Eles não têm tomates para isso…


Pedro Passos Coelho e Vítor Louçã Gaspar foram lestos, muito lestos, a encontrar uma forma de roubar metade do Subsídio de Natal aos trabalhadores portugueses. Já quanto à taxação das grandes fortunas, ah e tal, vamos pensar, logo se vê.
Como é óbvio, a não ser que tomem alguma medida meramente simbólica para tapar os olhos aos burros, tipo uma taxa de 1% sobre os bens móveis, Pedro Passos Coelho e Vítor Louçã Gaspar não vão ter coragem para mais nada. Vão alegar o perigo da fuga de capitais, mas a realidade é outra. O que eles defendem é os seus amigos, aqueles que mais contribuiram para as suas campanhas eleitorais, para a sua chegada ao poder. Não há almoços grátis.
E no fundo, defendem-se também a eles próprios, que também seriam chamados a contribuir se a medida avançasse. Basta olhar para as Declarações de Rendimentos entregues no Tribunal Constitucional por ministros como Paulo Macedo, José Pedro Aguiar-Branco ou Miguel Relvas.
Já em relação aos socialistas, o que têm a menos em tomates têm a mais em falta de vergonha. Depois de terem estado no poder nos últimos 6 anos (e em 8 dos 10 anos anteriores), vêm com a maior das canduras propor a taxação dos rendimentos do capital e falar de justiça social. E então por que é que não tomaram essa medida e aprovaram um dos muitos projectos que PCP e BE apresentaram? O Carlos Guedes responde.

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20 respostas a Eles não têm tomates para isso…

  1. Kid Karocho diz:

    Deixa estar que o Figueira vai ajudar o Relvas a mostrar-te como estás enganado acerca deste e de outros assuntos

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Deixa lá o Figueira em paz. Não tens outro assunto?

      • Kid Karocho diz:

        É uma questão de credibilidade. Da vossa credibilidade. Telhados de vidro e tal…

        • Carlos Guedes diz:

          Telhados de vidro não temos! Há as paredes de vidro de que falava o Cunhal e pouco ou nada mais!
          Da nossa credibilidade o Kid Karocho nada poderá dizer. Até porque eu tenho nome e dou a cara. E o Kid? Quem
          é? Ao que vem?

          • Kid Karocho diz:

            Realmente não preciso de dizer nada quanto à vossa credibilidade,
            basta contemplar e comparar as vossas retórica e as vossas acções.

            Não sabia que na Internet agora havia “checkpoints” para verificar a identidade de cada um…
            Para ti sou o Karocho e basta.
            “I am what I am, and that’s all that I am”, Popeye

  2. pappy diz:

    O quê? o gato gaspar é primo do Francisco Louçã?

    • Augusto diz:

      Qual é a admiração…….I

      Isso foi publicado por toda a imprensa, na altura em que o figurão foi nomeado.

  3. Pascoal diz:

    Também és daqueles que insistia em falar do Alvaro Barreirinhas Cunhal?

  4. Rafael Ortega diz:

    Imposto sobre as grandes fortunas, tudo muito certo…

    Mas ainda não vi ninguém explicar bem como pretende fazer. Se eu tiver 10 quadros do Picasso, tenho de certeza património no valor de vários milhões. Mas pago imposto por ter os quadros? E como se os meus milhões forem os quadros?

    O que me parece é que isto vai ser um novo ataque à classe média-alta (que já paga uma percentagem valente de impostos). Basta pensar que em França o novo imposto vai recair sobre quem aufere mais de 150 mil euros. Como não vi em lado nenhum escrito que são 150 mil euros mensais, assumo que são anuais. O que dá (a 14 meses) 11 mil euros mais coisa menos coisa.
    Ora com 11 mil euros mês, cortados quase pela metade devido a IRS, fica-se com 5500€. O que, dando para viver bem, não me parece que seja milionário.

    • Antónimo diz:

      eu como falso recibo verde (agora sou realmente freelancer ou desempregado) também ficava com cerca de metade dos meus pouco menos de 1500 euros, entre segurança social e IRS, qual é o problema? lá por não estar na classe média segundo a definição do Américo Amorim até ia jantar fora muitas vezes

      • Rafael Ortega diz:

        Se gosta que lhe cobrem em impostos 50% do rendimento, então acho que não há nenhum problema…

        • Augusto diz:

          Américo Amorim, tem uma fortuna calculada em dois biliões e quinhentos milhões de euros.

