Missa por Salazar e o repúdio unânime da Assembleia da República

Em 1998 a Assembleia da República vota por unanimidade um voto de repúdio aos actos dos jovens e população de Coimbra que impediram a missa em homenagem a Salazar.

O Sr. Manuel Alegre (PS): –Não podemos opor-nos a que se celebre uma missa por alma de Salazar, de Mussolini, de Hitler ou de outro criminoso ou ditador qualquer, porque a liberdade de culto dentro da igreja deve ser respeitada, mas também não podemos impedir que cidadãos portugueses, e sobretudo jovens, manifestem o seu protesto ou a sua indignação pelo facto de haver confusão entre uma celebração religiosa e uma comemoração política.

O Sr. João Amaral (PCP): – Nós não confundimos, efectivamente, os planos, como acabou de dizer o Sr. Deputado Manuel Alegre, combatemos e combateremos hoje e protestamos contra actos que sejam em si antidemocráticos ou que procurem valorizar princípios antidemocráticos, assim como também podemos analisar e considerar que não é adequado utilizar actos de culto para fins políticos, mas não podemos aceitar que seja, de alguma forma, atingida a liberdade de culto e o direito que a Igreja tem, dentro das suas igrejas, a respeito e dignidade.

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17 respostas a Missa por Salazar e o repúdio unânime da Assembleia da República

  1. Renato Teixeira diz:

    Lamentável esquerda esta que nem percebeu que boa parte dos manifestantes que lá foram eram militantes do PCP…

    E o BE, o que votaria se os factos fossem hoje?

    • Raquel Varela diz:

      O BE não existia na altura. Aqueles que vieram a ser o BE estavam lá, incluindo os dirigentes.
      Há muitas razões para criticar o que o BE faz e nenhuma para criticar o que o BE faria se…

  2. Frederico diz:

    A posição então tomada pela esquerda parlamentar foi a correta.

  3. Renato, como te deves lembrar o BE no ano seguinte convocou o que deve ter sido a sua primeira manif de rua para Montes Claros, com terminus na antiga sede da Pide (onde curiosamente brotou um monumento à liberdade pouco tempo depois), e o que é um facto é que as missas acabaram, pelo menos oficialmente, que esta gente deve rezar pelo seu santinho todos os dias.
    Bem, isto foi o BE de Coimbra e ultrapassados vários entraves “superiores”, como também te deves lembrar…

    • Renato Teixeira diz:

      Esses vários entraves superiores são hoje o BE praticamente da ponta dos pés à ponta dos cabelos e na altura foram os de 98 que garantiram a continuidade da pressão em 99. O BE, é verdade, não roeu a corda, mas só isso. Mal seria em ano de fundação e com boa parte da sua argamassa nesse movimento.

      Pouco tempo depois tive que, por bem menos (greve a cadeados) enfrentar-me com “camaradas” que queriam furar o piquete. Será que iriam ao ponto de violar o sacrossanto direito de culto?

  4. Von diz:

    Quando numa qualquer ocasião, for festejado o nascimento de Lenine, pode-se interromper?

  5. mut diz:

    anda o pessoal a parar o transito no Porto contra o aumento nos transportes e vocemessês aqui com estas coisas…

  6. Alexandra diz:

    Fizeram-me recuar no tempo com a memória desse dia, e da noite e da manhã seguinte… A acção da policia, o modo como o fez nesse dia e daí para a frente, as noticias, a leitura de todos os acontecimentos, os aproveitamentos, politicos e não só……… podiam (ou deviam?) ter-nos feito adivinhar como seria daí para a frente… mas adivinhar é proibido!
    *Não, Renato, aquilo não era só uma missa!

  7. Rui Fonseca diz:

    Proibir? Boicotar?
    O importante é esclarecer, informar.

  8. Vasco diz:

    Muito actual. O que vale é que o Governo não está ao ataque contra direitos fundamentais dos trabalhadores e do povo…

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