10 dias de bombardeamentos sobre Sirte. Continuam pois os raides de ataques aéreos sobre Sirte e Tripoli neste preciso momento. Disto ninguém fala.

  4. Boldino diz:

    Um estapafúrdio perfeito.

    Kadhaffi é um ditador, aprendemos isso nas ultimas aulas, antes era matéria interdita a menores. O Avante exagera, não admira é o porta voz dos comunistas. Como hoje já ninguém acredita que os comunistas comiam criancinhas. Acena-se com o aforismo de mentirosos.

    Como também não é novidade nenhuma dizer que os orgãos de informação ao serviço do poder dominante faltam á verdade. Essa é uma realidade com barbas brancas.

    Conclusão; cozinha-se um acepipe com algumas postas suculentas. Como dizer-se que está em mira o petroleo, que foi tudo mal feito, a vitima é o povo, as marionetas do imperialismo (CNT) não têm legitimidade (mas têm armas). Por fim para tornar a mixórdia tragável , deitam-se os temperos. Justifica-se a intervenção para deitar abaixo um regime ditatorial violento, afastar o sanguinário Kadhaffi. Nem Zizek defendeu de forma tão brilhante a intervenção no Iraque e as torturas em Abu Ghraib.

    Qualquer facínora membro da OTAN não destoa muito deste estilo de palavrório.

    Há que dize-lo sem rodeios. A intervência da OTAN na Líbia foi um ato barbaro e violento sem qualquer justificação politica. Existem no Médio Oriente e Norte de África regimes mais sanguinários e violentos que o de Kadhaffi no entanto são protegidos por aqueles que espalharam o terror e a morte sobre o povo Libio.

    Tem que reconhecer isto se pretende que acreditem naquilo que escreve.
    A sublevação na Libia, foi preparada, apoiada e dirigida do exterior.

    Se a contestação em Marrocos ou noutro qualquer país do Médio Oriente onde também existiram protestos populares tivesse tido os mesmos apoios externos que foram disponibilizados na Líbia por parte dos países intervencionistas, todos esses regimes tinham sido apeados.

    Este tipo de retórica , não se destina a informar, mas a confundir.

    Faltou dizer que o Hezbolah também participou no “festim” .

  5. Leo diz:

    Começa com uma meia verdade: “É verdade que a intervenção da NATO na Líbia é criminosa e motivada apenas pelo petróleo. ”

    Continua com o cliché justificador do costume de todas as agressões: “Do outro lado, está o sanguinário Kadaffi, que reprime os líbios há mais de 40 anos.”

    Acaba com a mentira paternalista complacente: “Na Líbia de hoje, à excepção do povo inocente que vai sobrevivendo como pode, não há heróis.”

    Um texto medíocre, pequenino, rasca.

  6. ezequiel diz:

    Caro Ricardo,

    Excelente post.

    Deve haver alguns heróis e muitos inocentes, certamente.

    A intervenção da NATO não se deve apenas ao petrol. Tem q ver também com: 1) segurança (emigração ilegal, AQMI);e 2)opinião pública europeia/ocidental.

    Prof Vidal,

    Jogos de linguagem que são jogados por todos, incluindo os senhores que escrevem o Avante.

  7. ezequiel diz:

    Pedro Pousada,

    “ao serviço, pasme-se, do sionismo.

    Os sionistas foram detectados pela mui sofisticada e nada anacrónica electrónica Russa????

    Não deveria desperdiçar a sua imaginação. Mude-se para Hollywood!! 🙂

    • Pedro Pousada diz:

      Vou já, arranja-me contactos? Conhece algum sector da Hollywood blockbuster que não esteja não mão de produtores sionistas (nota: anti-sionismo não é a mesma coisa que anti-semitismo ainda que os sionistas tentem fazer a colagem com cola rápida)?

  8. Gentleman diz:

    Teriam mais legitimidade os comunistas da Polónia, Checoslováquia, Hungria, Roménia, etc. para tomarem o poder a seguir à Segunda Guerra Mundial? Não me parece.

    E o golpe que levou à tomada do poder por Lenine? Seguramente teve muito menos apoio popular que os rebeldes líbios…

    • Boldino diz:

      Porque não denuncia também o 25 de Abril?

      • Gentleman diz:

        O 25 de Abril foi um golpe que correspondeu aos anseios da maioria da população portuguesa. Tal como os subsequentes eleições o confirmariam.
        Ao invés, na Polónia, Checoslováquia, Hungria, Roménia… a subida ao poder dos comunistas foi imposta por uma potência militar estrangeira. Nunca foi sufragada, nem era representativa de um movimento popular expressivo.

        • De diz:

          Pobre Gentleman
          Que pena os nazis terem sido derrotados …
          e ainda por cima com a preciosíssima ajuda do exército vermelho (buuuu…)

          Que pena a História não poder ser reescrita ao gosto dos gentlemen desta época

          Galo
          Muito

          E na Líbia continua-se a morrer
          Com mortes não sufragadas.Sem qualquer representação popular.
          E impostas pelo desvario da sede do lucro e do fundamentalismo

          Onde é que íamos?

    • De diz:

      Coitado de Gentleman
      Ainda não “engoliu” a revolução bolchevique …

      Se repisasse os argumentos deste gentleman solicitar-lhe-ia as provas documentais de tal asneira
      Mas depois chego à conclusão que não se devem colocar em causa os fantasmas pessoais de alguns
      A frustração reconhece-se…
      e é suficientemente patética para não continuarmos com este post

    • Pedro Pousada diz:

      Se por apoio popular quer dizer apoio das grandes potências europeias (ainda as mesmas passados quase cem anos: UK, France, Deutschland) de facto os bolcheviques tiveram que se safar sozinhos no período da guerra civil contra Gregos, Turcos, Checos, Austríacos, Polacos, Franceses, Finlandeses, Japoneses, Norte-americanos, Italianos, Franceses, Alemães, Britânicos e uns primos afastados dos rebeldes líbios, Atamãs, generais czaristas, nacionalistas ucranianos prontos a venderem a pátria aos alemães, russos antisemitas e chauvinistas e outra catrefada de “patriotas”; e mesmo assim, sem apoio aéreo, sem jornalistas partisans conseguiram!?!Claro que contaram com a solidariedade do movimento operário mundial, de Shangai a Seattle, de Oklahoma ao Illinois, de Chicago a Nova Iorque, de Havana a Lisboa, de Madrid às docas de Liverpool, dos bairros communards de Paris ao Neukolln de Berlin; que tempos esses! E por mera curiosidade já que o sr. Gentleman fede a bafio relato-lhe uma surpreendente descoberta num catálogo de filmes mudos norte-americanos produzidos no período da revolução bolchevique, descoberta feita na microscópica biblioteca da Cinemateca do tempo de Luís de Pina e de João Bénard; os financeiros e produtores norte-americanos foram incansáveis na realização de filmes (muitos eles na “siberiana” Florida) onde os bolcheviques eram caracterizados como monstros sanguinários, filhos da escória jacobina, comedores de jovens vestais que eram salvas in extremis por galantes cossacos. Os filmes deram um interessante contributo para o cliché anti-bolchevique que você, pós-moderno concerteza, ainda vampiriza.

      • Gentleman diz:

        Guerra civil? Quem é falou nisso?
        Leia devagarinho e depois consulte os compêndios de História (não a brilhante falsificação de Eisenstein, mas História a sério):
        «E o golpe que levou à tomada do poder por Lenine?»

        • De diz:

          Gentleman.
          Ainda não ultrapassou a crise pois não?
          Vá lá chamar a Revolução bolchevique de outra coisa que não uma Revolução.
          Vamos lá repita comigo para ser mais fácil
          Revolução…Bolchevique…Revolução … bolchevique
          Agora procure num dicionário qualquer….o significado de Revolução
          Lol

          Ainda não lhe passou a azia?

          Ah, viva Eisenstein

          Nota quase final..pode ler à velocidade que quiser

          ( e deixe-se desses “negritos” tão em voga entre os seus)

          • Gentleman diz:

            Vá ler a História, De Pavlov… Revolução Russa aconteceu em Fevereiro de 1917. Isso foi uma revolução popular. O que viria a acontecer em Outubro de 1917 foi uma golpada.

          • De diz:

            Gentleman
            Peço desculpa.
            A revolução bolchevique foi em Outubro

            Certo Gentleman?
            Certo

            (Mas então Gentleman está a tentar fazer o quê?
            Apenas uma “golpada” em tamanho micrsocópico”)

        • De diz:

          Voltemos então ao tema:
          “NATO faces ‘catastrophic success’ in Libya
          “Tens of thousands of casualties of innocent civilians, people homeless, huge humanitarian disaster”

          • Gentleman diz:

            De Pavlov, todas as revoluções e guerras têm vítimas inocentes. A questão está em saber se essas vítimas são:
            1) Fruto de acidentes
            2) Fruto de erro/negligência
            3) Intencionais

            Não ponho a mão no fogo pelos rebeldes. Mas, ao contrário do De Pavlov, não sou tão lesto a apontar o dedo à NATO. Os maiores criminosos, ou seja aqueles que provocaram mais vítimas do tipo 3 são, sem a menor dúvida, Kadhafi e os seus apoiantes.

          • De diz:

            Errado Gentleman
            Já é hoje consensual que a guerra levada a cabo pela Nato e seus “colaboradores” provocaram ainda mais vítimas que as de Kadhafi

            Quanto à enumeração das causas das vítimas?
            Oh Gentleman
            Uma organização que viola até o determinado pela ONU
            Que bombardeia alvos como está a acontecer em Sirte
            que mata civis inocentes

            quer dizer que tais vítimas inocentes foram fruto de “acidentes”?
            de “erro”?
            De negligência?

            Lesto a apontar o dedo à Nato?
            Qual apontar o dedo qual carapuça
            O “Gentleman” não faz outra coisa senão apoiar o crime e a guerra

            Não tem vergonha de vir com esse paleio?

