“Não temos nada a perder!”

Já com 215 pessoas detidas (quantos serão? perguntarão os temerosos!?!?) os actos de insubordinação sucedem-se e, por mais que pintem o retrato com enquadramentos criminais, até agora a certeza é só uma: eles não têm nada a perder e poucas coisas há mais dotadas de política do que a política da insubordinação. Do desespero. Do Sérgio Lavos ao Francisco Mendes da Silva, já todos trataram de alinhar com o David Cameron.

Não brinquem com a dignidade humana, com o estômago da classe operária, as feridas dos desempregados e as chagas dos despojados, dos lumpens da vida. O contrato social foi a utopia que sempre prometeu ser, do Rawls ao Europeu, e como se esperava os seus signatários ficaram com os lucros e ainda tiveram a lata de rescindir alegando justa causa, sem pagar um centavo de indemnização para fazer face à agonia e entregando a factura ao alheio.

Com o tempo e o galope da miséria, os que insistiram no genocídio capitalista vão ter que se preparar para uma guerra que não estão capazes sequer de imaginar. Aos senhores do mundo chegou a hora de rezar e dinheiro nenhum compra o milagre que precisam. Não há Spielberg, Weingartner, Rauschenberg ou Cutileiro que os valha para tecer considerações. A guerra vai ser feia, vai entrar-lhes pelos condomínios a adentro, vai fazer com que transfiram os milhões para a Quinta da Marinha e se mudem de armas e bagagens para dentro dos cofres que sobrem seguros à ordem mundial. Desta feita, nem a esquerda reformista parece capaz de lhes prolongar a estadia nas costas do proletariado. Vai tudo ser pior do que nos seus piores pesadelos.

Os “distúrbios” chegaram a Birmingham, capital industrial do Reino Unido. Até onde irão agora?

Será que ouviram bem? Eles não têm nada a perder, e vai acabar-se o tempo de se fazer a resistência só com arte contemporânea.

Ler também a matéria no SWP – Rage at the police hits the streets of north London: “I don’t exactly know what happened when the man was shot – but I do know a police officer was injured and a man was shot dead. If it had been the other way round the man would be in jail right now. (…) We have to police the police. We have to hold them accountable every time they attack us.”

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