Um dos maiores atentados de sempre na Europa é um acto Político, anti-marxista, racista e de ultra direita!

Este foi um dos maiores atentados terroristas do pós-Guerra na Europa, aliás maior que este só Atocha em Espanha (corrijam-me se estiver enganado).

Isto não foi um puto louco a dar tiros na escola secundária. Tal como a imprensa internacional afirma este é um acto político, racista e anti-Esquerda, propiciado pela emergência da extrema direita na Europa. É de resto revelador o tipo de postas que tem sido publicados na blogosfera pelos defensores das cruzadas anti-islâmicas,e pelos ultra liberais anti-marxista. É neste caldo de cultura de que os blogues acima linkados são arautos, que dá espaço a tragédias como a que se abateu sobre os Trabalhistas, nomeadamente a sua juventude, Noruegueses.

Como é óbvio, não é indiferente este acto ter sido perpetrado por Islâmicos ou Neo-Nazis. Como não foi nada indiferente em Espanha os autores de Atocha serem Islâmicos e não a ETA, Zapatero que o diga, deve a sua eleição e seis anos de governo a isso (ainda se lembram?)! Como é óbvio a histeria anti-islâmica e a mensagem “até atacam a pacífica Europa! os Bárbaros selvagens não têm respeito por nada! só há uma solução, exterminá-los!” estaria a ser difundida e martelada até à exaustão… E imaginem o que tinha sido se na Grécia um grupo anarquista ou de extrema esquerda tivesse mandado pelo ar um carro armadilhado e ter morto um décimo do que este ultra-direitista matou? Imaginem com o que é que nos brindariam a ultra-direita trauliteira blogosférica que cá temos? Mas como o terror extremo veio da extrema direita somos presenteados com o ridículo

Ainda há pouco tinha falado da necessidade da Utopia para derrotar as distopias… Isto vai causar algum choque, apesar do branqueamento político em curso, a ultra-direita sai chamuscada, mas é claramente insuficiente para travar o seu actual ascenso que irá continuar a não ser que algo de extraordinário aconteça (chama-se Revolução).

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19 respostas a Um dos maiores atentados de sempre na Europa é um acto Político, anti-marxista, racista e de ultra direita!

  1. Rocha diz:

    O que está proibido dizer para comunicação social, para o conjunto dos partidos burgueses da troika, mais alguma “pseudo-esquerda” convertida à NATO pela guerra da Líbia é:

    O anti-islamismo é o fascismo contemporâneo, o anti-islamismo é o racismo europeu da moda.

    A campanha de “guerra contra o terrorismo” no Médio Oriente fica a descoberto: puro ódio, puro colonialismo, puro racismo.

    Acho muito bem que companheiros e camaradas de esquerda repitam até à exaustão, o Breivik não é um louco, isto não foi um caso isolado, as suas ideias não surgiram do nada mas sim de partidos de extrema-direita existentes (e com enormes votações) e este massacre constitui um sério aviso para todos os que presam valores elementares de democracia, de liberdade e os mais elementares direitos humanos.

    O fascismo não é uma coisa do passado, é uma realidade presente que é preciso enfrentar, por muito que ele se esconda com um discurso liberal, democrático e por vezes até de “esquerda”.

    Não podemos permitir que os trabalhadores imigrantes sejam bodes expiatórios da política oligárquica de capitalistas e banqueiros.

    O antifascismo dos povos europeus é hoje mais necessário do que era anos 20 e 30 do século passado. O antifascismo significa combate sem tréguas contra o racismo.

  2. Rocha diz:

    Tenho procurado ver a reacção dos fascistas portugueses ao Massacre na Noruega.

    Para além do silêncio esperado, vi no blog “o reaccionário” uma combinação interessante nos dois últimos posts: um post faz a apologia da violência fascista citando um discurso de Mussolini (numa verdadeira exortação para algo como o que cometeu Breivik), o outro post mostra a célebre imagem do Breivik vestido de maçon para apelar à vitimização dos fascistas dizendo que um maçon nunca é fundamentalista cristão – logo este Breivik não é da malta fascista. Mas aqui na Europa há fascismo bem para lá do cristão, desde que seja branco, como no caso do nazismo mais ligado ao ocultismo e paganismo.

    Ora mostram a face de lobo, ora vestem a pele de cordeiro. Não haja dúvida que depois das lágrimas de crocodilo, os fascistas, na sua maioria, vão tratar este Breivik como uma espécie de herói.

