O Iraque chegou à Líbia

A esquerda itálica que brandiu a bandeira rebelde ao compasso dos bombardeamentos da OTAN: a) vê a bola; b) grita “chiribi-tá-tá-tá-tá”.

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97 respostas a O Iraque chegou à Líbia

  1. ezequiel diz:

    Ou o “iraque chegou à libia” ou “esta senhora apoia o gaddafi.”(achas que ela é uma democrata??)

    o que terias feito? deixavas o gaddafi em paz? (o que seria da solidariedade com os povos oprimidos??)

    Venha o diabo e escolha…entre estas “democratas”, o gaddafi, e as firmas de petrol que se preparam para…democratizar a Líbia…

    • Helena Borges diz:

      Acho que não devia ter sido o diabo a escolher, acho que deviam ter sido os líbios… E a senhora da fotografia concordará comigo. E tu, achas que a escolha deve ser das corporações que estão a “democratizar” a Líbia?

      • Leo diz:

        Qualquer pessoa minimamente decente concorda com a senhora e com a Helena.

      • Oderico diz:

        Então acha que o coronel ia deixar que fossem os próprios líbios escolher?

        • Helena Borges diz:

          E a OTAN deixa?

          • Gentleman diz:

            Claro que sim. Para isso é que haverá eleições.
            (já sei que a malta bolchevique tem uma noção muito peculiar do que é o “povo escolher”)

          • De diz:

            “Sempre é tarde, sempre é tarde para as vítimas”

            Os cadáveres empilhados dos líbios votarão com certeza.
            O país com o maior índice de desenvolvimento humano de África destroçado pelas bombas e pelas patorras dos exércitos coloniais…repito…dos exércitos coloniais…

            Alguém fala em eleições…”O sentido peculiar” com que se dança sobre os mortos e os escombros de um país,resume-me a um comentário néscio,que mal oculta o contentamento pela situação?

            Lembram-se do que se passou no Afeganistão?
            E no Iraque?As tais eleições “democráticas” em que nem os próprios acreditaram?
            Não se sabe se a memória tem destas coisas,ou se estas coisas o fazem para apagar a memória

    • Leo diz:

      Que me lembre as autoridades líbias em geral e o Ghadafi em particular nada tiveram a ver com o Campo de Concentração de Guantanamo. Nem com as prisões norte-americanas espalhadas pelo Iraque e pelo Afeganistão. Também nunca constou que tivessem alguma coisa a ver com as torturas infringidas aos pretensos membros da Al Qaeda capturados em vários países europeus e asiáticos e enviados nos voos especiais da CIA para o Egipto de Mubarak ou para a Tunísia de Ben Ali.

      É a estes “democratas” e a esta “democracia” que o Ezequiel se refere?

      • Oderico diz:

        Terá tido alguma coisa a ver com o ataque terrorista que vitimou mais de 200 inocentes que, em 1988, viajavam de avião sobre a Escócia?

        • Helena Borges diz:

          Isso pretende amenizar a intervenção da OTAN? Nem os países da aliança vão por aí. Nos últimos anos, os seus governantes não foram poupados nos abraços ao coronel.

    • pappy diz:

      Consta que o reino da Arábia Saudita,o Yemen,o Bahrein são democracias e estados de direito,não é sr.wise Guy?

  2. Portela Menos 1 diz:

    quem vos tira o DO, tira-vos tudo!

  3. João Valente Aguiar diz:

    Bravo Helena. Humor e chiribi-tá-tá quanto baste, mostrando o que realmente se vai colocar perante a Líbia. Bravo!

  4. ezequiel diz:

    Olá Helena,

    É evidente que não acho que deveriam ser as petrol. ou o petrol a decidir o futuro dos Líbios.

    O prob, Helena, é que a maioria dos Líbios talvez n sejam democratas…so isso.

    Qt ao diabo…sou ateu. Uma expressão, rien plus.

    Um outro prob: dizer q deveriam ser os próprios Líbios pode ser interpretado = indiferença ou, pior, passividade.

    Os rebeldes celebrados por muitos media ocidentais como “democratas” etc não teriam tido a menor chance sem o apoio dos aliados. São eles próprios que o afirmam.

    Apesar disso, até fico satisfeito por as NUnidas terem assumido (+ ou -) a responsabilidade política da transição para a/o…..???????? Haverá eleições, presumo eu. O povo Líbio ditará a sua sentença. Quanto aos futuros “eleitos”, reservo o direito da suspeita. As verdadeiras cores da cultura política árabe ( e.g. as suas principais tendências) serão claramente vistas por todos/as. Ingénuos e idealistas, preparem-se!!! May you live in interesting times, say the Chinese, ironically. 🙂

    Uma pergunta: se assumisses como válida a presunção de que sem a ajuda dos aliados os rebeldes Líbios não teriam qualquer chance de serem bem sucedidos…farias o quê?? Ias para a Líbia lutar ao lado deles?? Exigirias a intervenção das NU??? (o q seria a mesma coisa porque só a Fr, EUA, GB e Itália ofereceram os seus meios militares)

    Ou seja:

    Cenário 1: os Líbios que tratem do assunto sozinhos = garantir que nunca seriam bem sucedidos. Gaddafi wins. (inaceitável?) Rebeldes a serem mortos aos milhares: a esquerda certamente acusaria os governos ocidentais e as NU de cumplicidade com Gaddafi. O argumento dos interesses seria usado (tal como agora).

    Cenário 2: Intervenção das NU (como disse, a mesma coisa: Fr, EUA, GB, Itália Vs Gaddafi)
    Probabilidade da vitória dos rebeldes aumenta. (inaceitável?)

    Qual seria o teu cenário preferido. Mesmo que impracticável. Estou curioso.

    Damned if you do.
    Damned if you don’t.

    🙂

    • Leo diz:

      “se assumisses como válida a presunção de que sem a ajuda dos aliados os rebeldes Líbios não teriam qualquer chance de serem bem sucedidos” ????

      Nem ainda agora percebeu que quem faz todo o combate é a NATO? Quando todos os observadores – mesmo os mais parciais – o reconhecem? Nem ainda percebeu que os “rebeldes” são os ratos da NATO? Que se limitam a infiltrar-se depois das portas arrombadas pelos raides aéreos da NATO? Que em 5 meses a NATO já fez mais de 20.000 raides aéreos incluindo 8.000 raides de ataque destruindo todas as infra-estruturas do país?

      Se não é capaz de entender a brutalidade disto – mais de 8.000 raides de ataque durante 5 meses – ao menos ganhe vergonha e cale-se.

      • De diz:

        Leo:
        Um nojo tudo isto.
        A morte a viajar na ponta das bombas da NATO e dos seus mercenários.
        O saque apetecido,a hipocrisia instituída,os cúmplices bastardos.
        No primeiro quartel do século XXI, como diz Bolota

        As hárpias aí estão

        • Leo diz:

          Tem razão. Um nojo tudo isto. Principalmente a visão dos cadáveres a juncarem as ruas e avenidas de Tripoli dá-me uma grande vontade de ir às trombas de quem apoia esta barbaridade.

