Algumas notas rápidas sobre o aumento do IVA na electricidade e o engodo das tarifas sociais

1. Segundo a DECO,  43% da factura de electricidade não está dependende do consumo da mesma mas de “taxas extras” que revertem para a EDP (a mesma que será privatizada).

2. Segundo a DECO também, a poupança por familia com a nova tarifa social situar-se-á entre os 0,60 e os 0,80 € por familia. Os valores considerados para este ano variam entre os 0,19€ e os 0,79€ (valores sem IVA), dependendo da potência contratada.

2. O IVA a 23% para a electricidade não distinguirá entre ricos, pobres e remediados. É a sua natureza de imposto universal. Se considerarmos uma factura média de 40€ de consumos, disponibilidades e taxas  (que não dará sequer para ligar muito tempo uns aquecedores no Inverno, mas o Ministro da Educação já deverá ter um estudo que relaciona a fraca condição económica com uma forte resistência às adversidades climatéricas) e lhe acrescermos um IVA de 6% temos um valor a pagar de 42,4€. Se considerarmos o novo IVA de 23% , teremos um valor final de 49,2€. Deste valor, não podemos ignorar que 21,2€ são taxas que irão directamente para o bolso dos futuros donos da EDP privatizada.

3. Tomando por base os valores da DECO, podemos dizer que a poupança anual por familia com a anunciada Tarifa Social se situará entre os 7,2 € e os 9,6€.

4. Com o aumento do IVA para 23% no preço da electricidade e considerando o valor de 40€ de consumos e outros, o montante a pagar a mais anualmente, apenas no aumento do IVA, será de 81,6€ ou de 72€ (com a aplicação do dito “desconto social”)- quase 9 vezes mais do que a ridicula taxa social.

Resumindo, e considerando uma factura de 40€ sem IVA:

Para um consumo  efectivo de 22,8€ de electricidade, cada consumidor passará a pagar mensalmente 49,2€ , dos quais 26,4€ destinam-se directamente a imposto ao estado e a lucro para os accionistas desvinculado do consumo efectivo.

Os mais desfavorecidos- sempre presentes no discurso preocupado do Governo, mas ausente na sua prática- incluindo os reformados da pensão de 189€, verão agravada a sua situação financeira em 72€ anuais apenas no aumento do IVA, ou seja 38% da sua reforma mensal. No que concerne às taxas já referidas que não estão associadas ao consumo, e tendo em conta a referida factura de 40€ mensais, o valor a pagar anualmente será de 249,7€ ou seja 132% do valor da pensão referida.

Quando o Governo apregoa a sua sensibilidade social e diz que não vai desvalorizar as pensões mais baixas é caso para dizer, roubem-nos mas não nos tomem por lorpas, por favor…

 

 

 

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