Para o socratino de ouro

O Valupi sempre me divertiu. Escreve bem. É inteligente. Gosta apenas de torcer a realidade. No seu último post sobre o 5 dias. Tem a seguinte conclusão: se eu sou jornalista e não gosto do capitalismo, só me resta mendigar ou trabalhar no Avante. Sem desprimor, para hipótese de um dia ter de mendigar, dado os geniais governos do engenheiro Sócrates e do apoderado Passos Coelho, eu defendo que um jornalista pode e deve exercer a sua profissão, mesmo que se oponha à forma como funciona esta sociedade. Nunca deixarei de defender as minhas ideias e pretendo viver do meu trabalho. Simples, como se vê. Sobre o processo Freeeport, o diploma do Sócrates, o processo da Cova da Beira, as casinhas da Guarda, acho normal os jornalistas investigarem esses casos. Estou completamente de acordo com as perguntas que os magistrados do caso Freeport tentaram fazer ao primeiro ministro, e que infelizmente ficaram sem resposta. E subscrevo a opinião de um membro do Conselho Superior do Ministério Público, colega de Sócrates no governo de Guterres, que escreveu que se devia ter constituído arguido o antigo primeiro ministro no caso Freeport para que fosse apurada a verdade.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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46 respostas a Para o socratino de ouro

  1. Camarro diz:

    Caro NRA

    Ainda bem que não linkaste aquela bosta de post. Fui lá ver e mete mesmo nojo!
    Pela lógica do autor, qualquer anticapitalista que trabalhe no sector privado é um embuste, um colaboracionista, certo? Sendo assim, eu, em vez de trabalhar numa instituição de ensino superior privado, deveria trabalhar… na Universidade de Havana? É esta a conclusão que se tira daquele post abjecto? Mas ainda há pessoas que escrevem coisas destas?

  2. paulo diz:

    eo bpn?

    não te toca ou o figueira não deixa

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      eu fiz bastantes reportagens sobre o BPN. Ignorava que o Sócrates estava lá metido. O apresentador da biografia dele, o imortal Dias Loureiro, sim. Viver e aprender.

    • Kid Karocho diz:

      Out of bounds, meu caro! Os donos não iam deixar! Olha lá, muito respeitinho ao facho de Belém/Boliqueime!

  3. jlcr diz:

    As perguntas dos magistrados do caso Freeport fizeram as perguntas que ficaram sem resposta. Tem a certeza? Ou está a tomar-nos todos por parvos?

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      eu não o tomo pelo que já é. Basta ler o processo, há uma listinha de perguntas ao Pedro Silva Pereira e ao Sócrates que constam do processo e não foram feitas.

      • Jose Domingos diz:

        Noto que corrigiu a mentira do post, as perguntas não foram feitas, pois não.
        É que no post, certamente por descuido, não creio que por outra razão, estava escrito que acerca das perguntas, os magistrados “tentaram fazer ao primeiro ministro, e que infelizmente ficaram sem resposta”
        Eu não lhe vou perguntar nada a si, mas vou fazer um relatório sobre este post em que constem umas peguntinhas, poderei sempre depois afirmar que lhas tentei fazer e fiquei sem resposta, ando a aprender umas coisas consigo, como vê.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          As perguntas ficaram sem resposta. é factual. eu não escrevi que os ditos senhores recusaram responder às perguntas. disse que elas não foram respondidas. A PGR não permitiu que se alargasse o prazo da investigação para que elas fossem feitas. A razão pq o fez parece-me pouco clara. Mas é assim a justiça em Portugal.

          • Zé da Póvoa diz:

            Está a meter os pés pelas mãos de forma pouco honesta. É evidente que não foram feitas quaisquer perguntas a Sócrates e portanto este nada tinha que responder.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Desonesto é o meu caro amigo. A lista de perguntas que os investigadores não puderam fazer a José Sócrates consta do despacho final do processo Freeport. São 27 perguntas para sua informação. O processo é público e pode lê-lo.