          Não há desculpa para estes crimes monstruosos da NATO e seus ratos.

    • Helena Borges diz:

      Ezequiel, nenhum dos teus cenários: o primeiro exclui a possibilidade dos líbios serem bem sucedidos no seu direito à autodeterminação; o segundo exclui milhares de mortos, sobretudo civis, e um país destruído.

      Poderia perguntar-te se, sendo um civil líbio opositor de Gaddafi, preferias ir construindo a tua luta, por exemplo, num jornal clandestino de oposição ao regime ou ficar sem prelo, casa e família num bombardeamento da OTAN. Poderia, mas não pergunto, porque a pergunta não seria razoável. Há ene cenários possíveis e uma realidade, que nem sequer é assim tão real, como o Harold Pinter bem abordou no seu discurso de aceitação do Nobel, passando pelos anseios norte-americanos de levar a “democracia” a outros países.

      Não tenho quaisquer dúvidas de que o Iraque chegou à Líbia e tenho toda a dificuldade em conceber um cenário pior.

      • Helena Borges diz:

        (Volto aqui, para não achares que fujo à tua pergunta como o teu diabo foge da cruz, Ezequiel.)

        Se, se, se, escolheria um cenário parecido com este: os líbios lutariam pelo seu futuro sem ingerências. Poderia garantir que seriam bem sucedidos? Não, também porque a acepção de “bem suceder” é relativa. Esperaria que depusessem o coronel? Sim, levassem dez, vinte ou trinta anos. E se não conseguissem depô-lo? Um risco a correr.

        Um “rebelde” vivo vale dez civis mortos ou apenas um? Consegues responder-me? Não digas que um “rebelde” vivo não implica civis mortos, os bombardeamentos da OTAN confirmam que sim. Não terão morrido mais líbios em cinco meses de OTAN do que em quarenta anos de Gaddafi?

    • pappy diz:

      Lack of inteligence

  5. Carlos Vidal diz:

    Lapidar, como a Helena sabe fazer: “O Iraque chegou à Líbia”.

    O cobardolas Oliveira está, a esta hora, a escrevinhar algo sobre a final da super-qualquer coisa.

    (Lamento o resultado, Helena, mais por ti que por qualquer outra coisa. Só tu me fazes lamentar uma derrota do fêquêpê.)

  6. Bolota diz:

    Helena.

    Ainda fica a faltar uma coisa…o enforcamento de Ghadafi em directo e a cores.
    Não esquecer que já estamos no 1º quarto de SEC do SEC XXI e não na idade media.

  7. Leo diz:

    O capitalismo do desastre lança-se sobre a Líbia
    por Pepe Escobar [*]

    Pense da nova Líbia como o capítulo mais recente da série “Capitalismo do desastre”. Ao invés de armas de destruição em massa, temos a R2P (“responsibility to protect”). Ao invés de neoconservadores, temos imperialistas humanitários.

    Mas o objectivo é o mesmo: mudança de regime. E o projecto é o mesmo: desmantelar e privatizar completamente uma nação que não estava integrada no turbo-capitalismo; abrir uma outra (lucrativa) terra de oportunidade para o neoliberalismo com turbo-propulsor. A coisa toda é especialmente conveniente porque é um empurrão em meio a uma recessão quase global.

    Levará algum tempo; o petróleo líbio não retornará totalmente ao mercado nos próximos 18 meses. Mas há a reconstrução de tudo o que a NATO bombardeou (bem, não muito do que o Pentágono bombardeou em 2003 foi reconstruído no Iraque…)

    Seja como for – desde o petróleo à reconstrução – em tese assomam oportunidades de negócio sumarentas. O neo-napoleonico Nicolas Sarkozy, da França, e o britânico David da Arábia Cameron acreditam que estarão especialmente bem posicionados para lucrar com a vitória da NATO. Mas não há garantia que a nova fonte de riqueza líbia seja suficiente para erguer as duas antigas potências coloniais (neo-coloniais?) acima da recessão.

    O presidente Sarkozy em particular extrairá as oportunidades de negócios para companhias francesas por tudo que elas valem – parte da sua ambiciosa agenda de “reposicionamento estratégico” da França no mundo árabe. Os complacentes media franceses exultantes dizem que esta foi a “sua” guerra – fiando-se em que ele decidiu armas os rebeldes no terreno com armamento francês, em estreita cooperação com o Qatar, incluindo uma unidade de comando chave rebelde que foi [enviada] por mar de Misrata para Tripoli no sábado passado, no princípio da “Operação Sirene”.

    Bem, ele certamente viu a oportunidade quando o chefe do protocolo de Muamar Kadafi desertou para Paris em Outubro de 2010. Foi quando o drama da mudança total de regime começou a ser incubado.

    Bombas por petróleo

    Como observado anteriormente (ver Welcome to Libya’s ‘democracy’ , Asia Times Online, August 24) os abutres já estão a circular sobre Tripoli para agarrar (e monopolizar) os despojos. E, sim, a maior parte da acção tem a ver com negócios de petróleo, como se verifica nesta clara afirmação de Abdeljalil Mayouf, gestor de informação na “rebelde” Arabian Gulf Oil Company: “Nós não temos problemas com países ocidentais como as companhias italianas, francesas e britânicas. Mas podemos ter algumas questões políticas com a Rússia, a China e o Brasil”.

    Estes três acontece serem membros cruciais do grupo BRICS de economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), as quais estão realmente a crescer enquanto as economias atlantistas que fazem os bombardeamentos da NATO estão ou encravadas na estagnação ou em recessão. Acontece que os quatro principais BRICS também se abstiveram de aprovar a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, a fraude da zona de interdição de voo (no-fly) que se metamorfoseou na mudança de regime conduzida pela NATO. Eles viram correctamente desde o princípio.

    Para tornar as coisas piores (para eles), apenas três dias antes de o Africom do Pentágono lançava seus primeiros 150 Tomahawks sobre a Líbia, o coronel Kadafi deu uma entrevista à TV alemã enfatizando que se o país fosse atacado, todos os contratos de energia seriam transferidos para companhias russas, indianas e chinesas.

    Assim, os vencedores da mina petrolífera já estão designados: membros da NATO mais monarquias árabes. Dentre as companhias envolvidas, a British Petroleum (BP), a Total da França e a companhia nacional de petróleo do Qatar. Para o Qatar – o qual despachou caças a jacto e recrutadores para as linhas de frente, treinou “rebeldes” em técnicas de combate exaustivas e já administra vendas de petróleo na Líbia oriental – a guerra revelar-se-á uma decisão de investimento muito sábia.

    Antes dos longos meses de crise que agora está na sua etapa final com os rebeldes na capital, Tripoli, a Líbia estava a produzir 1,6 milhão de barris por dia. Uma vez retomada a produção os novos dominadores de Tripoli colheriam uns US$50 mil milhões por ano. A maior parte das estimativas estabelece as reservas de petróleo da Líbia em 46,4 mil milhões de barris.