        • Pedro Pousada diz:

          Hmm, quer me parecer que vossa insolência pertence ao grupo dos que consideram a revolução bolchevique uma golpada dos serviços secretos alemães e da alta finança judaica… oh brilhante inteligência, Koltchak, Denikine, Kornilov,Wrangel, Alekseev, Ivanov, Markov, May-Maevsky não lhe dizem nada? Foram espectros que se andaram a passear na Rússia incógnitos e inofensivos…Fiquemos por aqui porque nem eu tenho préstimo para o convencer da sua ignorância nem você tem jeito para as coisas da História.

    • Carlos Vidal diz:

      O bom ezequiel, o homem com quem eu gosto de falar de filosofia, entre outras matérias marginais (ao mundo), está gradualmente a trasnferir-se para a extrema direita. É pena.

      • Gentleman diz:

        Segundo o ilustre Vidal, agora mencionar os crimes de Kadhafi e do seu exército é extrema-direita. Tal como presumimos que seja também “extrema-direita” falar sobre o Gulag, sobre o Holodomor ou sobre os Processos de Moscovo…

        • De diz:

          Percebe-se algum desespero de Gentleman no seu esforço para tentar mudar “a conversa”
          Sente-se mal com a denúncia dos pulhas da Nato?
          Ou com a acusação de cumplicidade com os fundamentalistas islâmicos?

          Vamos Gentleman,vamos lá,repita comigo:
          A Nato é uma organização terrorista
          Não?Prefere falar noutra coisa?
          hummmm

  9. ezequiel diz:

    Isto interessar-te-á certamente.
    Morning papers&coffee. 🙂
    Cumps,
    http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,druck-782359,00.html

  10. Leo diz:

    “Na Líbia de hoje, não há heróis” ???

    Há quase seis meses Obama proclamava que a coisa se resolvia em dias, não semanas e Srkozy garantia que em 15 dias estava tudo resolvido.

    E já entrámos no 6º mês e agora dizem que ainda precisam de mais 10 dias de bombardeamentos da NATO sobre Sirte.

    Imaginem só se houvesse heróis…

  11. Leo diz:

    A Líbia, a África e a Nova Ordem Mundial
    – Carta aberta aos povos da África e do mundo

    “Carta assinada por mais de 200 africanos eminentes, incluindo Jesse Duarte, membro executivo nacional do African National Congress (ANC), o analista político Willie Esterhuyse da Universidade de Stellenbosch, o antigo ministro da inteligência Ronnie Kasrils, o jurista Christine Qunta, o antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Aziz Pahad, o antigo ministro na presidência Essop Pahad, Sam Moyo do African Institute for Agrarian Studies, o porta-voz do ex-presidente Thabo Mbeki, Mukoni Ratshitanga e o poeta Wally Serote”. – Concerned Africans Criticise Nato , 24/Agosto/2011

    Nós, os signatários, somos cidadãos comuns da África que estão imensamente aflitos e irados por companheiros africanos estarem e terem sido sujeitos à fúria da guerra por potências estrangeiras, as quais repudiaram claramente a nobre e muito relevante visão corporificada na Carta das Nações Unidas.

    Nossa acção ao emitir esta carta é inspirada pelo nosso desejo, não de tomar partido mas sim de proteger a soberania da Líbia e o direito do povo líbio de escolher seus líderes e determinar o seu próprio destino.

    A Líbia é um país africano.

    Em 10 de Março, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana adoptou uma importante Resolução (3) a qual explanava o roteiro para tratar o conflito líbio, consistente com as obrigações da União Africana (UA) sob o Capítulo VIII da Carta da ONU.

    Quando o Conselho de Segurança da ONU adoptou a sua Resolução 1973 , estava consciente da decisão da UA a qual fora anunciada sete dias antes.

    Ao decidir ignorar este facto, o Conselho de Segurança mais uma vez e conscientemente contribuiu para a subversão do direito internacional bem como para a impugnação da legitimidade da ONU aos olhos do povo africano.

    De outras formas desde então, ele ajudou a promover e fortalecer o processo imensamente pernicioso da marginalização internacional da África mesmo em relação à resolução dos problemas do continente.

    Contrariando as disposições da Carta da ONU, o Conselho de Segurança da ONU declarou a sua própria guerra à Líbia em 17 de Março de 2011.

    O Conselho de Segurança permitiu-se ser informado [apenas] por aquilo que o International Crisis Group (ICG) no Relatório de 6 de Junho de 2011 sobre a Líbia caracteriza como o “mais sensacional relato de que o regime estava a usar a sua força aérea para massacrar manifestantes”.

    Sobre esta base ele adoptou a Resolução 1973 a qual mandatava a imposição de uma “zona de interdição de voo” sobre a Líbia e resolveu “tomar todas as medidas necessárias … para proteger civis e áreas populadas por civis sob ameaça de ataque na Jamahiriya Árabe Líbia”.

    Portanto, em primeiro lugar, o Conselho de Segurança utilizou a questão ainda não resolvida no direito internacional do “direito a proteger”, o chamado R2P, para justificar a intervenção militar na Líbia sob o Capítulo VII.

    Neste contexto o Conselho de Segurança da ONU cometeu uma lista interminável de ofensas as quais enfatizaram a ulterior transformação do Conselho num instrumento aquiescente dos mais poderosos dos seus Estados Membros.

    Portanto o Conselho de Segurança não produziu evidência para provar que a sua autorização da utilização da força sob o Capítulo VII da Carta da ONU era resposta proporcionada e adequada para o que na realidade se havia desenvolvido na Líbia: uma guerra civil.

    Ele então procedeu à terciarização (outsource) ou sub-contratação da implementação das suas resolução à NATO, mandatando esta aliança militar para actuar como uma “coligação das vontades”.

    Ele não estabeleceu qualquer mecanismo e processo para supervisionar o “sub-contratado”, para assegurar que ele honrasse fielmente as disposições das suas Resoluções.

    Ele não fez qualquer esforço de outras formas para monitorar e analisar as acções da NATO a este respeito.

    Ele permitiu o estabelecimento de um legalmente não autorizado “Grupo de Contacto”, mais uma “coligação das vontades”, o qual deslocou-o como a autoridade que tinha a responsabilidade efectiva de ajudar a determinar o futuro da Líbia.

    Para confirmar esta realidade inaceitável, a reunião de 15 de Julho de 2011 do “Grupo de Contacto”, em Istambul , “reafirmou que o Grupo de Contacto permanece a plataforma adequada para a comunidade internacional a fim de ser um ponto focal de contacto com o povo líbio, coordenar a política internacional e ser um fórum para discussão de apoio humanitário e pós conflito”.

    Devidamente autorizado pelo Conselho de Segurança, as duas “coligações de vontade”, a NATO e o “Grupo de Contacto”, efectivamente e praticamente reescreveram a Resolução 1973.

    Dessa forma eles concederam-se poderes a si próprios para abertamente prosseguir o objectivo da “mudança de regime” e portanto para a utilização da força e de todos os outros meios para derrubar o governo da Líbia, objectivos completamente em desacordo com as decisões do Conselho de Segurança da ONU.

    Por causa disto, em desrespeito das Resoluções 1970 e 1973 do Conselho de Segurança da ONU, eles atreveram-se a declarar o governo da Líbia ilegítimo e a proclamar o “Conselho Nacional de Transição” baseado em Bengazi como “a autoridade governante legítima na Líbia”.

    O Conselho de Segurança deixou de responder à pergunta de como as decisões tomadas pela NATO e pelo “Grupo de Contacto” tratam a questão vital de “facilitar o diálogo para levar à reformas políticas necessárias para encontrar uma solução pacífica e sustentável”.

    As acções dos seus “sub-empreiteiros”, a NATO e o “Grupo de Contacto”, posicionaram as Nações Unidas como um partido beligerante no conflito líbio, ao invés de ser um pacificador comprometido mas neutro posicionando-se de modo equidistante das facções armadas líbias.

    O Conselho de Segurança mais uma vez decidiu deliberadamente repudiar as regras do direito internacional ao conscientemente ignorar as disposições do Capítulo VIII da Carta da ONU relativas ao papel das instituições regionais legítimas.

    A guerra de George W. Bush contra o Iraque começou em 20 de Março de 2003.

    No dia seguinte, 21 de Março, o jornal britânico The Guardian publicou um artigo abreviado, do eminente neo-conservador estado-unidense Richard Perle, intitulado ” Graças a Deus pela morte da ONU “.

    Mas a arquitectura global pós Segunda Guerra Mundial para a manutenção da paz e da segurança internacional centrava-se no respeito pela Carta da ONU.

    O Conselho de Segurança da ONU deve portanto saber que, pelo menos em relação à Líbia, actuou de uma maneira que resultará, e efectivamente levou, à perda da sua autoridade moral para presidir sobre os processos críticos de alcançar a paz global e a realização do objectivo da coexistência pacífica entre diversos povos do mundo.

    Ao contrário das disposições da Carta da ONU, o Conselho de Segurança da ONU autorizou e permitiu a destruição e a anarquia na qual desceu o povo líbio.

    No fim de tudo isto:

    * muitos líbios morreram e foram mutilados
    * muita infraestrutura terá sido destruído, empobrecendo mais o povo líbio
    * a amargura e a animosidade mútua entre o povo líbio terá sido mais fortalecida
    * a possibilidade de chegar a um acordo negociado, inclusivo e estável ter-se-á tornado muito mais difícil
    * a instabilidade terá sido reforçada entre os países vizinhos da Líbia, especialmente os países do Sahel africano, tais como o Sudão, Chade, Níger, Mali e Mauritânia
    * a África herdará um desafio muito mais difícil para tratar com êxito da questão da paz e da estabilidade e, portanto, da tarefa do desenvolvimento sustentado
    * aqueles que intervieram para perpetuar a violência e a guerra na Líbia terão a possibilidade de estabelecer os parâmetros dentro dos quais os líbios terão a possibilidade de determinar o seu destino e, mais uma vez portanto, constrangerão o espaço para os africanos exercerem o seu direito à auto-determinação.

    Como africanos baseámos o nosso futuro como actores relevantes num sistema equitativo de relações internacionais na expectativa de que as Nações Unidas na verdade serviriam como “fundamento da nova ordem mundial”.

