Sérgio Lavos 3.G – Com aplicações

“Qualquer explicação sociológica (que se deve, é claro, procurar) se torna menos importante do que denunciar a verdadeira natureza da violência: o vazio ideológico total, criminalidade pura e dura.” Sérgio Lavos, do Arrastão.

Começou por questionar se “os criminosos que destroem património público e privado” são mais responsáveis pelo “acto policial que espoletou a revolta” ou se seria “o Governo central que descurou na atenção dada a quem está à margem”. De seguida, irado, ataca quem entenda mais ou menos o que ele disse antes, para afirmar, com toda a certeza, que “os motins em Inglaterra deixaram de ter alguma coisa a ver com contestação social” e que quem diga algo parecido com o que ele havia afirmado na primeira ocasião, é um bando de “burgueses revolucionários” aos quais devem ser imputados todos os excessos. Agora, em síntese, deixa clara a sua grelha de análise. Para lá do que explica Darcus Howe (é carregar no play, Sérgio, no VHS acima e os links basta clicar com o rato mesmo em cima deles), podemos perceber como a pressão da propaganda transforma um social-democrata num Francisco Mendes da Silva, para pouco depois fazer sair dali um verdadeiro Rui Rocha, um Meireles Graça ou um Azevedo Alves, que exigem ordem de prisão para quem não grite CRIME! a cada vírgula sobre o assunto, sumaríssimo a quem entenda haver outras razões a questionar do que a mera palavra de ordem da repressão, qual reza templária, que há-de colocar tudo de novo na ordem “natural” das coisas. Perceber que a concretização da revolta em actos, violência, injustiça, saque, roubo, etc, parece ser o único trigo semeado no peito de um exército de gente, está visto que não é com eles.

Ao contrário dessa fé imensa, o que se passa, está visto, é primeiro culpa de quem criou condições e abusou da renda do trabalho do alheio, para logo depois ser dos que não foram capazes de oferecer melhor alternativa.


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