    Os “rebeldes” da nova Líbia é melhor não se meterem com a China. Cinco meses atrás, a política oficial da China já era apelar a um cessar-fogo. Se isto tivesse acontecido, Kadafi ainda controlaria mais da metade da Líbia. Mas Pequim – que nunca foi adepta de mudanças de regime violentas – por enquanto está a exercer extrema contenção.

    WenZhongliang, o vice-ministro do Comércio, observou deliberadamente: “A Líbia continuará a proteger os interesses e direitos de investidores chineses e esperamos continuar o investimento e a cooperação económica”. Numerosas declarações oficiais estão a enfatizar a “cooperação económica mútua”.

    Na semana passada, Abdel Hafiz Ghoga, vice-presidente do duvidoso Conselho Nacional de Transição (CNT), disse à [agência] Xinhua que todos os negócios e contratos efectuados com o regime Kadafi seriam honrados – mas Pequim não quer correr riscos.

    A Líbia forneceu mais de 3% das importações de petróleo da China em 2010. Angola é um fornecedor muito mais crucial. Mas a China ainda é o principal cliente da Líbia na Ásia. Além disso, a China poderia ser muito útil quanto à reconstrução da infraestrutura, o na exportação de tecnologia – não menos de 75 companhias chinesas com 36 mil empregados estavam já no terreno antes de estalar a guerra tribal/civil, rapidamente evacuados em menos de três dias.

    Os russos – da Gazprom à Tafnet – tinham milhares de milhões de dólares investidos em projectos líbios, a petrolífera gigante brasileira Petrobrás e a companhia de construção Odebrecht também têm interesses ali. Ainda não está claro que lhes acontecerá. O director-geral do Russia-Libya Business Council, Aram Shegunts, está extremamente preocupado: “Nossas companhias perderão tudo porque a NATO as impedirá de fazerem negócios na Líbia”.

    A Itália parece ter aprovado a versão “rebelde” do “você ou está connosco ou sem nós”. O gigante da energia ENI aparentemente não será afectado, pois o primeiro-ministro Silvio “Bunga Bunga” Berlusconi pragmaticamente jogou fora o seu anterior relacionamento muito estreito com Kadfi, no princípio da profusão de bombardeamentos Africom/NATO.

    Directores da ENI estão confiantes em que os fluxos de petróleo e gás da Líbia para o Sul da Itália serão retomados antes do Inverno. E o embaixador líbio na Itália, Hafed Gaddur, reassegurou Roma de que todos os contratos da era Kadafi serão honrados. Por via das dúvidas, Berlusconi encontrará o primeiro-ministro do CNT, Mahmoud Jibril, nesta quinta-feira em Milão.

    Bin Laden

    O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu – da conhecida política “zero problemas com nossos vizinhos” – também tem estado a louvar os antigos “rebeldes” transformados em detentores do poder. Observando também as possibilidades de negócios pós Kadafi, Ancara – como flanco oriental da NATO – acabou por ajudar a impor um bloqueio naval ao regime de Kadafi, cultivou cuidadosamente o CNT e em Julho reconheceu-o formalmente como o governo da Líbia. Os “prémios” do negócio assomam.

    E há ainda a questão crucial: como a Casa dos Saud vai lucrar por ter sido instrumental em estabelecer um regime amistoso na Líbia, possivelmente apimentado com notáveis Salafi. Uma das razões chave para o violento ataque saudita – o qual incluiu um voto falsificado na Liga Árabe – foi o rancor extremo entre Kadafi e o rei Abdullah desde os preparativos para guerra ao Iraque em 2002.

    Nunca é demais enfatizar a hipocrisia cósmica de uma monarquia/teocracia medieval – a qual invadiu o Bahrain e reprimiu seus xiitas nativos – que saúda o que podia ser interpretado como um movimento pró-democracia na África do Norte.

    Seja como for, é tempo de festa. Aguarda-se o Saudi Bin Laden Group para reconstruir tudo por toda a Líbia – eventualmente transformando o (saqueado) Bab al-Aziziyah num monstruoso e luxuoso Centro Comercial Tripolitania.
    [*] Autor de 21 O Século Da Ásia (Nimble Books, 2009), Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007) e Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge . Seu último livro é Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). Email: pepeasia@nullyahoo.com . Para acompanhar o seu artigos sobre a Grande Revolta Árabe, clique aqui .

    O original encontra-se em http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MH25Ak02.html

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  8. Leo diz:

    Líbia: A agressão Imperial
    Aclamada como vitória popular

    A entrada em Tripoli dos bandos do auto denominado Conselho Nacional de Transição e a ocupação da residência e quartel general de Muamar Kadhafi foram aclamados pelo presidente Obama, os governos da União Europeia e as media ocidentais como desfecho da cruzada libertadora da Líbia e vitória da democracia e da liberdade sobre a tirania e a barbárie.

    Poucas vezes na Historia a desinformação cientificamente montada ao serviço de ambições inconfessáveis terá tido tanto êxito em transformar a mentira em verdade, ocultando o significado da agressão a um povo.

    Desde o inicio em Março dos bombardeamentos selvagens a Tripoli, a oratória farisaica de Obama, Sarkozy e Cameron funcionou como cobertura de um projecto imperial que, sob o manto de pretensa «intervenção humanitária destinada a proteger as populações», tinha como predestinado objectivo tomar posse do petróleo e do gás, bem como dos importantes activos financeiros do estado Líbio.

    Planearam o crime com muita antecedência. A «insurreição» de Benghazi foi preparada por agentes da CIA; comandos britânicos treinaram uma escória de mercenários armada pelos EUA e pela Grã-bretanha; a chamada Zona de Exclusão Aérea não passou de um slogan para facilitar a passagem pelo Conselho de Segurança e iludir o propósito da subsequente intervenção militar; a anunciada não participação da Força Aérea Americana, nos primeiros dias dos bombardeamentos, foi só uma farsa porque a NATO, que assumiu a direcção da guerra, é um instrumento dos EUA por estes controlada, e porque as próprias forças aeronavais estado-unidenses interviriam activamente nos bombardeamentos e na guerra cibernética.

    Mas as coisas não correram como eles desejavam. Os «rebeldes» somente entraram em Tripoli transcorridos seis meses. As suas vitórias foram forjadas pela comunicação social. A NATO acreditava poder repetir o que aconteceu na Jugoslávia, onde os bombardeamentos aéreos forçaram Mihailovich a capitular. Kadhafi resistiu, apoiado por grande parte do povo líbio. Independentemente do balanço que se faça da sua intervenção na Historia em quatro décadas de poder absoluto, Muamar Kadhafi resistiu com bravura à agressão desencadeada pelas maiores potencia militares Ocidentais. A tropa fandanga do CNT foi um exército ficcional que somente avançava à medida que as bombas da NATO reduziam a ruínas as infra-estruturas líbias. Milhares de civis líbios foram massacrados nesta guerra repugnante.