          • André Salgado diz:

            O Nuno Ramos de Almeida revela-nos uma interessante faceta de comediante. As perguntas não foram respondidas porque nunca foram feitas, tornando a sua resposta uma impossibilidade. Não permitiu a PGR que se alargasse o prazo (?!). Está a brincar, não está? Meses e meses de investigação e os senhores investigadores não tiveram “tempo” para fazer um conjunto de perguntas consideradas fundamentais ao processo às duas pessoas que muita gente (incluindo a equipa jornalística que o NRA integrava) fazia figas para que fossem os dois principais suspeitos do caso? Perderam o papel? Estiveram a jogar ao dominó? Numa coisa estamos de acordo: é assim a justiça em Portugal. Fosse qual fosse o interesse ou a relevância das perguntas e das respectivas respostas, este esquecimento por “falta de tempo”, após meses de investigação, se não dava uma boa razão para um despedimento com justa causa por manifesta incompetência, não me ocorre outra melhor.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Se os procuradores tivessem interrogado o sr. primeiro-ministro a meio do processo (antes das eleições) cairia o Carmo e a Trindade que isso teria consequências políticas. Como quiseram fazer depois de terem reunido todos os dados e perícias são incompetentes. Talvez fosse mais interessante descobrir qual foi a razão que levou que o processo fosse abruptamento terminado sem terem sido esgotadas todas as diligências. Sobre o despedimento dos ditos procuradores, o Conselho Superior do Ministério Público considerou justificados todos os procedimentos dos procuradores.

          • André Salgado diz:

            Quais eleições, Nuno? O famigerado prazo, tanto quanto eu me recordo, era por fins de Julho de 2010. Nove ou dez meses depois das legislativas de 2009. Mesmo assim não houve tempo suficiente?
            Parece evidente, a qualquer pessoa com dois dedos de testa, que a função das perguntas que ficaram por fazer era precisamente não serem respondidas, ficando a pairar sobre o encerramento do inquérito.
            Quanto à justificação formal de procedimentos, qual é a novidade Nuno? Conhece, porventura, algum exemplo em que umas das classes mais corporativas deste país se tenha penitenciado, em julgo de causa própria?

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Que classe? Grande parte do Conselho Superior do Ministério Público é nomeado pelo parlamento e não são magistrados do Ministério Público

          • André Salgado diz:

            Grande parte (da secção disciplinar, a que interessa para o caso analisado) são 3 e mais 1 designado pelo ministro da justiça, numa composição de 9.
            Continua a ser, por maioria, uma classe.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Caro André Salgado,
            O relatório foi elaborado por um relator nomeado pelo parlamento e proposto pelo PS. Foi votado em plenário, como sabe, pq o relator tinha uma opinião diferente do que a secção. Perdeu no plenário. No seu voto de vencido disse que os magistrados não deviam ter colocado as perguntas no despacho, e que deviam ter constituído Sócrates arguido.

          • André Salgado diz:

            E então, Nuno?
            Ponto prévio, para que fiquemos esclarecidos: os relatores, ao contrário do que tentou habilmente insinuar, confundindo a sua propriedade de relatores com a de membros do CSMP, não são nomeados ou propostos para serem relatores. São sorteados. Foi Castro Caldas como podia ter sido qualquer dos outros oito, o que é irrelevante. Fosse qual fosse a posição individual do relator, haveria sempre uma votação em plenário – e veja só, para desmontar teses da carochinha, que o membro do Conselho indicado pelo próprio ministro da justiça de Sócrates não votou ao lado de Castro Caldas.
            Quanto ao que realmente interessa, eu partilho da opinião de Castro Caldas: sendo essa a convicção dos investigadores, Sócrates devia ter sido consituído arguido, afinal a melhor forma de qualquer pessoa se poder defender de uma acusação. E eis que chegamos à pergunta de um milhão de dólares: porque não o fizeram e porque não diligenciaram fazer-lhe as perguntas que descobriram serem essenciais para o processo? Será porque a partir do momento em que o fizessem a colagem de Sócrates ao processo ficaria exposta como um enorme bluff? Será que as fundamentais perguntas – e era giro recuperá-las – tinham uma sofisticação desmontável por uma criança de 5 anos? Será do guaraná?

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Caro André, se os procuradores tivessem constituído arguidos o Sócrates e o Pedro Silva Pereira quando vários indícios do processo apontavam para eles. Tinha caído o Carmo e a Trindade e o meu amigo estaria a dizer que eles tinham condicionado o processo eleitoral.