    O Relatório ICG a que nos referimos diz:

    “A perspectiva para a Líbia, mas também para a África do Norte como um todo, é cada vez mais agourenta, a menos que algum caminho possa ser encontrado para induzir os dois lados no conflito armado a negociarem um compromisso permitindo uma transição ordeira para um estado pós Kadafi, pós Jamahiriya que tenha legitimidade aos olhos do povo líbio. Uma ruptura política é de longo o melhor caminho de saída da custosa situação criada pelo impasse militar…”

    Quando Richard Perle escreveu em 2003 acerca do “fracasso abjecto das Nações Unidas”, ele estava a lamentar a recusa da ONU em submeter-se ao ditado da única super-potência mundial, os EUA.

    A ONU tomou esta posição porque era consciente e era inspirada pela sua obrigação de actuar como uma verdadeira representante de todos os povos do mundo, consistente com as palavras de abertura da Carta da ONU – “Nós os povos nas Nações Unidas…”

    Contudo, tragicamente, oito anos depois, em 2011, o Conselho de Segurança da ONU abandonou seu compromisso com esta perspectiva.

    Punido pela humilhante experiência de 2003, quando os EUA demonstraram que poder é direito, ele decidiu que era mais conveniente submeter-se às exigências do poderosos ao invés de honrar sua obrigação de respeitar o imperativo de defender a vontade dos povos, incluindo as nações africanas.

    Dessa forma ele comunicou a mensagem de que se tornou não mais do que um instrumento nas mãos e ao serviço dos mais poderosos dentro do sistema de relações internacionais e portanto do processo vital do ordenamento pacífico dos assuntos humanos.

    Como africanos não temos opção excepto defender e reafirmar nosso direito e dever de determinar nosso destino na Líbia e por toda a parte no nosso continente.

    Pedimos que todos os governos, por toda a parte do mundo, incluindo a África, os quais esperam respeito genuíno pelos governados, tais como nós, actuem imediatamente para afirmar “o direito pelo qual todas as nações podem viver em dignidade”.

    Pedimos que:

    * a guerra de agressão da NATO na Líbia cesse imediatamente
    * a UE seja apoiada para implementar seu Plano para ajudar o povo líbio a alcançar paz, democracia, prosperidade partilhada e reconciliação nacional numa Líbia unida
    * o Conselho de Segurança da ONU deve actuar imediatamente para desempenhar suas responsabilidades tal como definidas na Carta da ONU.

    Aqueles que hoje trouxeram uma chuva mortal de bombas à Líbia não deveriam iludir-se a si próprios acreditando que o silêncio aparente dos milhões de africanos significa a aprovação da África à campanha de morte, destruição e dominação que tal chuva representa.

    Estamos confiantes em que amanhã emergiremos vitoriosos, apesar da busca de poder mortal dos mais poderosos exércitos do mundo.

    A resposta que devemos dar na prática, e como africanos, é – quando e de que modos actuaremos resolutamente e significativamente para defender o direito dos africanos da Líbia a decidirem seu futuro e portanto o direito e o dever de todos os africanos a determinarem o seu destino.

    O Roteiro da União Africana permanece o único caminho de paz para o povo da Líbia.

    Esta carta aberta foi publicada primeiramente pelo Pambazuka News em 09/Agosto/2011. Cf. Peace and Security Council of the African Union, ” AU Calls for Inclusive Transitional Government in Libya ” (MRZine, 26 August 2011).

    O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/2011/libya270811.html

    Esta carta aberta encontra-se em http://resistir.info/ .

  12. cid simoes diz:

    O Vasco Pulido Valente tem um cronista à sua altura. Linguagem sibilina e despudorada. Um vómito!

  13. Kid Karocho diz:

    Ricardo, está na hora de te mudares para paragens onde tua objectividade, inteligência e sanidade sejam apreciadas.
    As viúvas do Kadaffi residentes, não admitem a mínima crítica ao seu ídolo.
    A sua tolerância só abranje os camaradas que colaboram no fabrico da propaganda do governo de direita… mas só se, nas horas vagas, continuarem leais ao Kim Jong Il, Kadaffi e quejandos…

    • Leo diz:

      Mais uma vez refugia-se na graçola foleira porque não tem como argumentar.

      Mas o que é certo é que há quase seis meses Obama proclamava que a coisa se resolvia em dias, não semanas e Srkozy garantia que em 15 dias estava tudo resolvido.

      E já entrámos no 6º mês e agora dizem que ainda precisam de mais 10 dias de bombardeamentos da NATO sobre Sirte.

      E continuam esta resistência mesmo não havendo. Imagine só se houvesse heróis…

      • Kid Karocho diz:

        Fala-se em Viúvas de Kadaffi e vejam só quem aparece…
        Não falta muito para o povo Líbio ter um herói ao seu lado, quando o Leo largar o sofá pegar numa AK-47 e se puser a caminho! 🙂

      • Carlos Vidal diz:

        Pois é Leo, os bombardeamentos sobre Sirte farão nascer uma cidade nova, a exSirte.

  14. ezequiel diz:

    Leo, sugiro que publiques a tua magnum opus no Avante!
    Assim pelo menos sabes que serás lido.

    Tentai ser sucincto. Eu n tenho tempo para ler este sermão.

  15. ezequiel diz:

    Caro Sr Prof Vidal,

    Eu adoro estudar os extremos mas não penso “transferir-me” para parte alguma.
    Estou bem onde estou, obrigadito.

    Leo,

    Lamento mas as minhas graçolas foleiras são uma forma perfeitamente natural de evitar responder às suas pungentes exortações. Fiquei a saber que a “Líbia é um país africano”, por ex. Sempre a aprender, portanto.

    • Leo diz:

      Basta olhar para o mapa que se vê que a Líbia é um país africano. E acho piada ter enfiado o barrete do carocho.

  16. Justiniano diz:

    Isto é que, verdadeiramente, me causa aversão “…à excepção do povo inocente…” este é, sem dúvida, o mais obtuso expediente do pior “jogo de linguagem”!! Inocente pode ser aquele indivíduo ali mas nunca uma turba com o nome de povo!!

    • Carlos Vidal diz:

      É deveras problemático este uso da palavra “povo”, claro.
      O líder e o “seu povo”, o “povo inocente”, “o povo decidiu”, etc.
      Trata-se, como eu venho dizendo desde há muito, de usar a democracia como estratégia de amansamento da espécie, dos indivíduos, de silenciamento: porque “o povo decidiu”, porque o líder disparou sobre “o próprio povo”, sobre “o seu povo”.
      Repito, quando a NATO massacra é “dano colateral”; Kadaffi é sobre “o próprio povo”. Complicado?

      • Justiniano diz:

        Caro Vidal, no jogo de linguagem e comunicação, a expressão “povo inocente” e outras coisas parecidas são uma linguagem esconsa e aputalhada. Dentre todas as expressões aí possíveis a “povo inocente” é sem dúvida a mais abominável uma vez que subverte aquele, verdadeiramente, inocente, transportando a ideia de inocencia para as categorias abstractas “colectivizáveis”!! Equiparando tudo!! No fundo é dizer que todos são dignos de misericórdia e merecedores de cuidado na medida de tudo e de nada, sem mais e por serem “povo”!!

        • Justiniano diz:

          Especialmente quando a expressão trai o título do post e a ideia que supostamente queria fazer passar…estranha, esta trilateral (kadaffi, cnt e povo)!!

  17. D diz:

    Já cá faltava o sionismo como explicação para tudo. Afinal o mundo é simples: a culpa é sempre de Israel. Mas uma coisa é certa, Pedro Pousada, você veio ter ao blog certo. Felizmente, você, o Renato e o Carlos Vidal são completamente inofensivos. Uns revolucionários de peluche. Que fosso gigantesco entre a agressividade das palavras e a impotência de facto! Sentadinhos em casa a odiar os sionistas: é o vosso contributo para a emancipação da humanidade. Muito obrigado. Belos herdeiros de Lenin e Stalin. Parafraseando o Tio José: quantas divisões blindadas têm vocês?

    • Pedro Pousada diz:

      a agressividade das palavras não é impotente pois chatearam-te ao ponto que tiveste que responder… quanto a colares Israel ao sionismo, que eu saiba ainda há comunas na tua Israel e Àrabes, e pessoas de esquerda que não se revêem no sionismo logo quem está a explicar tudo com o sionsimo és tu…

  18. Hans diz:

    Repito, quando a NATO massacra é “dano colateral”; Kadaffi é sobre “o próprio povo”. Complicado?
    >>>>><<<<<<

    Complicado qual quê? É isso sim. A NATO, sofisticada, escolhe alvos seletivamente. Se acerta em civis é porque errou. NATO sabe que seus publicos democraticos podem berrar na rua e protestar em parlamento. Pode custar caro. A NATO liberta os povos oprimidos dos tiranos opressores.

    • Leo diz:

      Resumindo: a NATO tem licença para assassinar, certo?

    • Kid Karocho diz:

      “A NATO liberta os povos oprimidos dos tiranos opressores”
      Santa ingenuidade! Há mesmo quem acredite nisto?
      É a imagem ao espelho dos apologistas que tomam Kadaffi pelo Pai do Povos Árabes.
      Acreditam em “Uncle Sam & Apple Pie”? Alistem-se, porra!

    • De diz:

      Hans escolhe alvos sofisticados?
      Hans apoia a Nato?
      Hans apoia os criminosos de guerra?
      Hans anda a fazer o tirocínio como voluntário para sargento -mor da Nato?
      Hans arregimenta voluntários como mercenários da Nato?
      A Nato liberta os povos oprimidos ao sabor das balas perdidas e dos danos colaterais?
      Vi uma figura parecida com Hans neste documentário sobre crimes de guerra cometidos pelos amigos de Hans.Era um pulha de um oficial da Nato a tentar negar o massacre.

      http://tv.globalresearch.ca/2011/08/make-no-mistake-nato-committed-war-crimes-libya

      Hans é alguém sofisticado.Um sofisticado amante da Nato.Um sofisticado cúmplice de crimes de guerra
      Parece que Donald Rumsfeld era também assim um sofisticado na senda do Hans.Também pregava a sofisticação das bombas americanas e acusava o império do mal de oprimir os povos “oprimidos”.
      Tornou-se um traste e um criminoso de guerra,denunciado até pelos seus colegas.Janis Karpinski, ex-general, responsável pela prisão iraquiana de Abu Ghraib entre julho e novembro de 2003, afirmou que foi o ex-secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, quem autorizou as torturas de presos no Iraque.