          Declarou um rendimento ANUAL de 250.000 euros, se fôr colectado com um novo imposto, de por exemplo 3% em sede de IRS irá pagar um valor perfeitamente irrisório.

          Se o imposto fôr sobre a totalidade da sua fortuna, certamente Amorim não fica pobre, mas o valor será mais substancial .

          O que é ridiculo é esta preocupação , quando se mexe com os mais ricos.

          Roubaram a muitos portugueses remediados, metade do subsidio de Natal.

          Os passes sociais tiveram um aumento ESCANDALOSO, e irão acabar definitivamente, para todos os portugueses com rendimentos superiores a 500 Euros mensais.

          Aumentaram o IVA para a taxa máxima na Luz e no Gás para TODA a população, mesmo para aqueles que ganham o salario minimo , ou têm pensões de 200 Euros.

          A omparticipação nos medicamentos vai sofrer um corte brutal , os mais pobres terão em muitos casos deixar de se tratarem.

          Todo este ataque aos portugueses mais pobres ou remediados , não mereceu qualquer reparo, destas inteligências instaladas no poleiro.

          Assim que se falou em criar um imposto sobre as grandes fortunas, levantou-se um clamor de virgens ofendidas.

          È PRECISO LATA.

          Há quem ande a brincar com o fogo, e o povo português de brandos costumes não tem nada.

          • Rafael Ortega diz:

            “tem uma fortuna calculada em dois biliões e quinhentos milhões de euros.”

            Primeiro, não diga biliões, que isso em português é outra coisa.
            Como refere, e bem, esse valor (assumindo que quer dizer 2 mil e quinhentos milhões de euros) é a fortuna calculada.
            Não tem esse dinheiro todo no banco, prontinho a entregar.

            A maior parte disso é o valor das acções que possui. O Estado pode cobrar imposto quando se recebe os dividendos das acções.
            Pelo seu raciocínio um qualquer sócio de uma empresa pode ver ser-lhe cobrado imposto só por ser sócio, e não quando recebe a sua parte dos lucros (que é o normal).

        • Antónimo diz:

          Caro Rafael Amorim Ortega, Não fui eu que me queixei pois não?

    • Joãozinho diz:

      A taxa adicional de 3% incide em França sobre quem ganha mais de € 500.000,00:
      http://www.bbc.co.uk/news/business-14656486

      De todo o modo, a proposta de taxar mais os rendimentos dos “ricos” em Portugal é apenas atirar areia para os olhos do Povo. Basta ver que em 2009, existiam 3.736 contribuintes a declarar rendimentos superiores a 150 mil euros e que entregaram ao Estado 571 milhões de euros de IRS (7% do imposto liquidado nesse ano). Daí que uma taxa adicional de 3% ou mesmo 5% sobre esses montantes não teria mais do que um valor meramente simbólico, em nada comparável ao que é possível obter com o “assalto” à classe média.

      Muito mais relevante e digna de discussão é a proposta de Miguel Cadilhe: um imposto extraordinário sobre os PATRIMÓNIOS mais elevados, seja de pessoas singulares ou colectivas, empresas ou não, alocado EXCLUSIVAMENTE ao abate da dívida pública.

      Poder-se-ia retirar da alçada do imposto uma isenção de base e dispensar os bens mais pessoais da declaração. O património tributável seria o activo líquido de passivos. A contribuição teria de ter um cariz excepcional, único e imediato, como a nova taxa extraordinária de IRS, para evitar o avolumar da fuga de capitais e investidores.

      Não tendo liquidez para pagar já o imposto, o contribuinte poderia pedir o seu desdobramento ou substituí-lo por dação de activos em cumprimento:
      http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=502909

      É fácil compreender porque é que taxar o património seria muito mais rentável do que tributar os rendimentos. Basta ver que, segundo o «Correio da Manhã», o “assalariado” Américo Amorim declara 265 mil euros no IRS e paga 64 mil às Finanças, enquanto que o seu património é avaliado em 2,6 mil milhões de euros:
      http://www.agenciafinanceira.iol.pt/dinheiro/ricos-milionarios-irs-impostos-rendimentos-agencia-financeira/1275539-3851.html

      O problema da tributação do património mobiliário é o facto de ser, como o próprio nome indica, “móvel”. Dinheiro pode ser depositado em contas offshore, títulos mobiliários podem ser escondidos em veículos de investimento com sede em paraísos fiscais e obras de arte podem ser ocultadas em casa de amigos.