          • André Salgado diz:

            Mas qual processo eleitoral, homem? Se fosse essa a preocupação – e não deixa de ser interessante que seja o Nuno a imputar esse constrangimento aos investigadores -, tiveram 9 ou 10 meses DEPOIS das eleições para decidi-lo.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            eles deviam ter constituído arguidos os dois, no momento em que tiveram conhecimentos dos depoimentos, dos documentos do freeport , dos emails, marcações de reuniões, depoimentos de familiares em que eles apareciam ligados ao caso. Isso foi antes das eleições. Se eles não fossem políticos seria isso que tinha acontecido. Os magistrados tiveram demasiados pruridos em ouvir os dois antes de terem todos os dados. Numa situação normal o reponsável directo da aprovação (o secretário de Estado) e o ministro tinham que ser ouvidos, quando mais com essa profusão de indícios.

          • André Salgado diz:

            Mas porque não? Se o problema era o processo eleitoral que não queriam perturbar, tiveram tempo de sobra para isso depois. Não me diga que – à revelia da apreciação do CSMP – ainda vamos estar de acordo sobre a falta de competência dos investigadores…

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Não estou de acordo. Não deve ter sido fácil instruir um processo que esteve parado quatro anos. Debater-se com a falta de cooperação das autoridades britânicas. Com perícias financeiras que ainda estão por chegar. Pressões várias e de muitos lados. Acosso mediático. Arquivos do Freeport convenientemente queimados. Tendo contra isto tudo, só a preciosa ajuda da Maria Alice. Tendo lido o processo parece-me que há situações incompreensíveis que os magistrados tentaram esclarecer (dinheiro não explicado em contas de intervenientes, etc…). Mas estou de acordo consigo que Sócrates e Silva Pereira deviam ter sido constituídos arguidos para que a coisa se esclarecesse. Mas não se esqueça que em Portugal há pouco tradição de “incomodar” poderosos. Recordo-me das declarações do magistrado que instruiu o processo da Cova da Beira que perante uma proposta da PJ, perante um conjunto de indícios, de ser feita uma revista à casa de José Sócrates disse numa reportagem de TV que não queria incomodar o secretário de Estado e admitiu que se fosse outro cidadão qualquer, se calhar teria ordenado a busca….

          • André Salgado diz:

            Não tenho dúvidas de que num caso de pouco significado o Nuno e eu teríamos sido incomodados. A questão dos “poderosos” coloca-se a um outro nível: não se promove a visibilidade, acredito eu. Quando esta é incontornável, como no caso Sócrates/Freeport ainda é outra a questão: o medo da investigação expor as suas falhas. Ou se sabe o que se está a fazer ou não. Nem o Relvas conseguia nomear o Aimar para ser o Aimar.

      • O passo seguinte será a beatificação de Sócrates, a quem será atribuído o milagre de nunca ter tido nada que ver com o Fripór, nunca ter sido imposto um prazo aos investigadores, nunca terem sido redigidas as perguntas, e nunca terem sido ilibados no processo disciplinar que lhes foi movido por as terem deixado no processo. A fé além de mover montanhas também move a realidade, está visto.

        • Jeronimo diz:

          mas o problema é o prazo ?
          Tiveram seis anos para investigar um processo da treta e queixam-se da falta de tempo ?
          Quanto tempo acham razoavel para manter sob suspeita uma pessoa ? 10, 20 ?
          E se tivessem trabalhado nos anos em que nao havia eleicoes ?
          E tambem acha coincidencia que só tenha havido desenvolvimentos no processo quando havia eleicoes ?

          • O Nuno já respondeu . O que vocês estão a tentar fazer é negar que os procuradores quiseram interrogar o então primeiro-ministro, e que só não o fizeram porque a determinada altura lhes foi imposto um prazo, que os impediu de o fazer.
            Depois o mesmo PGR mandou abrir um inquérito disciplinar aos procuradores, que teve como resultado o seu arquivamento. Mais claro do que isto só a pressa em aprovar um projecto em pleno governo de gestão, no mínimo com a consequência prática de beneficiar um autarca do PS.

      • jlcr diz:

        O que o sr escreve é que as perguntas ficaram sem resposta. Logo foram feitas. O sr não diz que os magistradas, como na altura disseram, tinham perguntas para fazer e que por falta de tempo não o fizeram. O sr. não é parvo mas muito esperto, mas também um perigoso mentiroso. Não o insultei no meu comentário, portanto não havia necessidade da resposta que me deu.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          vamos ver se você consegue entender. Houve no processo perguntar que ficaram sem respostas. As 27 que os procuradores queriam fazer ao Sócrates e que o PGR não achou suficientemente importantes para que se esperasse pela autorização do Conselho de Estado são algumas delas. Outras a que o processo não conseguiu responder foram elevados depósitos em algumas contas que não eram sustentados pelos rendimentos de alguns dos arguidos e testemunhas do processo. E há muitas mais. Basta ler o processo. Pelos vistos, se eu sou perigoso, você é apenas um mentiroso ignorante.