      Mas porque me lembrei deste Rumsfeld agora?

  19. Elypse diz:

    Com tanta libertação, não há como não chegar à seguinte conclusão: é urgente libertarmo-nos do que nos tem “libertado”.

    • Leo diz:

      Uma coisa é não ligar à história, fazer de fiascos sucessos e mesmo não ligar à realidade observável.

      Mas o que o Ocidente está a fazer na Líbia é desenvolver uma guerra em significados. Quando se desenvolve uma guerra ao “terrorismo” promovendo os seus próprios terroristas como “combatentes da liberdade”; quando “democracia” significa seja o que for que os burocratas no terreno declararem o que isso significa a qualquer altura, as coisas passaram para além do surreal.

      Este Verão de mentiras está prestes a acabar. O Inverno vem aí.

  20. ezequiel diz:

    O Inverno vem aí.

    Estas frases repletas de dramatismo histórico aquecem-me a alma. Gaddafi será atingido na meloa por um P flamejante. 🙂

    • De diz:

      Há qualquer coisa de …tonto,para usar uma palavra meiga neste comentário de Ezequiel.
      Não,não é o seu esquentador da alma.Cada qual aquece-se como quiser ou conseguir
      É aquele comentário sobre a meloa e o P flamejante a que se segue a face sorridente.

      De como uma face sorridente se torna néscia e transforma um vulgar comentário num indíce revelador do que é Ezequiel.
      Na Líbia,nada mas mesmo nada permite comentários Hollywoodescos que Ezequiel tanto preza.
      Sabe-se porquê.
      O tal sorriso esconde outras coisas.Bem mais sinistras e tenebrosas

  21. José diz:

    “Uma coisa é não ligar à história, fazer de fiascos sucessos e mesmo não ligar à realidade observável.”

    Frase fantástica, sobretudo dita por quem tem saudades do mundo pré-1989!

    • Leo diz:

      Se pensasse José, veria que isto em menos de duas décadas já aconteceu na Jugoslávia, Afeganistão, Iraque (história contemporânea), tem as “democracias” do Kosovo, Afeganistão e Iraque como exemplos de “sucesso e tem a encenação da libertação da Praça Verde recriada num estúdio televisivo do Qatar que venderam ao mundo versus os cadáveres que juncam Tripoli que comprova o seu desprezo pela realidade observável.

      Continue pois a alegrar-se com o seu mundo pós-1989 e continue a acreditar nas encenações hollywoodescas feitas em Qatar, O Verão das mentiras está mesmo a acabar e receio que venha aí um inverno rigoroso. Mas isto sou eu que me esforço por ver o que se está a passar.

      • José diz:

        A Jugoslávia era, realmente um país de tanto sucesso que, na primeira oportunidade, se desfez, qual castelo de cartas.
        E, Leo, continuo sim, a alegrar-me com o mundo pós-1989.
        Está longe, muito longe, de ser bom, mas o anterior era pior.

        • Vasco diz:

          Era? Uma seca, realmente. Não havia guerras por «dá cá aquela palha», nem desemprego em massa nos países do Leste, com os mínimos direitos garantidos… Realmente, uma chatice esse mundo em que nos coube viver.

          • José diz:

            Que saudades do tempo em que meia Europa estava atrás do muro, sem liberdade de expressão, sem liberdade de movimentos, não é, Vasco?
            Chato que esses povos não tenham percebido o paraíso onde viviam e, na primeira oportunidade, desempararam a loja aos seus governantes…

          • ani diz:

            Que “… mínimos direitos garantidos…” eram esses?

        • Pedro Pousada diz:

          Se os nacionalistas bascos, catalães e galegos tivessem o apoio financeiro da Alemanha e dos EUA gostava ver como é que a monarquia espanhola se aguentava.

        • Leo diz:

          “A Jugoslávia era, realmente um país de tanto sucesso que, na primeira oportunidade, se desfez, qual castelo de cartas.” ???

          Na primeira oportunidade? Implicou os esforços de toda a Europa, USA e Canadá. E anos de guerra. E 80 dias de bombardeamentos aéreos, os primeiros na Europa desde a II Guerra. De toda a NATO. Até com Portugal a ajudar.

          E ainda hoje andam por lá polícias e militares portugueses e de toda a NATO. Mais de 20 anos depois. Tem sido de facto um caso difícil de resolver. Se é que alguma vez se resolverão os casos Bósnia e Kosovo. Mesmo agora o actual presidente da Sérvia, protegido do Ocidente, mandou a Merkel passear.

          Mas foi assim que os USA conseguiram mais bases militares na Europa Central, 50 anos depois da II Grande Guerra.

  22. Boldino diz:

    Talvez isto ajude a explicar melhor as coisas.

    http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20110829/150372636.html

  23. ezequiel diz:

    “O tal sorriso esconde outras coisas. Bem mais sinistras e tenebrosas.”

    Sinto-me como que transplantado para uma realidade imaginada por outro. Sensação estranha. Até sinto medo e tudo. Tenebrosos e sinistros!! Uauu. Twilight Zone.

    There’s a boggey man in town. Be scared. Be very scared. Im gonna hunt Gaddafi.

    Ouça, De, já chega de melodrama…+ 1 semana de melodrama e eu converto-me à fé….quer que lhe diga o quê?? que sentiria pena se um ditador brutal fosse eliminado por um P (de Palavra) flamejante….? Nunca tive jeito para as metáforas. É uma lástima. Mas, regressando ao P, diria, de peito aberto, que estou-me a borrifar para o Gaddafi e a para a sua trupe mercenária apesar de saber que o que virá a seguir será mais do mesmo, devidamente camuflado pela cordialidade democrática etc. Não me chateie a meloa.

    Estava a gozar com o melo drama do “Inverno vem aí.” (alto efeito cinematográfico, confesso!!)

    The winter is coming. (liindo)

    Indeed. E o Gaddafi foi para a Argélia. Deu de frosques.

    Um oki doki tenebroso e sinistro para V Exa. LOL 🙂

    • Leo diz:

      Desconhecer a geografia, vá que não vá. Agora desconhecer as estações do ano já é demasiada tolice, mesmo para um entusiasta do mundo pós-1989. Há gente que não cresce mesmo e que toma como realidades as fantasias hollywoodescas.

    • De diz:

      Acha mesmo que é melodrama?
      Hummm
      Chateie a meloa?
      Hmmm
      Lastimo,mas quando vejo pequenos comentários a roçar a boçalidade ,reajo.A letra de forma tem destas coisas.Os disparates públicos arriscam-se a ser
      publicamente criticados
      Se não forem disparates para Ezequiel,tanto melhor para ele
      Agora ezequiel não me apoquente com a apoquentação da sua meloa
      Compreendido?

      Quanto ao seu “peito aberto”…humm..francamente ,estou-me a borrifar para ele
      Valeu?

      • Des diz:

        Este De só sabe insultar? Está ao serviço de alguém aqui no 5dias contra quem não gostam?
        É que o tolo nada escreve que não sejam insultos ou panegíricos?

  24. Leo diz:

    Como a al-Qaeda ganhou o domínio de Tripoli
    por Pepe Escobar [*]

    Seu nome é Abdelhakim Belhaj. Alguns no Médio Oriente podem ter ouvido falar dele, mas poucos no ocidente o conhecem.

    Já é tempo de saber. Porque a história de como um activo da al-Qaeda acabou por ser o principal comandante militar líbio na ainda devastada Tripoli liga-se ao estilhaçar – mais uma vez – dessa floresta de enganos que é a “guerra ao terror”, bem como à profundamente comprometedora propaganda construída com todo o cuidado pela NATO de uma intervenção “humanitária” na Líbia.

    A fortaleza de Muammar Gaddafi, Bab-al-Aziziyah, foi essencialmente invadida e conquistada pelos homens de Belhaj – que estavam na vanguarda de uma milícia de bérberes das montanhas a Sudoeste de Tripoli. A milícia é a chamada Brigada de Tripoli, treinada em segredo durante dois meses pelas Forças Especiais dos EUA. Ela revelou-se como mais efectiva milícia dos rebeldes em seis meses de guerra tribal/civil.

    Terça-feira passada Belhaj já estava a regozijar-se acerca da batalha vencida, com as forças de Gaddafi a escaparem “como ratos” (note-se que é a mesma metáfora utilizada pelo próprio Gaddafi para designar os rebeldes).

    Abdelhakim Belhaj, também conhecido como Abu Abdallah al-Sadek, é um jihadista líbio. Nascido em Maio de 1966, ele aperfeiçoou as suas qualificações na década de 1980 com os mujahideen no Afeganistão.
    Ele é o fundador do Libyan Islamic Fighting Group (LIFG) e é de facto emir – com Khaled Chrif e Sami Saadi como seus representantes. Após a tomada do poder em Cabul, em 1966, o LIFG manteve dois campos de treino no Afeganistão, um deles a 30 quilómetros a Norte de Cabul – dirigido por Abu Yahya – era estritamente para jihadis ligados à al-Qaeda.

    Após o 11 de Setembro, Belhaj transferiu-se para o Paquistão e também para o Iraque, onde auxiliou nada menos do que o ultra-asqueroso Abu Musab al-Zarqawi – tudo isto antes de a al-Qaeda no Iraque prometer lealdade a Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri e turbo-carregar suas práticas pavorosas.

    No Iraque, os líbios constituíram o maior contingente de sunitas estrangeiros da jihadi, perdendo apenas para os sauditas. Além disso, os jihadis líbios sempre tiveram super-estrelas nos escalões de topo da al-Qaeda “histórica” – Abu Faraj al-Libi (comandante militar até a sua prisão em 2005, agora mofando como um dos 16 detidos de alto valor no centro de detenção estado-unidense em Guantanamo) até Abu al-Laith al-Libi (outro comandante militar, morto no Paquistão no principio de 2008).