      Todavia, se a Exame e a Forbes conseguem fazer um cálculo do património dos nossos mi(bi)lionários, será de prever que o Fisco também seja capaz de uma estimativa suficiente para obter uma receita razoável (nem que tenha de começar por ler o que se escreve nessas publicações).

      Aliás, podiam já começar por aqui: a Christie’s já avaliou a Colecção Berardo instalada no CCB em 316 milhões de euros:
      http://www.dnoticias.pt/actualidade/5-sentidos/159078-coleccao-berardo-vale-316-milhoes-de-euros-diz-christies

      3% disso são mais de 9 milhões de euros, mais de 40 vezes o que Berardo declara de rendimentos ao IRS (€ 230.000,00) e de 100 vezes o que ele efectivamente pagou (€ 77.000,00)! Não havendo liquidez para entregar esse valor ao Estado, há mais de 800 obras por onde escolher.

      Se a colecção fosse propriedade pessoal de Joe Berardo, provavelmente não seria activo líquido tributável (é bem sabido que o homem está atolado em dívidas). Todavia, as obras pertencem antes à Associação Colecção Berardo, que, presumo, terá a sua própria personalidade jurídica, podendo assim o seu património ser autonomamente avaliado e tributado.

      Vendo que, todas juntas, as 25 maiores fortunas portuguesas estão avaliadas em 17,4 mil milhões de euros (cerca de um décimo do PIB), percebe-se que há aqui uma ampla oportunidade de obtenção de receita, com superior equidade e inferior sacrifício, face a medidas como o aumento do IVA da electricidade em 17 pontos percentuais .

      Não obstante, importa rejeitar a ideia (que se tem vindo a instalar como narrativa nos media e nas conversas de rua) que a tributação dos ricos é uma panaceia para os nossos males. Todas as medidas que impliquem mais transferência de fundos da sociedade para o Estado, nesta altura, deviam ser ponderadas única e exclusivamente como políticas transitórias, destinadas a sustentar o equilíbrio das contas públicas até que medidas draconianas de corte na despesa e nas “gorduras” do Estado possam ser implementadas.

      De facto, Portugal tem de saber gerar e atrair capitais e capitalistas, o que não se consegue com pesadas cargas tributárias. E para quem gosta de invocar a alta tributação nórdica como exemplo do contrário, será talvez conveniente chamar a atenção para o grau de liberdade económica aí existente, que nada tem a ver com o nosso caso:
      http://www.heritage.org/index/ranking

      • Rafael Ortega diz:

        Não sabia que em França era só a partir dos 500 mil €. Devo ter confundido com 150 mil quando li os dados que referiu depois.

        No entanto continuo a não perceber como se quer tributar mais.
        Pelo que li a proposta do BE pretende tributar casas e automóveis. Mas já existe IMI e Imposto automóvel (podem aumenta-lo mas esses bens já são tributados). Imposto sobre o ouro e prata (como se o Estado conseguisse descobrir quanto ouro e prata uma pessoa tem). Imposto sobre as obras de arte? Mas porque é que uma pessoa tem que pagar por ter um quadro em casa? Ou 10? Que pague se tiver lucro quando o vender ainda se aceita…

        Isto vai ficar tudo em águas de bacalhau. Quem se vai lixar vão ser os 5% de contribuintes que já paga 60% de todo o IRS…

        • Augusto diz:

          Antes de escrever, leia com atenção a proposta que o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da Republica.

          E já agora não lhe fazia mal preocupar-se tambêm, com os 3.000.000 de portugueses , que vivem abaixo do limiar de pobreza.

          3.000.000 caro Rafael Ortega, e não as 200 grandes familias, que se governam muito bem.

  5. Rui F diz:

    Claro, que a do Gaspar Louçã não foi ingénuo….

  6. JgMenos diz:

    «Vão alegar o perigo da fuga de capitais, mas a realidade é outra.»
    Entenda-se: o perigo de fuga de capitais não faz parte da realidade. Pode explicar?
    Ou faz parte da realidade mas prejudica o discurso da má-língua?

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