  4. Carlos Cunha diz:

    acho que sim, pá, a malta deve toda trabalhar no privado, sacar o dinheiro a esses capitalistas em vez de ir viver à conta do contribuinte, no público, pá.

  5. montenegro diz:

    Também é factual, que os 2 magistrados, lidados ao processo e que tiveram 6 anos para perguntar ao visado as 30 perguntas, só depois, do Proc. ter sido encerrado é que vieram ao lume, até publicaram de má fé, as tais 30 dúvidas -Nota: Não fizeram parte do processo, pela simples razão que o dito, tinha sido fechado pelo PGR

    Não é assim Nuno Tito Morais Ramos Almeida

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Você pelos vistos conhece pouco os factos. Os magistrados tiverem dois anos com o processo. Os quatro anos anteriores, o processo esteve convenientemente parado.

      • Jeronimo diz:

        Convenientemente para quem ?
        Para ser conveniente para Sócrates teriam que ser 5 anos, se ele tivesse algo a esconder.
        Ou menos, caso contrario.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Um processo que está 4 anos a marinar tende a prescrever. quando se pega nele, muito tempo depois, é mais difícil de se apurar os factos.

          • Jeronimo diz:

            Concordo. Mas entao, se houvesse nesse adormecimento uma mao amiga de Socrates, ela deixava passar mais tempo, dando mais oportunidade a prescricao e, sobretudo, nao o trazendo para a ribalta em 2009.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            O acordar de 2009 deve-se à carta rogatória britânica. Era uma mão distraída.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      O PGR não tinha que encerrar o processo antes das perguntas terem sido feitas. Nada o obrigava. Há peritagens que não foram respondidas. Há processos que demoraram mais tempo. Sem que isso incomode o PGR.

      • montenegro diz:

        Era uma mão distraída?

        Eu acho que a distração, foi uma boca do tamanho da TVI.

        Há longo historial, em video, das bocarras.

        Sócrates, foi o melhor 1º ministro depois do 25 de Abril, essa é que essa.

  6. montenegro diz:

    Já agora perguntava o teu diploma do ISE?

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Montenegro, eu não tenho nenhum diploma do ISE. Nunca me viste dizer que o tinha. Andei no ISE. Não fiz nenhum teste por fax nem orais no Papaçorda.

  7. montenegro diz:

    Nada obrigava…impunha-se

  8. ana diz:

    A verdade é que sócrates continua a exercer um estranho fascínio sobre muita gente. o homem foi embora e ainda há quem continue a persegui-lo e a acusá-lo porque chove ou faz calor. os procuradores, meu caro, são primeiro pessoas e só depois procuradores. com o ódio que lhe têm, tinham-no comido vivo se pudessem pegar em alguma coisa. como não puderam, inventaram e socorreram-se de todas as artimanhas. o mp é um ninho de víboras gananciosas e cobardes, que querem fazer política com segurança e no meio das maiores mordomias. não dão a cara indo para a AR defender os seus partidos, não, ali no quentinho é que é bom. honestos, há lá poucos.

  9. Angelo diz:

    Assim é que é falar (escrever) Ana. Subscrevo.

  10. V. KALIMATANOS diz:

    A merda, a merda é que as naifadas de riposta do Nuno deram para encher a barriguinha a todos sem aleijar ou matar ninguém e ainda sobrou meio arsenal de arma branca.

    Eu, que conheço o caso Freeport tão bem como uma molécula ou duas que me andam praqui a chatear antes de terem andado às voltas pelas panças do Lenine ou do Goebels, nunca fui de opinião que o diploma de carteirista só pode ser outorgado ao profissional dessa arte sob apresentação de fotografia da mão desse fulano a entrar no bolso duma vítima das suas habilidades. Este caso só será resolvido quando o canudo de Nobel da Paz abandonar por extrusão violentíssima o corpo do Kissinger. Uma probabilidade próxima do zero, digo eu.

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