    O momento de uma “rendição” extraordinária

    O LIFG esteve nos radares da Central Intelligence Agency dos EUA desde o 11/Set. Em 2003, Belhaj foi finalmente preso na Malásia – e então transferido, estilo “rendição” extraordinária, para uma prisão secreta em Bangkok e devidamente torturado.

    Em 2004, os americanos decidiram enviá-lo como uma prenda à inteligência líbia – até que foi libertado pelo regime Gaddafi em Março de 2010, juntamente com outros 211 “terroristas”, num golpe de relações públicas anunciado com grandes fanfarras.

    O orquestrador foi nada menos do que Saif Islam al-Gaddafi – a face modernizadora/London School of Economicas do regime. Os líderes do LIFG – Belhaj e seus representantes Chrif e Saadi – emitiram uma confissão de 417 páginas alcunhada de “estudos correctivos” no qual declaravam ultrapassada (e ilegal) a jihad contra Gaddafi, antes de serem finalmente libertados.

    Um relato fascinante de todo o processo pode ser visto numa reportagem chamada “Combatendo o terrorismo na Líbia através do diálogo e da reintegração” (“Combating Terrorism in Libya through Dialogue and Reintegration”) [1] . É de notar que os autores, “peritos” em terrorismo com base em Singapura que foram recebidos pelo regime em jantares regados a vinho, exprimim a “mais profunda apreciação de Saif al-Islam Gaddafi e do Gaddafi International Charity and Development Foundation por tornarem possível esta visita”.

    Crucialmente, ainda em 2007, o então número dois da al-Qaeda, Zawahiri, anunciou oficialmente a fusão entre o LIFG e al-Qaeda no Islamic Mahgreb (AQIM). Assim, para todas as finalidades práticas, desde então o LIFG/AQIM uma e a mesma entidade – e Belhaj era/é seu emir.

    Em 2007, a LIFG estava a apelar a uma jihad contra Gaddafi e também contra os EUA e variados “infiéis” ocidentais.

    Avançou rapidamente em Fevereiro último quando, como homem livre, Belhaj decidiu reverter ao modo jihad e alinhar suas forças com o engendrado levantamento na Cirenaica.

    Toda agência de inteligência nos EUA, Europa e mundo árabe sabe de onde ele vem. Ele já garantiu na Líbia que ele próprio e a sua milícia só ficarão satisfeitos com a lei da sharia.

    Não há nada “pró democracia” quanto a isto – nem com qualquer esforço de imaginação. E um tal activo não podia ser desprendido da guerra NATO só porque ele não gosta muito de “infiéis”.

    A morte em Julho do comandante militar rebelde, general Abdel Fattah Younis – pelos próprios rebeldes – parece apontar a Belhaj ou pelo menos a pessoas muito próximas dele.

    É essencial saber que Younis – antes de desertar do regime – fora encarregado das forças especiais da Líbia que combateram ferozmente o LIFG na Cirenaica entre 1990 e 1995.

    O Conselho Nacional de Transição (CNT), segundo um dos seus membros, Ali Tarhouni, tem estado a propalar que Younis foi morto por uma brigada duvidosa conhecida como Obaida ibn Jarrah (um dos companheiros do Profeta Maomé). Mas a dita brigada agora parece ter-se dissolvido no ar.

    Cale a boca ou corto-lhe a cabeça

    Não por acaso, todos os principais comandantes rebeldes são LIFG, desde Belhaj em Tripoli a um Ismael as-Salabi em Bengazi e um Abdelhakim al-Assadi em Derna, para não mencionar um activo chave, Ali Salabi, que tem assento no núcleo do CNT. Foi Salabi que negociou com Saif al-Islam Gaddafi o “fim” da jihad do LIFG, assegurando então o brilhante futuro destes renascidos “combatentes da liberdade”.

    Não é preciso uma bola de cristal para descrever as consequências de o LIFG/AQIM – tendo conquistado poder militar e estando entre os “vencedores” da guerra – não estar nem remotamente interessado em abrir mão do controle só para agradar os caprichos da NATO.

    Enquanto isso, em meio ao caos da guerra, não está claro se Gaddafi está a planear emboscar a brigada de Tripoli na guerra urbana; ou forçar o grosso das milícias rebeldes a entrar nas enormes áreas tribais dos Warfallah.
    A esposa de Gaddafi pertence aos Warfallah, a maior tribo da Líbia, com mais de 1 milhão de pessoas e 54 sub-tribos. O que se diz à boca pequena em Bruxelas é que a NATO espera que Gaddafi combata durante meses, se não anos. Daí o prémio estilo Texas-George W. Bush pela sua cabeça e o desesperado retorno ao plano A da NATO, o qual sempre foi de pô-lo para fora.

    A Líbia pode agora estar a enfrentar o espectro de uma guerrilha Hidra de duas cabeças; forças de Gaddafi contra um fraco governo central do CNT e botas da NATO sobre o terreno – e a nebulosa LIFG/AQIM numa jihad contra a NATO (se forem marginalizados do poder).

    Gaddafi pode ser uma relíquia ditatorial do passado, mas não se monopoliza poder durante quatro décadas por nada e sem os seus serviços de inteligência aprenderem uma ou duas coisas.

    Desde o princípio, Gaddafi disse que isto era uma operação apoiada pelo estrangeiro e al-Qaeda. Ele estava certo (embora se tenha esquecido de dizer que isto era acima de tudo uma guerra do neo-napoleonico presidente francês Nicolas Sarkozy, mas isso é outra história).

    Ele também disse que isto era um prelúdio para uma ocupação estrangeira cujo objectivo era privatizar e apossar-se dos recursos naturais da Líbia. Ele pode – mais uma vez – estar certo.

    Os “peritos” de Singapura que louvaram a decisão do regime Gaddafi de libertar os jihadis do LIFG qualificaram-na como “uma estratégia necessária para minimizar a ameaça colocada à Líbia”.

    Agora, o LIFG/AQIM está finalmente pronto para exercer suas opções como uma “força política indígena”.

    Dez anos após o 11/Set, é difícil não imaginar uma certa caveira decomposta no fundo do Mar Arábico a rir descaradamente do reino que vem aí.
    [1] Clique aqui: http://www.pvtr.org/pdf/Report/RSIS_Libya.pdf

    [*] Autor de 21 O Século Da Ásia (Nimble Books, 2009), Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007) e Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge . Seu último livro é Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). Email: pepeasia@nullyahoo.com . Para acompanhar o seu artigos sobre a Grande Revolta Árabe, clique aqui .

    O original encontra-se em http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MH30Ak01.html

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  25. Elypse diz:

    Contribuindo, até porque: gaivotas no mar, tempestade no ar (para rimar):

    As culpas que o Médio Oriente não tem

    Andamos agora a ouvir falar sobre as guerras e conflitos israelo-palestinos que se desenrolam há mais de cinquenta anos, sem que ninguém conte a história de como tudo começou.

    A «nossa» história, que é a deles, chega-nos através da boca e das canetas de um “exército” de copiadores de terceira categoria, e de plagiadores de péssima qualidade que só não falam Inglês, com sotaque americano ou britânico, para terem a certeza e a inocência de que a história foi bem contada.

    Ninguém fala – ou se fala não reconhece – do sofrimento que se tem ao ser-se expulso da nossa casa, do afecto do nosso bairro, da nossa cidade “comprada” e construída pelos nossos antepassados, para sermos, pelo sistema dos privados, forçados a viver no oásis demagógico que é o deserto – entenda-se, é seco, árido e civilizadamente edificado pela nobreza capitalista, com tendas e jaulas de cimento… Saberão o que é uma mãe ter que percorrer trezentos quilómetros com o filho gravemente doente, com a incerteza de ser recebida num hospital?

    Até quando este mundo de néon, de majestosos palcos, de soberbas tecnologias, capazes de se auto-destruírem, irá calar a verdade?

    Porquê este massacre audiovisual, enganador, sobre a Faixa de Gaza? Meia dúzia de igrejas e sinagogas?…

    E Bush e Sharon? E o Iraque, o Irão, a China, o Afeganistão… Palestina?

    Alguém me explica porque é que uns são expulsos de onde há água, e outros podem vir da Bielo-Rússia ocupar a casa dos “meus” avós? Porque é que não nos aparecem os rios no mapa de Israel, que a televisão tem a gentileza de mostrar? Porque é que temos tanto medo do bombista-suicida e não temos medo daqueles que ambicionam viver cem, duzentos anos?

    Quem é que tem a amabilidade e a coragem de me informar, ou de deixar dizer, quantos palestinianos “morrem” por cada israelita?

    Porquê tanta preocupação com o neo-nazismo na Europa, quando apoiamos, activa e inactivamente, os neo-nazis do Oriente? Quando é que um telejornal/imprensa, substituirá as imagens das torres a ruir e das bombas suicidas, pelas imagens, que não existem, por terem sido confiscadas, das razias ao Iraque, ex-Jugoslávia, Afeganistão, e dos massacres de pelo menos oito mil palestinianos, nas cidades de refugiados, Saabra e Shatilla, sobre a “responsabilidade” do então ministro da defesa Ariel Sharon?

    Qual é a função e a ética dos jornalistas, e o que é o jornalismo?

    Por quanto mais tempo admitiremos que assassinos se expressem nos meios de divulgação, expondo e sobrepondo com os seus sorrisos o choro, o sangue e a desgraça de milhões de inocentes?

    A que corpo pertence as duas mãos que abraçam à esquerda e à direita a fonte do movimento da nossa economia?

    Gás… Petróleo? De um lado está Israel, do outro o Afeganistão, mais a norte a Sibéria, a sul o mar… de onde vêm as mãos sangrentas que conspurcam o berço da humanidade?

    Há que juntarmos às valas comuns, jamais conhecidas, a vala comum das nossas consciências. Em que consiste este “novo” delimitar do Estado Palestiniano, senão para serenar a sublevação, irreversível(?!), de todo um povo, a fim de que as mãos possam, uma vez mais, “investir” no Iraque? Para quando o Irão? Para quando a China?