    Nos últimos dias, uma orgia de violência irracional atingiu Tripoli. O bombardeamento sónico, para aterrorizar a população, coincidiu com as bombas que caíam do céu. Os invasores submeteram a cidade a um saque medieval, matando, saqueando, violando, num cenário de horror. Os media europeus e norte americanos difundiam noticias falsas. A bandeira da corrupta monarquia senussita foi hasteada em Terraços donde «rebeldes» disparavam sobre o povo.

    Os muitos milhares de milhões de dólares do povo líbio depositados na banca internacional foram confiscados pelos governos ocidentais.

    Mas, para frustração de Washington e seus aliados, a resistência prossegue enquanto que o paradeiro de Kadhafi e outros responsáveis líbios, que não se submeteram, é desconhecido.
    Sobre o CNT, um saco de gatos mascarado de governo provisório, chovem agora felicitações.

    Cavaco Silva e Passos Coelho, obviamente, associaram-se a esse coro da desvergonha, cumprindo o seu papel de pequenos sátrapas coloniais.

    Os Editores de odiario.info

    http://www.odiario.info/?p=2184

  9. Oderico diz:

    O que a mim me espanta (ou talvez não) é que haja quem acredite que uns tipos que gritam allahu akbar, enquanto matam os seus inimigos feridos que estavam a ser tratados num hospital de campanha, possam um dia destes trocar a kalash pelo boletim de voto.
    Metam na cabeça, enquanto aquela gente não enterrar alá e o seu sanguinário profeta nunca poderá haver qualquer espécie de democracia.

    • Helena Borges diz:

      Islamofobia, percebi.

    • De diz:

      O que a mim me espanta(ou talvez não) é que haja quem faça discursos deste calibre.
      Em nome de quem é que o fará?
      E o que este tipo precisará de enterrar, para além deste discurso troglodita?

      • Oderico diz:

        Eu falo em nome próprio e com conhecimento de causa.
        Você defende o islão a que propósito?
        Troglodita? Se calhar, mas antes assim que verme rastejante.

        • Helena Borges diz:

          Se o De está a defender o islão, estará a fazê-lo a propósito da liberdade religiosa. Estará a defendê-lo e, sobretudo, a defender quem o professa de cruzados como tu.

          Mas o De falou em islão?

        • De diz:

          Em nome próprio ? Oderico?
          Sim e depois?
          Conhecimento de causa?Oderico?
          Não…apenas da causa …de Oderico
          Islão?Eu?
          Não,não sou.Nem isso interessa.
          Troglodita? Oderico?
          Nisso,ambos estamos de acordo
          Verme rastejante?O Oderico?
          Não sei.Prometo olhar para o chão com mais cuidado para não molestar Oderico

          ah,nem assim conseguem…
          a liberdade religiosa às urtigas…o ódio boçal à solta

          (era desta massa que eram feitos os Kommandantur da época.Se não eram o que quer que fossem…eram filos do que quer que fossem…)

          (Ainda guardarão as fardas negras?
          Para o que der e vier?)

    • De diz:

      Um excelente vídeo.
      Uma interrogação surge:
      de que falam as nossas televisões quando falam da Somália?

      (de que falam os nossos media quando falam na Líbia?)

  10. Rui F diz:

    Os comunistas da URSS íam (já não podem porque falharam como projecto politico de transformação) “ajudar” países amigos (Checos e outros) como a NATO “ajuda” rebeldes amigos. A receita é exactamente a mesma.
    Quem esteve muito bem nesta questão foi a Alemanha. Para além de ser a maior potência económica da Europa e com todos os defeitos que se lhe reconhece, têm igualmente uma inteligência acima da média.

    Estou à vontade porque sou não alinhado….mas os rebeldes sem uma ajuda externa seriam dizimados e era uma luta perfeitamente desigual.

    • De diz:

      Três pontos em estilo telegráfico:
      -legitimar uma intervenção externa para apoiar “rebeldes” ???????
      -afirmar que o Q.I alemão está acima da média ??????
      -escrever que sem uma ajuda externa os rebeldes seriam dizimados…e que seria uma luta perfeitamente desigual????? (E a luta de Kadaffi e dos seus contra a NATO foi uma luta “igual”? Já estes podem ser dizimados?)

      Uma conclusão final:
      às vezes os não-alinhados,estão-no mais do que querem reconhecer

      • Rui F diz:

        De

        Viste hoje o rasto de morte que os subditos de Kadafi deixaram na abalada?
        Alemanha que pertence à NATO? Foi obviamente inteligente demarcando-se da coisa. Quem fala em QI és tu…

        Estou pessoalmente a favor dos que lutam contra a tirania.
        Convictamente.

        • De diz:

          Rui F.
          Qualquer massacre é um crime.Ponto final.
          A “ajuda” da NATO foi e é determinante para a mortandade na Líbia
          A frase relativa à Alemanha:
          “Para além de ser a maior potência económica da Europa e com todos os defeitos que se lhe reconhece, têm igualmente uma inteligência acima da média” levou à minha frase sobre o Q.I..
          Infelizmente os pontos apontados continuam de pé.
          Com uma clareza cada vez maior

          • Rui F diz:

            Com mais clareza fico quando para certa esquerda a solução é…a não solução. Eles que se desenrasquem.
            A ajuda da NATO contibui para a morte. Seguramente. Mas a ajuda de coisa nenhuma contribui para quê?

            Continuo na minha: dentro da NATO os Alemães foram os inteligentes de serviço demarcando-se da coisa. Há superioridade? Neste aspecto foram-no.

          • De diz:

            A ajuda das bombas da morte ao serviço da Nato não é nenhuma ajuda.
            É uma intromissão nas questões internas de um povo que devia saber resolver por si os seus próprios problemas,como o disse e bem Helena Borges.

            As bombas têm destas coisas.Escolhem os alvos mais apetecidos para ajudar

            E a coisa torna-se verdadeiramente néscia quando se sabe hoje que a “tal ajuda” não passou de um pretexto para uma guerra de rapina,se saque e de destruição de um país que ousava de quando em quando fazer frente ao império

            “US embassy cables released by WikiLeaks on Wednesday and Thursday expose the close collaboration between the US government, top American politicians and Muammar Gaddafi, who Washington now insists must be hunted down and murdered.

            Washington and its NATO allies are now determined to smash the Libyan regime, supposedly in the interests of “liberating” the Libyan people. That Gaddafi was until the beginning of this year viewed as a strategic, if somewhat unreliable, ally is clearly seen as an inconvenient truth.

            The cables have been virtually blacked out by the corporate media, which has functioned as an embedded asset of NATO and the so-called rebel forces that it directs. It is hardly coincidental that the WikiLeaks posting of the cables was followed the next day by a combination of a massive denial of service attack and a US judge’s use of the Patriot Act to issue a sweeping “production order” or subpoena against the anti-secrecy organization’s California-based Domain Name Server, Dynadot.

            The most damning of these cables memorializes an August 2009 meeting between Libyan leader Muammar Gaddafi and his son and national security adviser, Muatassim, with US Republican Senators John McCain (Arizona), Lindsey Graham (South Carolina), Susan Collins (Maine) and Connecticut “independent” Joe Lieberman.