  3. Tomás Guevara diz:

    Rocha.Subscrevo na íntegra o seu comentário.Tal como o de franciscofurtado.
    O fascismo não é uma coisa do passado e a sua defesa aí está,escondida no emaranhado de teses sobre a pretensa loucura de tal extremista xenófobo e sobre a tentativa de considerar tal caso como um acto isolado e patológico.Observem-se todavia as vozes que se escondem por trás de tal piar e apercebemo-nos que as coisas estão já mais “armadilhadas” do que poderíamos ingenuamente supor.
    A alemanha nazi afinal está demasiado próxima.E é bom lembrarmo-nos que acontecimentos com bastantes similitudes também ocorreram por essas datas.E também estes foram tidos como actos isolados de perturbados indivíduos.

  4. A.Silva diz:

    Muito bem observado e dito!

  5. A diz:

    Paracuelos o que foi?

  6. Ana Paula Fitas diz:

    Caro Francisco,
    Se me permite, penso que gostará de ler o que escrevi no passado sábado, dia 23, sobre o assunto, lá no A Nossa Candeia… é demasiado óbvio o significado destes massacres… demasiado perigoso… ou como deixei dito num comentário ao post que também sobre este horror escreveu o autor do Activismo de Sofá, o acontecimento convoca-nos para a expressão de Che Guevara sobre a necessidade de estar atento e vigilante “ao ponto de se ouvirem crescer as flores”… Grata, antecipadamente, pela leitura que fará do meu texto de dia 23, subscrevo o texto que aqui partilha e reitero toda a indispensável solidariedade.
    Abraço.

  7. A diz:

    E Beslam? E Katyn? E Lockerbie? E a ETA?

    • Rocha diz:

      E a resistência e vitória de Stalinegrado e a tomada de Berlim quem o fez? Se fosse pela NATO o Terceiro Reich ainda estava no poder…

      • José diz:

        Os povos da URSS e da Polónia foram dos que mais sofreram com o terror nazi.
        Dito isto, também é preciso dizer que Eisenhower retardou, de propósito, o avanço norte-americano e britânico para que os soviéticos fossem os primeiros a chegar a Berlim. (depois arrependeu-se)
        Se não fossem os comboios norte-americanos de armamento e munições para Murmansk, Moscovo teria sido tomada em 1942, com as alterações evidentes no sentido da guerra.
        A URSS lutou muito e bravamente. Não é preciso inventar.

  8. Vasco diz:

    Muito bem, Rocha. E permito-me acrescentar: os nazis que escaparam a Nuremberga (para lá dos que rumaram à América do Sul, muitos com ajuda do Vaticano) foram recrutados precisamente pela NATO para combater o comunismo – não só o soviético, mas os partidos comunistas em cada país, nomeadamente em Itália (Operação Gládio). Assim se vê quem alimentou e alimenta o fascismo.

    • José diz:

      Muitos alemães foram acolhidos pelos soviéticos, mesmo nazis. Veja-se o caso de Paulus, o marechal vencido em Estalinegrado…

  9. Mário Abrantes diz:

    Este atentado talvez tenha sido um dos mais bem organizados de sempre, num país que não estava preparado. Os cobardes e criminosos atentados nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972 não são menos cobardes e criminosos que os atentados na Noruega, apenas fizeram menos vítimas. Ainda assim não evitaram um prémio Nobel da Paz a um dos seus principais mentores, essa figura hipócrita e viscosa tornada multi-milionária à custa da miséria do seu povo, chamada Yasser Arafat (parece que a hipocrisia ocidental dá, afinal, para os dois lados).

    Relativamente a este caso, é obra de um louco. Ser louco não significa ser estúpido, significa ter tendência para cometer loucuras (será isto tão difícil de entender?). Todas as justificações dos atentados na Noruega baseadas apenas em opções ou sectarismos políticos do horrendo autor, correm o risco de se reduzir a um exercício de puro oportunismo ideológico e nenhuma clarividência.

    A extrema-direita, por muito preocupante que seja, não pode ser toda colocada no mesmo saco. Assim como a extrema-esquerda, que se revê nos crimes cobardes praticados por IRA e ETA, não pode ser toda colocada no mesmo saco.

    O povo do secXXI não está apenas farto de políticos. Está também farto que se deturpem os factos em nome de políticas e interesses ideológicos.

    Francisco, não queres entrar no sec XXI?