    Basta de intenções demagógicas, de esquizofrenias imperialistas, cujo objectivo, para além de temporário, será sempre irreal.

    Em que grau de acidez/estupidez o sangue dos palestinos, e de tantos outros, difere do que corre nas veias dos israelitas, britânicos e norte-americanos?

    in “A Capital”, a 12/04/2002 por Luís F. Simões (Elypse)

    Apita o comboio… lá, lá, lá…

    Aceite a diferença, porque ela existe

    Sentei-me confortavelmente à mesa. Fito a televisão, que mente (e por isso a mantenho acesa!), ao mesmo tempo que saboreio um delicioso prato de comida.
    Sou um europeu da classe média (supondo)

    Eis algumas das minhas preocupações: ver se arranjo bilhete para o filme do momento. Juntar um pouco mais do que é habitual para ter umas férias em grande… Se me conter um pouco nas deslocações desnecessárias com o carro talvez possa adquirir aqueles belos sapatos de 120 euros já para a semana…

    Pouco depois de todas estas masturbações desperto: Foda-se!, aqueles filhos da puta da Al-Qaeda mataram outra vez inocentes. Actuam sempre sem escrúpulos e de forma cobarde… Esses islâmicos são uns invejosos de merda, não podem ver ninguém bem…

    Moral: o europeu de classe média, e não só, não tem, não quer ter, consciência da sua inconsciência. Julga que tem o que tem porque é superior (mais inteligente e civilizado que os outros). O europeu de classe média, e não só, não repara que o que tem se deve, e deveu, às chacinas, pilhagens, invasões ilegais que fazem, e fizeram, aos países que se encontram na miséria. Não percebem que os estranhos dirigentes que ascendem ao poder nesses países são lá colocados por «nós», para que os saques se continuem a perpetuar de forma subtil. Depois surpreendem-se e escandalizam-se por observar duas torrezitas a ruir com meia dúzia de ianques corruptos a que quiseram chamar de inocentes, esquecendo-se que os inocentes eram os milhares de sem-abrigo que transitavam àquela hora nas imediações de tão hediondos edifícios.
    Sim, o europeu de classe média, e não só, horroriza-se ao observar uns comboios que precisavam de ser remodelados a arrebentar – horroriza-se com tão pouco.

    Será que é preciso acrescentar mais para deduzir que um europeu de classe média, e não só, tem mais é que ir com o car****?!

    Não sou mau – até vos confesso que sou um anjo se comparado com assassinos como Bush, Blair e Sharon -, porém, como sou consciente não posso escrever de outra maneira. Lamento se ofendo alguns. Como dizia o da ave:

    “vai vai disse a ave
    porque as folhas estão cheias de crianças
    que se escondem excitadamente escondendo o riso
    vai, vai… vai disse a ave
    o género humano não pode suportar tanta realidade”

    Não sou pessimista, sou realista… como toda a droga o terrorismo também vai continuar a aumentar. (vejam a Nato na Líbia)

    Assim sendo, se entretanto houver um ataque em Portugal e eu for uma das «vítimas» (entre aspas porque não existem vítimas entre nós), por favor, não chorem. Acendam uma vela, se quiserem, e sorriam… Sorriam porque será sempre por uma nobre causa.

    in “A Capital”, em 20/03/2004 – por Luís F. Simões (Elypse)

    Tão actual – intemporal…

  26. ezequiel diz:

    zeque? está a querer insultar-me Prof Vidal??
    eu arranjo-lhe um nick foleirote, rapidinho.
    é zeke, ezequiel, |Y| ou Z…escolha um
    seja simpático. nunca toquei no seu nome. tome juízo.

  27. Vasco diz:

    Aconselho a leitura dos artigos publicados em globalresearch.ca.

  28. Hans diz:

    Leo,
    Bom artigo de Pepe Escobar. Obrigada.
    Vocês não conseguem aceitar esta vitória da NATO na Líbia de forma alguma.

    • Leo diz:

      Vá lá saiu-se com uma por enquanto meia verdade.

      É que de facto foi uma guerra da NATO na Líbia, quanto a “vitória” é insensato vender a pele do lobo antes de o esfolar.

      Presumo que qualquer país soberano e independente – africano, asiático, europeu – não aceita guerras da NATO e muito menos “vitórias” da NATO. E é por isso mesmo que continuam a resistir no Afeganistão dez anos depois e no Iraque desde há oito anos. E desde há seis meses na Líbia. Isto é só o princípio.

    • De diz:

      Hans diz que há quem não queira aceitar a vitória da Nato
      Sem o querer(ou querendo-o vem dar no mesmo),Hans revela afinal que já não se trata de uma vitória dos “rebeldes”
      Apenas e tão só da Nato
      (o que já sabíamos)
      Apoiada entre outros pelos fundamentalistas islâmicos
      (o que também já sabíamos…mas que Hans se esqueceu de dar o devido relevo)
      A vitória da Nato?
      Humm
      Tal como foi no Afeganistão?
      Onde se arrisca a uma humilhante derrota?
      Essa de pensarem que o futuro está já decidido tem coisas
      (Faz lembrar o “fim da história”…lol)

    • Pedro Pousada diz:

      “Vitória” de Pirro, o pós-vitória é que conta e esse…

  29. ezequiel diz:

    Comparar a Líbia com o Af e Iraque não faz qq sentido.

    A NATO NÃO vai ocupar a Líbia. Evitarão, por esta razão, os erros do Af e do Iraque. Os Franceses e os Brits foram muito inteligentes. Não se trata de uma ocupação militar. Os poucos soldados ocidentais que lá estão são forças especiais. Era isso que deveriam ter feito no Iraque e no Afeganistão. Pequenas unidades de forças especiais a apoiar insurgentes. Barato e eficaz. 🙂

    Os fundamentalistas islâmicos participaram na rebelião mas são, por ora, insignificantes.

    • Leo diz:

      Faz todo o sentido.

      O pouco que se vai conhecendo já dá para perceber que o molde é o mesmo.

      Eu bem sei que por cá se limitam a transmitir a agenda do Departamento de Estado. Mas quem se interessa vai-se apercebendo da realidade no terreno.

      Li hoje que até a histórica igreja de São Jorge, a mais antiga igreja ortodoxa no norte de África, e que data de 1647 foi saqueada pelos ratos da NATO.

      Disse o presidente da comunidade grega, Dimitris Anastassiou que está na Grécia desde o final de Junho, e esteve na Líbia desde 1991: “Tenho o coração partido pelo que está a acontecer na Líbia, este lindo país que foi destruído e a este povo conhecido pela sua hospitalidade. Fiquei triste ao saber da notícia. Os ladrões roubaram a estátua do santo que eu levara do Monte Athos. Velhos missais, cálices, anjos, queimadores de incenso, um dos quais oferecido pelo Patriarca Bartolomeu.” Os que roubaram os objectos sagrados contactaram o presidente da comunidade e pediram dinheiro em troca da devolução. O Sr. Anastassiou fez queixa à polícia, mas como as coisas estão, ninguém tratará do assunto, queixa-se.

      Então não aconteceu exactamente o mesmo à comunidade católica de Bagdade logo depois da invasão? Claro que aconteceu, é público e notório.

      E o que dizer da falta de água e dos cortes de electricidade em Tripoli? É também público e notório que no Iraque, oito anos depois, esses serviços nem sequer ainda atingiram o nível antes da invasão – apesar de uma dezena de anos de duríssimas sanções!

      Sim, Tripoli, uma cidade com dois milhões de habitantes, desde que os ratos da NATO lá entraram está sem água e sem electricidade, exactamente como Bagdade.

    • Niet diz:

      O post do R. S. Pinto é muito inteligente, livre e certeiro. Só agora dei por ele…O bom do Ezequiel lá tem que levar a sua cruz ao Calvário…Prezo-lhe o gosto! Ainda não leu o último Medhi Belhaj Kacem: o grande panfleto contra o Badiou?!? ” Como o descobriu Hegel, é a guerra que ” funda ” o Homem propriamente dito. A ” paz ” não tem sentido senão na sequência de um muito longo processo histórico , onde o Estado acaba por ser absolutizado à escala mundial, e onde o Direito acaba por ser plenamente realizado. Aqueles que ” se riem ” do chamado” optimismo” de Hegel fariam melhor em espreitar lá pelo menos duas vezes: por um lado, este não esconde em parte alguma, contra as boas intenções com peras e patilhas da ” paz perpétua ” à moda de Kant, que o preço dessa ” paz perpétua ” será constituido ainda por muito tempo por um séquito de um grande número de guerras; por outro lado, é suficiente examinar o processo efectivo do Mundo onde nós habitamos. Quem lê seriamente e à letra a ” A Fenomenologia do Espírito” sabe bem que se trata da discrição mais horrivel e sanguinária jamais realizada da História da Humanidade; Os cento e 20 dias de Sodoma são, em comparação, uma espécie de cerveja de mistura muito leve “., In “Après Badiou”,( capitulo., Le sinthome politique).Éditions Grasset. Niet

      • Carlos Vidal diz:

        Que estupidez.
        A toda esta papa, há muito, chama Badiou de “niilismo activo”.
        O que é que este tipo vem aqui fazer?
        (Punhetas com Kacem, foda-se.)

        • Carlos Vidal diz:

          E já que tenho de aturar este pateta, o que é esta merda????

          “(…) bem sabes que vamos ter pela frente um livro de confissões do C. Vidal, anunciado pela Bertrand. ”

          ????

  30. Niet diz:

    O sr. C. Vidal padece de misantropia psicológica primária!
    E dobre a língua,pois mostra em escala ascendente que nem para
    algoz estalinista pode servir… Quem ri por último… Niet

    • Carlos Vidal diz:

      porque dei, há tempos, confiança a este indivíduo, agora sou perseguido??
      Vamos, o que é essa merda das “confissões de C. Vidal na Bertrand” ??

      Estou à espera, e largar a minha loja – imediatamente.

