Mais um post no 5dias sobre o que escreve o Sérgio Lavos

Parece-me que o Sérgio Lavos se espalha redondamente quando procura concluir consequências do que se passa em Inglaterra, anunciando-as quase como uma vitória da tese que se deve tratar os looters como criminosos e delinquentes. Sobre este aspecto, não tenho muito mais a acrescentar a este post do/da Party Program – que continua a deslinkar o Sérgio.
Sobre este post, também do Sérgio, que só agora tenho oportunidade de responder, encontro mais pontos de convergência com o que penso sobre o assunto. Contudo, não posso deixar de tecer duas considerações que me parecem fundamentais:

1. Ainda que estes fenómenos de violência e pilhagem não encontrem as suas raízes na luta de classes, eles são uma consequência de um processo extraordinário de concentração do capital que está em curso. Têm, por isso, um conteúdo político, quanto mais não seja por serem um efeito desse processo.

2. Tenho para mim que a esquerda não deve embarcar na estrita criminalização destes movimentos. Isso é a praia da direita e dos mass media. À esquerda compete estar no terreno politizando cada rua, combatendo em cada bairro a presença da extrema direita e da xenofobia e despertando a consciência de classe.

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19 respostas a Mais um post no 5dias sobre o que escreve o Sérgio Lavos

  1. Shoplifters of the world unite and take over diz:

    A PROPRIEDADE É UM ROUBO, pá!

    Cada um dos looters londrinos mostrou mais cojones e “consciência política” que todos os acampados de lisboa. Já pensaste que a “rua” – seja em Paris ou Londres – não precisa da esquerda para nada? Então quando se trata daquela esquerda bué folclórica e colorida… ui!

    Mais valia que nos dessem a música dos Smiths, Clash ou Dead Kennedys em vez de postarem tanta polemicazinha – penso eu de quê…

    • Rui Campos diz:

      Claro, o que houve mais em Londres foi consciência política. Houve tanta consciência política que foram capazes de matar 4-5 pessoas inocentes, provavelmente trabalhadores e pessoas na mesma situação precária, já para não falar na destruição de carros, lojas de pequenos comerciantes e assaltos a pessoas que simplesmente andavam pelas ruas. Isto é que é consciência política? Então prefiro ficar como estou.
      Isto não foi nada mais do que uma acção dos lumpens e o resto é conversa. Apenas favorece o jogo da direita.

  2. Picamiolos diz:

    Concordo com TMS…
    O sistema vai pôr a funcionar, e fomentar, a bufaria !

  3. Von diz:

    Faz amanhã 50 anos que o Muro de Berlim começou a ser construído. É importante não deixar cair no esquecimento. Este e qualquer outro muro.

  4. Shoplifters of the world unite and take over diz:

    Rui Campos:

    Os grandes criminosos dominam os “governos” e os “mercados”. Ora eu sempre ouvi dizer que LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO TEM 100 ANOS DE PERDÃO.

    A luz e o gás aumentaram hoje 17%. Quando londres rebentar em Lisboa já sabes: é tudo obra dos gangs…

    MUITO OBRIGADO A TODOS OS OTÁRIOS QUE VOTARAM PS/PSD/CDS

  5. Abilio Rosa diz:

    Este blogue está uma miséria.

    Espero que nenhum comunista decente, filiado no PCP, escreva neste blogue.

    Alô, Prof. Carlos Vidal, este blogue está ao serviço da reacção e dos provocadores pequeno-burgueses.

    Eu dáva-lhes uma revolução blackberry!

    Um sacho é do que esta gente precisa, tal e qual aquela bandidagem de Londres!

    No lugar de invadir o Palácio da corrupta família real britânica, foram invadir e saquear lojas de pobres imigrantes indianos e paquistaneses.

    E estas luminárias ao serviço da mais vil e nefanda reacção, chamam a isso Revolução!

    Vão mas é gozar com o Cavaco, e deixem-me em paz!