            McCain, the Republican presidential candidate in 2008, has in recent speeches denounced Gaddafi as “one of the most bloodthirsty dictators on Earth” and criticized the Obama administration for failing “to employ the full weight of our airpower” in effecting regime change in Libya.

            In the meeting held just two years ago, however, McCain took the lead in currying favor with the Gaddafis. According to the embassy cable, he “assured” them that “the United States wanted to provide Libya with the equipment it needs for its security” and “pledged to see what he could do to move things forward in Congress.”

            The cable continues to relate McCain’s remarks: “He encouraged Muatassim to keep in mind the long-term perspective of bilateral security engagement and to remember that small obstacles will emerge from time to time that can be overcome. He described the bilateral military relationship as strong and pointed to Libyan officer training at U.S. Command, Staff, and War colleges as some of the best programs for Libyan military participation.”

            The cable quote Lieberman as saying, “We never would have guessed ten years ago that we would be sitting in Tripoli, being welcomed by a son of Muammar al-Qadhafi.” It states that the Connecticut senator went on to describe Libya as “an important ally in the war on terrorism, noting that common enemies sometimes make better friends.”

            The “common enemies” referred to by Lieberman were precisely the Islamist forces concentrated in eastern Libya that the US then backed Gaddafi in repressing, but has now organized, armed and led in the operation to overthrow him.

            The US embassy summarized: “McCain’s meetings with Muammar and Muatassim al-Qadhafi were positive, highlighting the progress that has been made in the bilateral relationship. The meetings also reiterated Libya’s desire for enhanced security cooperation, increased assistance in the procurement of defense equipment, and resolution to the C130s issue” (a contract that went unfulfilled because of previous sanctions).

            Another cable issued on the same meeting deals with McCain’s advice to the Gaddafis about the upcoming release from a Scottish prison of Abdelbaset al-Megrahi, who had been convicted for the 1988 bombing of Pan Am 103 over Lockerbie, Scotland. McCain, who now fulminates about Gaddafi having “American blood on his hands,” counseled the Libyan leader that the release was a “very sensitive issue” in the US and that he should handle it discreetly, “in a way that would strengthen the growing relationship between our two countries, rather than hinder its progress.” Ultimately Gaddafi and other leading Libyan officials gave a hero’s welcome to Megrahi, who has proclaimed his innocence and had been set to have his appeal heard when the Scottish government released him.

            Other cables highlight the increasingly close US-Libyan military and security cooperation. One, sent in February 2009, provides a “security environment profile” for Libya. It notes that US personnel were “scheduled to provide 5 training courses to host government law enforcement and security” the next month. In answer to whether the Libyan government had been able to “score any major anti-terrorism successes,” the embassy praised the Gaddafi regime for having “dismantled a network in eastern Libya that was sending volunteer fighters to Algeria and Iraq and was plotting attacks against Libyan security targets using stockpiled explosives. The operation resulted in the arrest of over 100 individuals.” Elements of this same “network” make up an important component of the “rebels” now armed and led by NATO.

            Asked by the State Department if there existed any “indigenous anti-American terrorist groups” in the country, the embassy replied “yes”, pointing to the Libyan Islamic Fighting Group (LIFG), which it noted had recently announced its merger with Al Qaeda in the Lands of the Islamic Maghreb (AQIM). Again, elements of the LIFG are active in the leadership of the so-called rebels.

            An April 2009 cable preparing Muatassim Gaddafi’s trip to Washington that month stresses plans for anti-terrorist training for Libyan military officers and potential arms deals. In its conclusion the embassy states: “The visit offers an opportunity to meet a power player and potential future leader of Libya. We should also view the visit as an opportunity to draw out Muatassim on how the Libyans view ‘normalized relations’ with the U.S. and, in turn, to convey how we view the future of the relationship as well. Given his role overseeing Libya’s national security apparatus, we also want his support on key security and military engagement that serves our interests.”

            A May 2009 cable details a cordial hour-long meeting between Gaddafi and the then-head of the US Africa Command, General William Ward.

            An August 2008 cable, a “scene setter” for the “historic visit” of Secretary of State Condoleezza Rice to Tripoli, declares that “Libya has been a strong partner in the war against terrorism and cooperation in liaison channels is excellent … Counter-terrorism cooperation is a key pillar of the U.S.-Libya bilateral relationship and a shared strategic interest.”

            Many of the cables deal with opportunities for US energy and construction firms to reap “bonanzas” in the North African country and note with approval privatization efforts and the setting up of a Tripoli stock exchange.

            Others, however, express concern, not about the Gaddafi regime’s repressive measures, but rather foreign policy and oil policy moves that could prejudice US interests. Thus, an October 2008 cable, cynically headlined “AL-QADHAFI: TO RUSSIA, WITH LOVE?” expresses US concern about the Gaddafi regime’s approach to Russia for lucrative arms purchases and a visit to Tripoli harbor by a flotilla of Russian warships. One month later, during a visit to Moscow, Gaddafi discussed with the Putin regime the prospect of the Russian navy establishing a Mediterranean port in the city of Benghazi, setting off alarm bells at the Pentagon.

            Cables from 2008 and 2009 raise concerns about US corporations not getting in on “billions of dollars in opportunities” for infrastructure contracts and fears that the Gaddafi regime could make good on the Libyan leader’s threat to nationalize the oil sector or utilize the threat to extract more favorable contracts from the foreign energy corporations.

            The cables underscore the hypocrisy of the US and its allies in Britain, France and Italy, who have championed “regime change” in the name of protecting Libyan civilians and promoting “democracy.”

            Those like Obama, Sarkozy, Cameron and Berlusconi who have branded Gaddafi a criminal to be hunted down and murdered were all his accomplices. All of them collaborated with, armed and supported the Gaddafi regime, as US and European corporations reaped vast profits from Libya’s oil wealth.

            In the end, they seized upon the upheavals in the region and the anti-Gaddafi protests in Libya as the opportunity to launch a war to establish outright semi-colonial control over the energy-rich country and rid themselves of an ally who was never seen as fully reliable or predictable and upset his patrons with demands for better deals with big oil, closer ties with Russia and China and the threat of replacing the euro and dollar with a “gold dinar.”

            Bill Van Auken is a frequent contributor to Global Research. Global Research Articles by Bill Van Auken

  11. ezequiel diz:

    Concordo com muito do que escreveste. Com quase tudo, aliás. O envolvimento da NATO na questão Líbia terá consequências nada desejáveis para a Europa, desde ajudar a consolidar a sucursal da AQaeda na Líbia (ao conferir validade à noção de que o mundo islâmico está a ser invadido pelo ocidente e que os seus recursos estão a saque) etc etc.

    Algumas notas, apenas. Apesar do envolvimento da NATO na Líbia, a situação não é a mesma. Na Líbia, a NATO tem ajudado os insurgentes/rebeldes com forças especiais e bombardeamentos selectivos de alvos “Gaddafi.” (não estou a justificar coisa alguma, apenas a tentar explicar as diferenças entre Iraque e Líbia) Não se trata de uma invasão en masse (iraque), como é evidente.