    • franciscofurtado diz:

      Bem isto daria pano para mangas. Mas focando-me na pergunta e afirmação final. O que o Povo do século XXI quer? Bem, sinceramente quer aquilo que o povo do século XX, XIX,XVIII e por aí fora sempre quis… Paz, segurança, poder providenciar boas condições de vida para si e para os seus, se possível com alguma liberdade de acção e dignidade… Para lá disso, é necessário uma análise ao processo Histórico para se compreender que novos instrumentos têm os povos para atingir esses objectivos, qual a percepção que têm do mundo que os rodeia e em que medida esses objectivos estão alcançados… Afirmações do tipo “O povo do secXXI não está apenas farto de políticos. Está também farto que se deturpem os factos em nome de políticas e interesses ideológicos.” sinceramente não me dizem muita coisa, de que políticas e ideologias é que fala? Certamente não do neo liberalismo conservador que infelizmente só se tem reforçado com a recente crise … E sinceramente se há coisa que o Povo no século XXI necessita é de exactamente novas políticas e ideologias para se armar contra a cavalgada para a barbárie que estamos a assistir. Uma espécie de regresso às condições de trabalho do século XIX com certos aspectos autoritários e ideológicos que parecem vir da idade média/das trevas.
      E se eu quero entrar no século XXI? mas que raio de pergunta é essa, é preciso uma arrogância intelectual monumental, não só para se definir o que o “Povo do século XXI quer”, como ainda mais para definir os requisitos de entrada no século XXI, a questão é que se calhar não queremos o mesmo tipo de século XXI e essa sim é a questão que vale a pena discutir.
      O Mário quer discutir os problemas e as soluções para o povo no século XXI, ou quer mandar postas de pescada que misturam banalidade com arrogância?

    • Rocha diz:

      E alguém pode ser mais hipócrita que um Mário Abrantes que pretende ser neutral tomando claramente a defesa da extrema-direita.

      Desde 1948 que o povo palestiniano é vítima duma agressão militar, colonial e armada.
      Desde 1939 que o povo basco viveu sobre o reino de terror de Franco e o regime da Transição capitalista de 1978 não fez mais do que continuar esse regime com os GAL, os Rubalcabas e o regime de tortura sistemática.
      Desde 1922 que o povo irlandês da Irlanda do Norte foi submetido a um regime de apartheid e quando nos anos 1960as se atreveu a reivindicar direitos civis foi barbaramente reprimido.

      • José diz:

        Tortura sistemática no País Basco?!
        Apartheid no Ulster?!
        Alguma vez visitou essas regiões??

        • Rocha diz:

          Já alguma vez prestou atenção à Amnistia Internacional, aos relatórios da ONU, Comité Contra a Tortura e organizações de direitos humanos várias sobre o País Basco?
          Sobre a Irlanda do Norte trata-se da verdade histórica.

          Quanto à Hungria e Checoslováquia, não concordo com o que foi feito mas não é nada comparável a décadas de guerra de aniquilação de povos na península da Coreia e na vasta região da Indochina, décadas de intervencionismo militar e golpes militares made in USA em toda a América Latina e África. África, a Ásia e América Latina receberam esses sim “repressão, tortura, assassínios”, golpes, guerras e bombardeamentos durante todo o Século XX.

      • José diz:

        Só por curiosidade: as intervenções soviéticas na Hungria em 1956 e na Checoslováquia em 1968 foram ocasiões festivas para ambos os povos, não Rocha? Repressão, tortura, assassínios, nada disso aconteceu nessa altura, certo?

      • Tomás Guevara diz:

        Rocha:mais uma vez subscrevo o seu comentário.
        Quanto a quem defende o estado-pária de isarel…é pena
        É pena tal atitude
        Como é pena a atitude da komandantur israelita,que aprendeu tão bem os métodos dos seus anteriores verdugos,esses mesmos,os nazis.
        A tentativa de genocídio de um povo é um elo que liga indissoluvelmente os nazis ao governo-pária de israel

  10. Júlio António diz:

    Como foi possível este tipo ter entrado numa ilha onde só deveria estar jovens em paz e confraternização? Como é possível não ter havido revista a jovens que dirigiam-se para uma confraternização pacífica e anual ? Como terão ficado os jovens que haverão de enfrentar mais uma vez as multidões, mas agora receosos de que alguém poderá ter outra vez uma reação idêntica à que este homem teve naquela ilha, matando dezenas de jovens, que não tiveram oportunidade de se defenderem por igual ? Como será o futuro desta geração se os mais velhos não lhes explicarem o racional em que a vida se nos dá ? Obrigado pelo vosso tempo. È tudo.

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