Informo em primeira-mão que o 5dias vai contratar como colunista o meu vizinho do talho, açougueiro e cortador exímio (e nada rasca), para coluna semanal, ao sábado, para não só concorrer com esta ….. (prosa?, estômago meu), mas para fazer melhor, evidentemente

(E peço desculpa ao R. H. van Rijn por estar a utilizá-lo em tão deprimente situação:)

Passemos a excertos do MSTavares do costume (leitor, melhor não é possível, “Expresso”, 13/8):

«Dá vontade de agarrar nestes tipos e atirá-los ao mar.
(…)
Não são parte de uma geração à rasca, são sim parte do mal. E o mal, desgraçadamente, existe, vive paredes-meias connosco e só há uma forma de o combater que é reprimi-lo sem tréguas e desde o início.
(…)
Mas eu bem vejo estes hoods nos pubs do Algarve, no seu melhor estilo: a embebedarem-se com litradas de cerveja até caírem para o lado a vomitar. Ao vê-los, é difícil acreditar que esta é parte da juventude de um país que, nas horas mais sombrias da sua história, foi sempre um exemplo de cidadania, coragem e patriotismo. Como escreveu o “Times”, estes bandos de jovens arruaceiros que espalharam o terror nas cidades inglesas, destruindo vidas e o produto do trabalho e esforço de tanta gente, ingleses ou imigrantes, tentam sabotar os alicerces de uma sociedade onde tantos jovens do mundo inteiro gostariam de poder viver e crescer

Ora, isto tem classificação?

Isto é publicável? Isto é uma coluna?

Mesmo se verdadeira fosse esta caracterização (e suas ilações), seria natural que a prosa de um desses bêbados ingleses com litradas de cerveja até cair para o lado a vomitar fosse mais elaborada (não tão abjecta) do que a que publica hoje o «Expresso» assinada por este conhecido «jornalista». De outro modo, comparado com isto, não são os textos de José Manuel Fernandes exemplos sofisticados de excelente sociologia?

Não estará aqui subjacente, nesta caracterização de uma «elevada Inglaterra», de um lado, e de seu amotinados a caírem de bêbados, de outro lado, um convite à supressão/anulação («repressão sem tréguas»!!!!!!!!) pura e simples de uma parte da população de um país? Sim, pelo menos para fazer frutificar o cliché desse país (ou de outro qualquer) como «exemplo de cidadania e coragem». Porque, evidentemente, só há cliché com limpeza, não é verdade? E por onde vamos começar a limpeza? Por Lagos??

(E também peço desculpa a F. Bacon, pela mesma razão; não deveria utilizá-lo em tão deprimente situação)

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