    Todavia, como dizes, é bt provável que a Líbia se transforme num Iraque (fragmentação, tribalismo, guerra civil, etc)

    Fui e sou contra as estúpidas (e trágicas) guerras do Iraque e do Afeganistão. E considero a intervenção da NATO na Líbia um tremendo erro de estratégia. Todavia, o petrol é coisa tenebrosa: não se meteram no Egipto pq n há lá petrol, nem na Tunísia (idem) mas apressaram-se a saltar para a Líbia. Os realistas diriam que estão em causa interesses vitais da Europa (leia-se: EMI italiana, Elf Total etc). Resta saber se os interesses vitais da Europa são meramente económicos.

    cumps
    ezequiel

    • Leo diz:

      E não é inteiramente válida a “noção de que o mundo islâmico está a ser invadido pelo ocidente e que os seus recursos estão a saque” ?

      Caramba, numa década já vão na invasão e ocupação de três países muçulmanos e continuam a desestabilizar uma série de outros: Somália, Iémen, Paquistão, Sudão, Síria, Irão, etc. E é o ocidente que interfere e intervém para a todo o custo manter o status quo no Bahrain, no Qatar, Emiratos, Arábia Saudita, Omã, Jordânia, Tunísia, Egipto, nestes últimos mudando apenas as moscas.

      E a sua criminosa ingerência na Líbia visa não apenas o controlo das riquezas e recursos do país como o estabelecimento de bases militares no Norte de África muçulmano.

      E ainda tem dúvidas sobre os motivos da Europa? Francamente, pá, não há pachorra.

    • Helena Borges diz:

      Ezequiel, “selectivos” será o melhor adjectivo para qualificar os bombardeamentos? Se considerarmos que as infra-estruturas do petróleo não foram atingidas, sim, será.

      Cumprimentos!

  12. ezequiel diz:

    Leo, nuns casos a ingerência pode ser justificada.
    Imagine se o estado Paquistiniano é tomado de assalto por talibans.
    Quer ver ADM nas mãos de fanáticos que já ameaçaram varrer a Índia do mapa.

    Não interviria na Somália, quando é sabido que a al shabaab, longe de ser um movimento de “resistência”, é um das principais causas da tragédia que decorre na Somália?

    Há outros casos.

    O Leo deveria perceber que vive num mundo profundamente interdependente.
    O Sudão, a Síria etc etc desestabilizaram-se a si próprios. Você gosta de pensar que o império malévolo tem capacidade para moldar o mundo à sua imagem. Uma noção tão ingénua quão absurda.

    • Leo diz:

      A ingerência nunca é justificada. Há que respeitar a soberania de todos os povos, sejam eles norte-americanos, paquistaneses, portugueses, da Somália, do Irão, da China ou da Conchichina. E a Somália nunca agrediu país algum e anda há décadas a ser agredida e invadida,

      Eu nunca usei termos foleiros de “império malévola”, procuro ser rigoroso. Agora o que digo – é um facto, é público – é que os USA até já tentaram ocupar a Somália. Meteram lá as tropas mas foram corridos. Nunca a Somália sequer pensou agredir os USA.

      A Carta da ONU estabelece o respeito por todos os povos e a soberania de todos os países. E é nela que está estabelecida a legalidade internacional, não nas tretas de que fala.

  13. ezequiel diz:

    errata:
    Não interviria na Somália, quando é sabido que a al shabaab, longe de ser um movimento de “resistência”, é um das principais causas da fome.

  14. ezequiel diz:

    errata:
    Não interviria na Somália, quando é sabido que a al shabaab, longe de ser um movimento de “resistência”, é uma das principais causas da fome etc

  15. ezequiel diz:

    Leo

    Tenta ser rigoroso mas esqueceu-se de mencionar q os EUA foram para a Somália com um mandato das Nações Unidas para proporcionar apoio logístico para uma imensa missão humanitária. Espero que agora não desqualifique as NU. Logo depois de ter mencionado a questão da soberania e a sua consagração na Charter das NU. 🙂

    Qual terá sido o interesse malévolo que moveu os EUA a participar nesta missão das NU?

    Ah, n se esqueça. Seja rigoroso para a próxima. Você não percebe quão simplista é a sua interpretação das RI?? Até parece uma versão comunoíde da mão invisível dos neo-liberais. Só que a Vossa mão é visível. São os yanks. Pronto. É o rigor McDonald’s! 🙂

    O direito internacional NU contempla a inviolabilidade dos direitos de soberania. Todavia, todos sabemos que num mundo inter-dependente estas “leis” (sem organismo que assegure a sua de facto implementação) são pouco mais do que ficção. Desde sempre.

    Seja rigoroso e acorde para o mundo, Leo. 🙂
    Cumprimentos
    z

    • Leo diz:

      Que diferença faz que tenha havido mandato da ONU para a Somália? Nenhuma. Agora também houve um mandato da ONU. Exactamente como o da Somália por alegadas “razões humanitárias”. Ambas as intervenções redundaram num desastre total.

      A ONU não precisa de ajuda para se desqualificar, é perita nisso.

      E os motivos para a ingerência dos USA na Somália em parte são idênticos para a ingerência na Líbia: a excelente situação geo-estratégica de ambos os países, por exemplo. Onde há muito deseja expandir o seu império de bases militares.

      A soberania é sistemáticamente violada apenas porque os USA detêm força. Usar força bruta é direito de brutamontes, o direito do mais forte, a lei da selva.

      Uma regressão civilizacional. Não é esta a legalidade que defendo, parece que é a que o Ezequiel defende. Lamento.

      • José diz:

        Bom, então qual é a legalidade que defende o Leo, considerando que não reconhece a ONU como emissora dessa mesma legalidade?
        A da não-ingerência absoluta fora das fronteiras?
        Parece o argumento por excelência da direita ultra conservadora norte-americana em termos de definição da política de relações externas…
        Tivesse o seu ponto de vista vencido no Congresso e Hitler teria ganho a guerra.
        Há algum momento histórico em que o Leo considere que a intervenção externa possa ter tido um carácter positivo?

        • Leo diz:

          Não distorça as minhas ideias. Fui muito claro quando mencionei a Carta da ONU.

          • José diz:

            Não quero, de forma alguma, distorcer o que quer que seja.
            Mas você não explica se há ou não, na sua opinião, alguma intervenção positiva.
            E, quando diz que “A soberania é sistemáticamente violada apenas porque os USA detêm força. Usar força bruta é direito de brutamontes, o direito do mais forte, a lei da selva.”, mesmo sabendo que nos casos supra, os USA tinham a legalidade do seu lado, nos termos da Carta da ONU e do mandato das suas instituições, fica-se sem perceber, em que legalidade o Leo acredita, nomeadamente se é apenas naqueles casos em que lhe dá jeito.

        • Boldino diz:

          Como?

          Hitler tinha ganho a guerra.?Em Junho de 1944 já Hitler estava “aniquilado”.

          Se não o incomadar muito, explique quais as razões que nos casos do Bahrein e do Yemen os países da NATO, atuaram precisamente ao contrário que na Líbia?

