Leitura muito recomendável para quem continua a insistir na tese do louco

“(…) what’s interesting is [Breivik] analyzes what he thinks the media reaction is going to be. And so, he predicts correctly that, you know, a lot of mainstream media is just going to dismiss him as a madman, as insane. ‘You can use that to your advantage’, he says, ‘because they’re not going to take you very seriously’. And he says, but the other thing is, he says, a lot of cultural conservatives, like Pat Buchanan, he said, they will be forced to condemn what I’ve done. They may, in fact, genuinely condemn what he’s done, he says, but they’re going to read my manifesto, and they’re going to find in it this great document, this wake-up call, as Pat Buchanan has described it, ‘wholly accurate’, as American Christian right leader Bryan Fischer of the American Family Association has described it.”

Análise do manifesto de Breivik, a ver aqui ou no site do programa Democracy Now!, onde também está disponível a transcrição da entrevista – eu prefiro ler porque me distraio facilmente, vocês façam como se estivessem nas vossas casas.

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7 respostas a Leitura muito recomendável para quem continua a insistir na tese do louco

  1. l'outre diz:

    Reconhecer que é louco (ou que o chamariam de louco) não implica que esteja são. Já agora o que é a loucura? A maioria das doenças mentais têm sintomas do género “esta pessoa tem comportamentos que diferem em muito da norma”. Acho que desatar aos tiros a tudo o que mova consiste num “comportamento que difere em muito da norma”. O mesmo pode ser dito da racionalização da violência e da crueldade deste indivíduo. Não tenho dúvida nenhuma que é louco. Também não duvido que seja muito inteligente, mas continua a ser um louco incapaz de sentir a mais básica e fundamental das emoções humanas: a empatia.

  2. o outro foi o que se viu porque não o deixaram entrar em Belas-Artes…

  3. José diz:

    l’outre e a Ana Leonardo explicaram bem o que se quer dizer quando se apelida de “louco” alguém que foge da norma.
    Suponho que o norueguês não será menos louco do que Hitler ou Estaline foram.
    Nem por isso se deverá deixar de combater as suas ideias. Não menos loucas, diga-se…

    • …nem menos louco do que loucos capazes de atirar aviões para cima de arranha-céus, mas isso não faz deles inimputáveis.

      • José diz:

        inimputável? Não, não me parece que o Breivik o seja.
        Parece saber perfeitamente distinguir o bem do mal e optou, consciente e premeditadamente.
        Outro tipo de loucura.

  4. Mário Abrantes diz:

    Acho que não se pode confundir louco com inimputável (a menos do que os psiquiatras, que são quem percebe destas porras, o digam).

    Uma outra posição que se pode tomar é achar que há pessoas intrinsecamente más, mas perfeitamente saudáveis mentalmente (geralmente, aqui no 5Dias, estas pessoas ou são de extrema-direita, ou católicas, ou capitalistas, ou tudo isto junto; não devem faltar sociobiólogos capazes de engendrar a competente justificação genética). O que talvez nos levasse a pensar que não existem loucos, antes existem pessoas mentalmente sãs mas intrinsecamente dadas a pensamentos e atitudes desconcertantes – esta classe incluiria variados artistas, jornalistas, fazedores de opinião e … bloggers.

    • Morgada de V. diz:

      Não sei como é na Noruega, mas entre nós não basta ser louco para ser considerado inimputável, é preciso também que a anomalia psíquica impeça a pessoa de avaliar a ilicitude do acto e de agir em função dessa avaliação.

      No mais, desconheço o que sejam “pessoas intrinsecamente más”, nem posso concordar com uma avaliação da maldade baseada em “pensamentos e atitudes” ou pertença a grupos de pessoas: ou a maldade se traduz em actos juridicamente censuráveis (ou moralmente, mas essa é outra discussão), ou então entramos em processos de intenção.

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