      • Niet diz:

        O sr. Carlos Vidal pratica a vulgata zizeco-badiousiana mais mal cheirosa da União Europeia, tendo a suprema lata de se assumir como um anti-democrata feroz e sanguinário. Com um recorte apimentado saloio e pimpão, ignorando os textos -base da Revolução de 1917, de Freud, Marx e Nietzsche, Saussure e Kristeva, Vidal ilude-se( e ilude-nos) com o toque impotente da semiologia assimil disfarçada na falcatrua copiada da maceração do estratagema archi-estalinista de Jdanov/ Badiou, o que fará com que ele nunca há-de encontrar o mais leve átomo de diferença ontológica. É um hetero-beauf da pólvora seca e do conceito equivocado que tira partido da impunidade teórica geral que dilacera a Universidade do “capital” lusíada. A Bertrand Editores anunciou- vidé Bibliotecário de Babel – um livro de ” confissões ” de um tal Carlos Vidal. As expectativas são muitas, portanto. Niet

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Meu caro Niet, penso que considerações do género das que escreve sobre o Carlos Vidal devem ser publicadas no sítio devido, ou seja, nos posts do próprio. Não me agrada ver um colega a ser atacado desta forma por causa de um post meu. Abraços.

        • Carlos Vidal diz:

          —————————————————————–

          • miguel dias diz:

            (Peço desculpa , com licença,Ricardo)
            Vidal, és:
            1- um hetero-beauf da pólvora seca e do conceito equivocado
            2- tiras partido da impunidade teórica geral que dilacera a Universidade do “capital” lusíada,
            3- e, ainda por cima, iludes-te com o toque impotente da semiologia assimil disfarçada na falcatrua copiada da maceração do estratagema archi-estalinista de Jdanov/ Badiou,
            4- nunca encontrarás o mais leve átomo de diferença ontológica.
            Tás fodido, meu irmão! Não sei porquê mas estás mesmo fodido.

  31. ezequiel diz:

    Surreal.

    Niet,

    Eu falei de estratégia.
    A Líbia NÃO é comparável ao Iraque e ao Afeganistão.
    Não foi ocupada nem invadida. É muito simples.
    Hegel, Badiou, panfleto contra badiou!??!?!?!?!!?!?

    Qual será a minha cruz, Niet??? Bolas, melodrama à tonelada!!

    Leo, o molde é este, o que mencionei, e não o outro(Iraque, Afeganistão). O facto do senhor padre ter dito x ou y não altera em nadinha a diferença substantiva que aqui mencionei.

    Mais uma pequena nota: duvido muito que as forças especiais americanas tenham treinado membros da LIFG/AQIM/AQMI. Parece-me mais plausível que tenham treinado alguns dos muitos rebeldes que se opõem à islamização da Líbia. O que ganhariam os Americanos, Brits ou Franceses ao treinar os seus arqui-inimigos??????? O Pepe Escobar anda a mastigar folhas de coca. 🙂

    • Leo diz:

      “A Líbia NÃO é comparável ao Iraque e ao Afeganistão.
      Não foi ocupada nem invadida. É muito simples. “ ????

      O que estão a fazer na Líbia é bem pior do que fizeram no Iraque e no Afeganistão: em cinco meses mais de 20.000 raides aéreos e mais de 8.000 raides aéreos de ataque! Sobre uma população de 6 milhões de habitantes desencadearam mais de 8.000 raides aéreos de ataque e pior ainda, continuam. Apenas ontem e apenas os 120.000 habitantes de Sirte sofreram mais de 30 ataques aéreos da NATO.

      Não há de facto comparação – em toda a história da humanidade – duma tão intensa e concentrada barbaridade sobre um país de apenas 6 milhões de habitantes. Não há mesmo.

      Mas é este o molde da NATO: terror e choque, caos, destruição e morte.

      • Gentleman diz:

        Não há de facto comparação – em toda a história da humanidade – duma tão intensa e concentrada barbaridade sobre um país de apenas 6 milhões de habitantes. Não há mesmo.

        E se for uma ainda mais intensa e concentrada barbaridade sobre um país de mais de 6 milhões de habitantes, serve?
        (Dica: leia algo sobre esse marxista-leninista chamado Pol Pot)

        • Leo diz:

          Esse era apoiado por norte-americanos e franceses.

          Certo, certo é que este bombardeamento da NATO na Líbia que já vai no 6º mês é o mais concentrado e feroz da história da humanidade.

          Apenas nos seis últimos dias a NATO executou 134 ataques aéreos sobre Sirte! E mesmo assim a população recusou o ultimato dos ratos da NATO e não se rende. É isto que leva os ratos e seus amigos ao desespero.

          Mas não é só em Sirte que a NATO bombardeia. Apenas ontem fizeram 6 ataques aéreos Bani Walid e 8 em Hun para além de mais 20 nas vizinhanças de Sirte.

        • De diz:

          Gentleman,qual ente desesperado,continua a olhar para o lado,na ânsia de encontrar outra coisa que não esta que se discute.
          Lembra-se agora de Pol Pot
          Mais uma vez…coitado de Gentlaman.
          Pol Pot,”amigo” de Kissinguer,aliado dos americanos, cúmplice dos crimes de guerra dos states…e ele próprio responsável por mais crimes contra a humanidade
          Pol Pot,derrotado e corrido do poder pelo exército do Vietnam…aquele mesmo que derrotou o exército americano.Aquele mesmo exército que ousou demonstrar que se pode derrotar o mais poderoso exército do mundo.Mas com que sacríficios…

          Gentleman bem tenta.
          Mas há muito mais a dizer…

      • Gentleman diz:

        Longe vão os tempos que o Partido Comunista dos EUA (CPUSA) apoiava a entrada do seu país na Segunda Guerra Mundial, e até condenava as greves (!) dos trabalhadores no período de guerra.
        Com estes comunistas de agora, se dependesse deles, os tiranos poderiam dormir descansados.

        • De diz:

          Os tiranos podiam dormir descansados diz Gentleman
          Isso quer o Gentleman
          Desde o dormir em paz do tirano da Arábia Saudita (amigo íntimo de Bush)até ao dormir em paz dos senhores da Europa.
          Por exemplo aqueles que, mandatados pelo poder económico, continuam a enxertar as doutrinas perfiladas por Reagan,Thatcher e quejandos nos respectivos países.
          Tiranos que por espalharem sem quaisquer escrúpulos a miséria e a fome,o desemprego e a pobreza entre os povos, devem ser corridos.Pelos seus próprios povos

          Com mais uma agravante…
          É que tais tiranos são responsáveis por espalharem a morte e a destruição a outros paísesTêm fome do saque e do poder
          Estes crápulas devem ser definitivamente corridos.Pelos seus próprios povos.E julgados em tribunais como criminosos de guerra

          Mas há mais.
          Gentleman que costuma recomendar livrinhos de histórias,esquece-se de uma coisa fundamental.
          Ele,é ele que escreve.”Na segunda guerra mundial”
          Expliquem aí ao pobre gentleman o significado de “mundial”.Uma guerra contra uma doutrina que arrastou povos de todos os continentes.E em que a civilização estava em causa.A convocação de todos era um dever ético e moral.

          Agora a intromissão de outros exércitos para imporem um poder “rebelde”?Quando se sabe que ainda por cima outros interesses estão em causa…e que interesses.Por isso é que gentleman se “baba”
          Isso tem vários nomes.Todos ofensivos para dizer em público.

          Que cheiro é este?

        • Pedro Pousada diz:

          Outra das tuas calinadas sobre a História do séc. XX, a história do CPUSA tem nesse período uma fase bastante obscura e de revisionismo direitista, estuda o Browderismo e como essa linha política (de rendição em relação às classes políticas e económicas dirigentes dos EUA) se desligou da luta de massas, deixou de incorporar no programa político do CPUSA a “Negro question”, os direitos cívicos dos negros norte-americanos, e se afastou das camadas populares da imigração hispânica e do Black belt enfraquecendo a sua influência sobre muitos sindicatos e sectores onde predominava a mâo de obra afro-americana e mexicana (lê sobre os motins em Los Angeles na década de 40-50); lê sobre Harry Haywood (Harry Haywood led the CP’s work in the African American national movement for some time, both as the Chair of the CP’s Negro Commission and as the General Secretary of the League of Struggle for Negro Rights, where he was instrumental in organizing the Sharecroppers Union and the Scottsboro defense. He lived for four and half years in the Soviet Union where he helped to author the 1928 and 1930 Comintern Resolutions on the African American National Question. During the Spanish Civil War he served with the international brigades).Claro que não vais lêr nada disso porque nasceste iluminado, ainda bem para ti!

  32. ezequiel diz:

    De
    Já ouviu falar de uma vitória compartilhada???
    Não acredito que tudo isto tenha acabado. Um volte face é provável: reacção islamista-nacionalista contra as companhias e governos ocidentais? Mas duvido muito. É quase impossível. Veremos.

    • De diz:

      “Vitória compartilhada”?
      Mas foi isso que disse no meu post…” vitória da Nato… apoiada entre outros pelos fundamentalistas islâmicos”

      Mas ao menos numa coisa estamos de acordo:
      “Não acredita que tudo isto tenha acabado”
      Eu também não

  33. ezequiel diz:

    A partir de agora será zeque, então.
    Corrijjido !!

    A partir de agora n será coisa alguma porque eu n lhe responderei, n lhe ligarei patavina.
    Quem quiser publicar os meus comments que os publique. Se n quiserem, ok na mesma e bazo. Pronto. É muito simples.

  34. ezequiel diz:

    a minha curiosidade antropológica tem limites, sr prof.

    • Carlos Vidal diz:

      Conheço essa história já de há muitos posts atrás, sr zeke.
      Depois, volta a encher-me as caixas.
      Imparável, o homem.

  35. Gentleman diz:

    A legitimidade do CNT é a mesma do MFA e da Junta de Salvação Nacional.

    • Leo diz:

      Não é não. Talvez seja a mesma do Soares e Spínola, esses é que andaram a apelar à intervenção estrangeira.

      O MFA e da Junta de Salvação Nacional só contaram com o apoio dos portugueses.

      • José diz:

        É verdade. O MFA não teve necessidade de intervenção militar externa e felizmente que não.
        Claro que, se tivesse precisado, o Leo teria vindo para as ruas manifestar-se contra e apoiado o governo “legítimo” de então, como faz agora no caso da Líbia?