          E a ONU que papel desempenhou? O silêncio, colaborante.

          • José diz:

            Boldino, os EUA entraram na guerra europeia em 1942 de forma oficial.
            De 1942 até ao final da guerra, a sua indústria permitiu salvar a URSS e a Grã-Bertanha de Hitler.
            Os países da Nato enviaram aviões para bombardear os manifestantes no Bahrein e no Yémen? Não sabia.
            A Onu esteve silenciosa no Bahrein e no Yémen? Tenho que rever bem os sites que consulto, devem ter sido atacados por hackers…
            Ou talvez seja melhor que o Boldino se informe antes de escrever disparates.

  16. ezequiel diz:

    400 (ou, mais precisamente: 160) homens foram “corridos” por + ou – 4000 milícias somalis e deram cabo de 1500 apoiantes do lorde tribal Aidid.
    congrats para si, Leo,

  17. De diz:

    Um outro olhar sobre a Líbia…
    e que confirma as palavras de Helena Borges

    http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/stephen-lendman-libia-manter-viva-chama.html

  18. Boldino diz:

    Ao contrário daquilo que os orgãos de informação dominantes tentam fazer crer a verdade não é uma via de sentido unico.

    http://www.dailymotion.com/video/xkpvo3_libia-los-rebeldes-del-imperio_news

  19. ezequiel diz:

    O interesse geo-estratégico da Somália é imenso.
    Em termos de importância estratégica, a Somália só é comparável à Patagonia.
    E, mesmo assim, não sei, não sei. É até provável que seja um pouco mais importante do que a Patagonia.

    O Leo foi muito claro e demonstrou que não sabe que os Americanos andam a fechar bases por todo o lado.

    • Leo diz:

      “os Americanos andam a fechar bases por todo o lado.” ????

      Mantém umas 100 e tal na Coreia do Sul, outras tantas no Japão, outras tantas nos países do Golfo, umas 50 e tal só no Iraque, abriu novas bases na Colômbia. Hungria, Polónia, República Checa, Roménia, Albânia.

      Mantém bases na Itália, Alemanha, Bruxelas, Grã-Bretanha, Irlanda… anda desesperadamente a tentar abrir bases em África, aqui sem grande sucesso, pois só tem uma por lá.

      Isto é mantém mais de 1.000 bases em mais de 100 países mas o Ezequiel descobriu que estão a fechar.

      Cada um descobre o que entende. Mas esta parvoice só é ultrapassada pela sua outra descoberta de que a Somália “não interessa”. Cresça, Ezequiel!

    • Boldino diz:

      Por a Somália se encontrar numa zona estratégica sacrifica-se um povo?

      Não fecham bases, transferem de uns locais para outros. Tanto assim que têm aument

      • Boldino diz:

        Tive que ausentar-me , quando estava a escrever o texto anterior, um familiar meu colocou-o inadvertidamente aqui incompleto.

        As minhas desculpas.

        Mas continuando a responder ao Ezequiel.

        A Somália, tal como o estreito de Malaca são das zonas estrategicamente mais sensiveis do planeta.

        Por isso mesmo quando a OTAN e os seus perceiros (Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia) começaram a enviar os seus vasos de guerras para a região, os Russos, Chineses e Indianos também marcaram presença.

        Se analisar-mos as origens deste conflito ( e outros da região), verificamos que têm todos os mesmos objetivos. Dominio das riquezas naturais e controle das vias de escoamento. É assim no Cáucaso, na Ásia Central, Birmânia, Estreito de Malaca, Afeganistão, Iraque, Irão, e por aí fora. Tudo isto faz parte do mesmo xadrez geopolitico e geoestrategico.

        Halford Mackinder defendeo-o , Brzezinski é da mesma opinião. Afonso de Albuquerque muitos séculos antes já sabia que controlando as passagens estratégicas do Indico dominava todo o comércio da região.

        No entanto por a Somália fazer parte desse jogo , nada justifica que se condene a sua população ao extreminio através da fome e da guerra.
        Qualquer povo tem o direito de escolher o seu destino sem interferências externas ou submissão a interesses alheios.

        Apenas reconhecendo estes principios, podemos fazer uma analise objetiva e isenta da situação atual que se vive naquela região de África, não é apenas a Somália que aguça o apetite.

        É precisamente isso que o Caro Ezequiel tem vindo negar . Quando tenta obliterar as razão dos agredidos, adulando os crimes dos agressores.

        Quanto às bases Americanas espalhadas pelo mundo. Já alguém respondeu por mim. Acrescento apenas que o seu infeliz “desabafo” mostra claramente que a sua visão do mundo actual está fatalmente deformada.

        Lembro-lhe apenas que só na Alemanha existem mais de 200 bases Americanas.

        • José diz:

          “Lembro-lhe apenas que só na Alemanha existem mais de 200 bases Americanas.”
          É curioso: este número (200) anda por aqui há algum tempo, mas ninguém consegue dizer a fonte.
          Por outro lado, procurando na net, mesmo nos sites oficiais, não se consegue somar praticamente 10% desse número de bases na Alemanha, precisamente na antiga zona de ocupação norte-americana. Nenhuma, por exemplo, na antiga DDR.
          Mas, enfim, o Boldino deve ter acesso a informações que outros não conseguem obter.

  20. De diz:

    Os sujos de sangue devem ser denunciados

  21. De diz:

    Ainda bem que está de acordo
    Rassmussen não devia ter sido só atingido com tinta vermelha
    Devia estar em frente de um tribunal por crimes de guerra.
    E a Nato acusada de organização terrorista

  22. ezequiel diz:

    http://www.cbo.gov/doc.cfm?index=4665&type=0

    Qual é o interesse estratégico da Somália? Ou, mais precisamente, qual é o interesse dos EUA em estabelecer uma ou várias bases na Somália? Ajude-me a crescer, Leo. Explique-me porquê??

    Será a pirataria nas costas do norte do país?

    A necessidade de conter o al-shabaab e impedir a sua migração para o Iémen, no sul??

    • Boldino diz:

      Não sabe as razões para estabelecer bases na Somália? Talvez as mesmas que os Franceses têm para manter uma grande ali ao lado.

      Mas o melhor é perguntar ao Afonso de Albuquerque porque razão ocupou a ilha de Sukotra “Suqutra” e tentou conquistar Adén. Nesse tempo ainda não existia o canal de Suez e o petroleo pouca utilidade tinha, mas o gajo já sabia que dali via tudo.

    • Boldino diz:

      O que este diz documento é falso.
      As bases militares aumentaram no exterior substancialmente. Em particular na Europa e na Ásia Central, passaram a ter acesso à base de Cam Ramh no Vietnam , a base de Subic Bay nas Filipinas, de onde tinham saido em 1991, começou a ser utilizada de novo.

      Vão sair da base de Manas no Quirguistão, mas estão a construir uma maior no sul. Estão construindo outra de vigilancia eletrónica e intercepção de comunicações (alvo? China) nos montes Pamir Tadjiquistão.