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Tenho para mim que o Abílio Rosa é uma caricatura construída pela reacção para afastar comunistas do seu partido.

      • Shoplifters of the world unite and take over diz:

        “Abílio Rosa” parece, com efeito, nome de pide. Só não me parece que isso venha da “reacção”… Já agora permite-me uma pequena correcção ao que escrevi há pouco:

        Nada contra a “politização da rua” pla esquerda, mas se o movimento em londres foi o que foi, é porque a esquerda não fez o seu trabalho. Mas tendo sido o que foi, parece-me que é a esquerda quem tem (muito) mais a aprender com a rua do que a rua com a esquerda.

      • Abilio Rosa diz:

        Não vale a pena desconversar.

        Nenhum comunista sério e convicto poderá alinhar nas teses que alguns aqui subscrevam.

        Experimentem saquear a loja do meu vizinho que por acaso é membro do PCP, muito antes do 25 de Abril?

        O que é que diria a vocês? Que a Revolução está no ar?

        E o bando de sérvios/montenegrinos «Pantera Cor-de-Rosa» que andam a roubar joalharias por toda a Europa, também são bolcheviques e estão ao serviço da Revolução?

        Tenham juízo e sejam coerentes!

    • Outro diz:

      É fácil Abílio, abstem-te de cá passares! Não gostas? pôe na borda do prato, ninguém te obriga a vires para aqui abdicares da tua “paz”. Por que te queixas?!

      Oura coisa: quando regressares com o teu browser devidamente configurado com outro nick, não te esqueças de distinguires bem as facetas dessa outra “persona” da que rastejaste por aqui, senão a malta topa. Topas? Ah, e não te esqueças também de mudar de proxy, o IP nos dias de hoje que sendo dinâmicos e duram meses o mesmo também te denunciam.

      • Abilio Rosa diz:

        Com esta malta a esquerda (não a «esquerda modernaça» do Sócrates ,do totó do Seguro ou do evangelista Louçã) nunca mais chega ao poder.

        Como «amigos» e infiltrados destes, o PCP não precisa de inimigos!

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    closer, se tiver alguma coisa a dizer sobre este post ou mesmo sobre o que outra coisa que lhe aprouver, disponha. Considerações sobre outros autores deste blogue não publicarei.

  7. JC diz:

    Ser uma consequência de um processo político implica que haja um conteúdo político? O parto de uma criança que nasce na maternidade pública é político? Beber água da torneira é político?
    Boa parte das imagens que vejo em Londres são consumismo – que, claro, também pode ser entendido como político, no sentido que resulta da imposição de valores e condutas. Mas daí a ter aquilo que geralmente se entende por “conteúdo político” vai um passo que eu já não sou capaz de dar.

  8. LAM diz:

    O anúncio da Levi´s – e é cada vez mais incompreensível que o Sérgio Lavos tenha enveredado por deitar mão a tudo que lhe chapine sobre os acontecimentos em Inglaterra – foi, curiosamente, suspenso em Inglaterra por causa dos acontecimentos.
    Aqui explica-se:
    http://adage.com/article/news/london-riots-levi-s-holds-u-k-portion-ad-campaign/229178/

  9. miguel serras pereira diz:

    Tiago Mota Saraiva, o que este último seu post diz já me parece muito mais razoável do que o anterior. Com efeito, o Tiago parece aqui assumir a posição de que, se é verdade que os acontecimentos de Inglaterra têm a ver com a concentração – e expansão desenfreada – do capital, isso não determina suficientemente o juízo político que deveremos fazer sobre eles, nem os torna automaticamente “alternativos” ou “anticapitalistas”.

    Também concordo com a necessidade ou exigência de agir no terreno. O problema é saber como, propondo ou apoiando o quê, e combatendo o quê. Questão sobre a qual mantenho, evidentemente, a posição que exprimi no comentário ao seu post anterior e retomei, depois, no Vias .

    Saudações democráticas

    msp

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Shoplifters of the world unite and take over, veja o que escrevi ao closer.

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