      • De diz:

        Há algo de néscio em quem fala na hipótese de intervenção estrangeira aquando do 25 de Abril.Ao lado do Movimento das Forças Armadas
        A itervenção estrangeira foi de facto ponderada.A partir dos fascistas espanhóis.Para apoiar os fascistas portugueses

        (até onde vai o desvario de uns tantos…
        até onde vai a desonestidade quando se fala no “apoio ao governo legítimo” como sinónimo de exigência de não intervenção armada estrangeira na Líbia)

        Leo,como disse,o MFA não necessitou da “ajuda estrangeira” nem das botas cardadas da organização terrorista Nato ou similar.
        Nem os portugueses

        • José diz:

          De, já lhe disse para ir brincar aos circos para outro lado e deixar os adultos em paz nas discussões sérias, que para isso não tem capacidade, nem possibilidade de “itervenção”… 🙂
          Não desço ao seu nível e apenas aprecio o seu humor circense.
          Xô, vá!

          • De diz:

            Eu sei José,eu sei
            “Não tenho possibilidade de intervenção”

            Buááááá!

            José
            Lembra-se?
            Já tentou uma vez naquela arrogância típica da sua confraria
            Tentou calar-me
            Lembra-se?
            A reprimenda parece que lhe serviu de emenda durante uns dias…lol

            quer agora voltar ao “xô”?

            Ou quer apenas passar desapercebido por entre os clamores dos vivas à Nato dos “rebeldes” de ocasião e dos seus servidores?

    • De diz:

      Não diga disparates.
      Quem chama outros para metralhar os iguais compatriotas tem um nome muito feio.
      Gentleman gosta desses tais

  36. ezequiel diz:

    o sr tá no céu.:)

  37. ezequiel diz:

    Pois. O PCP não solicitou (e obteve) o apoio de estrangeiros. Adoraram ser satélites de Moscovo. Tudo isto em nome da solidariedade internacional e da emancipação dos povos oprimidos, claro. Até os Chineses molharam o bico.

    • De diz:

      Molhar o bico só se for o Ezequiel.
      O resto são apenas pequenos gestos de quem não sabe o que diz ( ou sabê-lo-á e aí as coisas assumem um outro carácter)
      “Adorou” Ezequiel?

  38. ezequiel diz:

    sei, sei, é evidente que sei (já agora!!)…e as coisas assumem outro carácter, naturalmente.:)

    as fantasias delirantes dos paranoicos leftie devem ser estimuladas até ao ponto máximo mesmo que o para-persona comece a pensar que a Tia Celestina de 80 anos que vive no apt de baixo é uma perigosa agente da tenebrosa e sinistra…junta de freguesia!!

    adorei, sim senhora.

    não há nada tão divertido como um esquerdista paranoico. 🙂

    • Leo diz:

      Os idiotas rejubilam com a mortandade de inocentes. Pensam eles que os seus têm licença para matar. São bárbaros que seguem a lei da selva. E são incapazes de entender que tudo o que nasce, morre. Inclusive os impérios.

  39. ezequiel diz:

    O E H Carr escreveu um texto brilhante sobre a propensão para diabolizar ou idealizar certas entidades beligerantes. Os comunas comiam criançinhas. Os imperialistas rejubilam com a morte dos inocentes. Propensão padresca a Vossa, sem dúvida. Os comunas e derivados são realmente muito parecidos com a classe eclesiástica.

    Se a NATO n tivesse feito coisa alguma, Vcmessês acusariam-na de hipocrisia, solidarizavam-se com os rebeldes, diriam que os governos ocidentais tinham os olhos no petrol do gadhafi (hence the cumplicity) bla bla bla.

    Enfim. Nem com a NATO a defender os gajos que devem ser defendidos vocemessês atinam…
    É obra. 🙂

    🙂

    • De diz:

      Não me parece caro Ezequiel
      Não me parece
      Cada um é livre de acreditar nos seus fantasmas ou mitos pessoais.
      Cada um é livre de acreditar nessa fábula da defesa dos rebeldes por parte da Nato.Embora cada um já não seja tão livre para maltratar a ordem jurídica internacional como parece que seja o caso
      Porque não vai até ao post de Helena Borges :”O Iraque chegou à Líbia” ou ao AINDA HÁ LUCIDEZ? de Carlos Vidal?…
      Já foi dito e redito muito sobre o tema.Já é tempo de se ler o que se escreveu e não recomeçar tudo de novo.
      Sem que isso afecte o livre direito de cada um a acreditar nos seus mitos ou nas suas filiações ideológicas
      Não basta atinar à maneira do escrito pelo Ezequiel.
      É preciso sim ser coerente e defender causas e princípios

      Um dos artigos citados foi este:
      WikiLeaks cables expose Washington’s close ties to Gaddafi
      http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26236

    • Leo diz:

      O idiota rejubila com a mortandade de inocentes. Pensa ele que os seus têm licença para matar. É um bárbaro que segue a lei da selva. E é incapaz de entender que tudo o que nasce, morre. Inclusive os impérios.

      O idiota é você.

    • José diz:

      Idiota??!
      Tenha tino, Leo. Argumente e deixe os insultos para os seus futebóis.

      • Leo diz:

        A solidariedade dos contentes com o mundo pós-1989 continua.

        O que me preocupa são os líbios que sofrem os bombardeamentos da NATO.

        • José diz:

          “A solidariedade dos contentes com o mundo pós-1989 continua.”
          Solidariedade com quê ou com quem, Leo?
          Ainda bem que as vítimas dos bombardeamentos da Nato o preocupam.
          Lástima que os bombardeamentos de Kadahfi ou Assad não o preocupem….

  40. Ámen.
    Acrescento que Apoio Saif Al Islam – Foi a voz da Líbia ( A Passado Y a Futura); a Líbia Presente foi a sacrificada tal como ele. Saif não foi ouvido. Saif foi arrumado em desespero de Causa do Sweet-Oil. Saif foi o Sweet-Naif.

    Criei a peregrina conta no Twitter @SupportToSaif https://twitter.com/#!/SupportToSaif Não. Não quero assistir a mais um Saddma movie da justiça. Especialmente, quando vão degolar um homem que pelo menos tentou – atendendo ao seu entorno – lutar contra ele y preparar-se o melhor para uma mudança. Talvez tenha apenas encontrado no seu caminho gente pequenina Y não De Puta Madre. Ha haver um Herói nesta caixa de Sangue Líbia, esse Herói foi Saif que se sacrificou, bem como todo os Líbios que morreram no mar, fugindo da tão bradada Liberdade. Uma Liberdade que trás medo acoplado não é Liberdade.

    • De diz:

      Um post corajoso

    • Leo diz:

      Expectativa de vida na Líbia:

      1950-1955: 42.9 (homens 41.9; mulheres 43.9)
      1955-1960: 45.5 (homens 44.3; mulheres 46.6)
      1960-1965: 48.0 (homens 46.7; mulheres 49.3)
      1965-1970: 50.4 (homens 49.0; mulheres 51.8)
      1970-1975: 53.0 (homens 51.4; mulheres 54.5)
      1975-1980: 57.7 (homens 56.0; mulheres 59.3)
      1980-1985: 62.4 (homens 60.6; mulheres 64.2)
      1985-1990: 66.4 (homens 64.5; mulheres 68.9)
      1990-1995: 69.0 (homens 66.9; mulheres 71.7)
      1995-2000: 71.6 (homens 69.3; mulheres 74.5)
      2000-2005: 72.8 (homens 70.5; mulheres 75.7)
      2005-2010: 74.0 (homens 71.7; mulheres 76.9)

      Resultado único em toda a África, feito por líbios para líbios pese embora o boicote ocidental.

      • José diz:

        1 Japão 82,6 79,0 86,1
        2 Hong Kong (R.P.China) 82,2 79,4 85,1
        33 Emirados Árabes Unidos 78,7 77,2 81,5
        37 Cuba 78,3 76,2 80,4
        38 Estados Unidos 78,2 75,6 80,8
        41 Kuwait 77,6 76,0 79,9
        53 Omã 75,6 74,2 77,5
        72 Líbia 74,0 71,7 76,9
        73 Tunísia 73,9 71,9 76,0

        Como resultado único, parece-me algo estranho, considerando que a Tunísia fica 0,1 anos atrás…
        E depois?
        Vamos todos para Hong Kong? Japão?
        Um reino absoluto, como Omã, Kuwait ou EAU, são melhores para a longevidade do que a Líbia?

      • De diz:

        E estas coisas não se perdoam
        O “ocidente” não perdoa
        os cães de fila do “ocidente” não perdoam

        As garras da Nato aí estão a confirmá-lo

        • De diz:

          A esperança média de vida no continente africano é de apenas 52,5 anos – sendo mesmo inferior a 40 anos no Botswana e Malawi…isto segundo dados de 2007

          Entretanto segundo dados do Parlamento europeu em 2010 e falando do continente africano:
          “A fome é responsável por mais mortes do que todas as doenças contagiosas juntas do Continente.

          Em cada quatro pessoas que morrem vítimas de Sida, três são africanas.

          De 30 em 30 segundos uma criança africana morre vítima de malária. Metade destas mortes poderia ser evitada se os pais tivessem acesso ao diagnóstico e à medicação, cuja dose custa pouco mais de um euro. Mas quase metade da população africana vive com menos de um euro por dia.

          A esperança média de vida está a diminuir e o povo africano vive, em média 46 anos, mas em alguns países esta esperança média de vida é de apenas 35 anos”

          Mas vamos a dados actuais…:
          58º Libya 77.65
          78º Morocco 75.90

          (Portugal que ocupava o 39º lugar no período entre 2005-2010….agora parece que está na 49ª posição)

          Ah,esqueci-me de nomear a fonte:”Central Intelligence Agency,vulgo CIA

  41. De diz:

    E “esqueci-me” da Tunísia:
    91º Tunisia 75.01

    E de alguns “reinos absolutos”
    66º Kuwait 77.09
    71º United Arab Emirates 76.51
    104 Oman 74.22

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