      Reativaram a 4ª esquadra naval na América do Sul, pretendem construir cerca de meia dúzia na Colômbia, estão acabando de construir outra no Paraguai, e o AFRICOM já está aí em força.

      O orçamento militar dos EUA já representa cerca de 50% de todos os outros países juntos.

      Dizer que vão diminuir as despesas e reduzir apresença militar no exterior é pura retórica. No entanto ainda há quem acredite nisso.

      Qual é neste momento o país da Europa pertencente à OTAN que não tem pelo menos uma base Americana? E naqueles países da Europa que não pertencem a esta organização belicista, dispõem de facilidades de apoio.

      Os EUA estão hoje presentes em mais de cem países a nivel global. Essa é que é a realidade.

      • José diz:

        O documento é falso, diz o Boldino. Como sabe?
        Os militares norte-americanos têm bases em mais de cem países? Acredito. E então?

  23. ezequiel diz:

    Perdão,

    para o Iémen, no Norte.

  24. ezequiel diz:

    Boldino,

    “Por a Somália se encontrar numa zona estratégica sacrifica-se um povo?”

    Pergunte ao al-shabaab e aos milhares de refugiados somali!!!

    • Boldino diz:

      Ezequiel quem foi que criou esta situação.?

      Não sabe? Tem duas opções. Cala-se para não despejar mais boçalidades. Ou então informar-se com quem sabe.

  25. ezequiel diz:

    É isso mesmo que estou a fazer.
    A informar-me “com quem sabe.” Ou seja, consigo e com o De e companhia.

    Agora ilumine-me: quem foi que criou esta situação:

    1) O Império Malévolo

    2) Os Sionistas

    3) Afonso de Albuquerque

    4) Os Franceses

    5) Os Flintstones e os Simpsons

  26. ezequiel diz:

    Mas não sabia que tinham uma base no Vietnam.
    Fantástico. 🙂

  27. Hans diz:

    Não ocorre ao Boldino e restantes “especialistas em estratégia” que os estreitos podem ser protegidos por porta aviões. Os Americanos tem vários. A Somália não tem qualquer valor estratégico na presente era. A base Francesa no Djibouti foi estabelecida não por causa da Somália mas por outras razões relacionadas com a presença Francesa em África. Além do mais, é bom lembrar que as causas da situação atual na Somália não tem rigorosamente nada a ver com as políticas dos países ocidentais.

    “Por isso mesmo quando a OTAN e os seus perceiros (Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia) começaram a enviar os seus vasos de guerras para a região, os Russos, Chineses e Indianos também marcaram presença.”

    Esta mobilização generalizada não teve nada que ver com a importância estratégica da Somália mas com o perigo crescente de pirataria naquela zona. Vários navios Indianos, Russos e outros foram sequestrados. Nem Russos, nem Indianos ou outros decidiram estabelecer bases na Somália. Só um estratega imbecil poderia desejar estabelecer presença militar no caos chamado Somália. É por isso que quase ninguém se interessa com aquele país merdoso. É só problemas. Terroristas, fome, piratas etc etc. Não tem ponta por onde se pegar. Um perfeito inferno.
    Hans Buckhart

  28. Hans diz:

    “Nem ainda agora percebeu que quem faz todo o combate é a NATO? ”

    É isso. Aqueles senhores e senhoras escurinhos/as que dizem ser “rebeldes” são soldados da NATO disfarçados de Libios.

    ««««««««»»»»»»

    “Mas o melhor é perguntar ao Afonso de Albuquerque porque razão ocupou a ilha de Sukotra “Suqutra” e tentou conquistar Adén. Nesse tempo ainda não existia o canal de Suez e o petroleo pouca utilidade tinha, mas o gajo já sabia que dali via tudo.”

    O Afonso era um genio fisicamente sobredotado. Tinha uns olhos enoooormes e penetrantes! Via tudo. Dali via o estreito. Genial, cara. Genial!!!

    • Boldino diz:

      Afonso de Albuquerque era de tal modo genial que se preocupou conquistar todos os locais estratégicos de passagens para o Índico.

      Se tinha os olhos grandes, não sei? Que os seus são muiiiiiiito pequiiiiiiiinos, que não vêm mais que um palmo frente ao nariz, nisso o seu comentário não deixa dúvidas.

  29. Hans diz:

    Onde foi parar meine comentário acerca da futilidade das bases militares na era da RMA (das revolution in military affairs)? Demonstrei que o raciocinio do Leo Boldino acerca da importancia estrategica da Somalia era uma tontaria.

  30. ezequiel diz:

    Afonso de Albuquerque era de tal modo genial que se preocupou conquistar todos os locais estratégicos de passagens para o Índico.

    Vamos lá a ver:

    1-o suez ainda n existia *
    2-logo, por conseguinte, conseqtmt, aquele não era um LOCAL ESTRATEGICO DE PASSAGEM PARA O INDICO. (era um cul de sac nautico)

    Releia o que escreveu.
    Devagar.

    Boa noite,

    *(Nesse tempo ainda não existia o canal de Suez e o petroleo pouca utilidade tinha, mas o gajo já sabia que dali via tudo.)

    O gajo sabia que havia umas gajas giras na Índia. Acho que sabia sim senhor. 🙂

  31. De diz:

    Entretanto vamos sabendo mais “coisas”da guerra nojenta levada a cabo pela valente soldadesca americana:
    US Targetted Assassinations in Iraq confirmed by Wikileaks Archive :
    “…Meanwhile, a cable in the latest tranche of documents released suggests US troops executed 10 Iraqi civilians, including an elderly woman and an infant, before bombing to destroy the evidence.

    The controversial 2006 incident in the central Iraqi town of Ishaqi involved the execution-style murder of 10 civilians including a woman in her 70s and a 5-month-old infant.

    The unclassified cable, which was posted on WikiLeaks’ website last week, contained questions from a United Nations investigator about the incident, which had angered local Iraqi officials, who demanded some kind of action from their government.

    US officials denied at the time that anything inappropriate had occurred.

    But Philip Alston, the UN’s special rapporteur on extrajudicial, summary or arbitrary executions, said in a communication to US officials dated 12 days after the March 15, 2006, incident that autopsies performed in the Iraqi city of Tikrit showed that all the dead had been handcuffed and shot in the head.

    Among the dead were four women and five children.

    The children were all 5 years old or younger.

    Reached by email on Wednesday, Alston said that as of 2010 – the most recent data he had – US officials hadn’t responded to his request for information and that Iraq’s government also hadn’t been forthcoming.

    He said the lack of response from the United States “was the case with most of the letters to the US in the 2006-2007 period,” when fighting in Iraq peaked.

    Alston said he could provide no further information on the incident.

    “The tragedy,” he said, “is that this elaborate system of communications is in place but the (UN) Human Rights Council does nothing to follow up when states ignore issues raised with them.”

    The Pentagon didn’t respond to a request for comment.

    At the time, American military officials in Iraq said the accounts of townspeople who witnessed the events were highly unlikely to be true, and they later said the incident didn’t warrant further investigation.

    Military officials also refused to reveal which units might have been involved in the incident. “

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