Está explicada a subida das audiências no 5dias, no Spectrum e no Unipoppers, bem como a queda do Arrastão, do Esquerda e do portal da CGTP.

José Manuel Anes, Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, é o chefe da segurança em Portugal. Estamos bem entregues. Este alto quadro da Polícia Judiciária, acha, como se vê no vídeo, que a Al Qaeda quer conquistar o Sul de Espanha e o Algarve, vem agora, a reboque dos atentados da Noruega, afirmar que é preciso “reforçar a vigilância, sobretudo em relação a sites, blogues, Facebook, porque é aí que se podem antever alguns acontecimentos”. O meu humilde conselho é que se vão “reforçar a vigilância”, torrando mais uma fortuna a jusante dos problemas, comecem pela a única posta que conseguiu atirar mais ao lado do que o Sérgio Lavos no Arrastão. À atenção do SIS, naturalmente, que também devia investigar quem escreveu o editorial do Público de ontem, onde se entende que Anders Breivik “era um de nós” ou mesmo o Francisco Mendes da Silva que deve achar as guerras do Iraque e do Afeganistão fofinhas, fruto de terem sido suavizadas pelo “arrependimento antropológico ocidental”.

Para a Noruega já e em força?

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19 respostas a Está explicada a subida das audiências no 5dias, no Spectrum e no Unipoppers, bem como a queda do Arrastão, do Esquerda e do portal da CGTP.

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Renato, devias ter ilustrado este post com a fotografia do grunho norueguês de saiote maçon.
    Este Anes…

  2. Sergio Lavos diz:

    Renato, em relação a tiros ao lado, julgo que me bateste aos pontos com aquele post da guerra trazida para casa (e não me venhas agora com uma leitura diferente daquela que eu fiz, tu e eu sabemos muito bem que naquela altura toda a gente achava que o atentado tinha tido origem em grupos islâmicos). Aliás, tens de me explicar muito bem por que é que estou a atirar ao lado. Elucida-me neste ponto (e já agora, acusas-me de apenas comentar outros textos num post mais abaixo, mas o que eu vi até agora, escrito por ti, é apenas agit prop com títulos à la Vidal e tudo. Em termos de reflexão, de ideias, zero.

    • Renato Teixeira diz:

      Só na cabeça dos suspeitos do costume. Achar que este tipo de terrorismo é obra do islamismo radical é ao mesmo tempo não perceber para de islamismo radical e de terrorismo. A posta que te fez saltar a tampa foi na mouche, modéstia à parte. Tratou-se, como afirmei, de um trabalho interno (daí o título em norueguês) e ilustra, com três palavras apenas, o facto da guerra estar a ser levada para “casa”, esse nós que te assiste.

      Falta de ideias é debater um assunto recorrendo apenas às ideias dos outros. Do 5dias, ao Jugular, passando pelo 31 da Armada. Os leitores (especialmente os que te comentaram) não perdoam tamanha falta de ousadia.

      • Renato Teixeira diz:

        Foste tu a escrever o editorial de ontem, no Público, intitulado “O que fazer quando o inimigo não é o outro?”

        • Sergio Lavos diz:

          Não fui. Também cita o 31 de Armada e o 5 Dias, é?

          • Renato Teixeira diz:

            Não. Também recorre ao “Nós” antropocêntrico.

          • Sergio Lavos diz:

            Ah, o “nós”! Claro. Reparaste que ness post eu o uso o “nós” para denunciar quem pensa nesses termos, certo? Digamos que é um “nós” irónica, como dizia a outra.

          • Renato Teixeira diz:

            Irónico?!? Tá bem abelha. Mi casa es tu casa e é muito pouco o que separa o teu “Nós” do “Nós” do Público e o “Nós” do Francisco Mendes da Silva. Ora vê como se colocaram de acordo num instante: http://31daarmada.blogs.sapo.pt/5205987.html

          • Sergio Lavos diz:

            Ora bem, portanto estou mais próximo de um tipo do 31 da Armada do que do Renato Teixeira. Não sei até que ponto isso é uma coisa má…
            Em relação ao problema do “nós” e do “Outro”, certamente que o Renato concordará que esse é o principal problema da relação que existe entre Ocidente e Oriente. E esse problema existe nos dois lados. Para a maior parte dos ocidentais, o islamismo é uma ameaça; para a maior parte dos islâmicos, as ideias ocidentais são uma ameaça. O Renato gosta de tomar como suas as dores dos povos islâmicos (assim indica a tag do blog “intifada global”, ou lá o que é), considerando o “Outro” o inimigo imperialista americano e os seus amigos. Eu se calhar acho mais razoável analisar cada situação, tentando não fazer essa distinção o “nós” e o “Outro”. Por exemplo: acho que a Palestina neste momento sofre uma ocupação violenta por parte de Israel, mas também acho que atentados contra civis inocentes em longínquas cidades ocidentais não é a resposta. No fundo, o Renato assume um “nós” que é islâmico. O Francisco Mendes da Silva (e o autor do editorial do Público) fazem o mesmo, mas no campo oposto. E eu acho que assim não vamos a lado nenhum. Mas isto sou eu, escritor-fantasma do editorial do Público e escriba que não sa sabe manejar muito bem as artes da ironia por escrito.

          • Renato Teixeira diz:

            Efectivamente.
            Só falta mesmo dizer o que é que me leu para chegar a esta conclusão: “Quando começamos a aplaudir a morte de inocentes, perdemos toda a humanidade, e sobretudo a legitimidade para criticar imperialismos e assassinatos alheios. Vergonhoso.”
            Ou também é daqueles que entende que o silêncio é sexy?

          • diz:

            ó sérgio e coitadinhos dos “outros”, os que de forma fraudulenta levaram milhões em prémios e distribuições de lucros, que “nós”, os que trabalham para viver, temos agora que pagar… é preciso superar esta dicotomia e dar-mos todos um abraço apertado…

      • Sergio Lavos diz:

        Enfim, estás a querer dizer que, antes mesmo da polícia norueguesa emitir o primeiro comunicado a desviar suspeitas para outros que não o terrorismo islâmico, já tu sabias, pelo modus operandi, que não tinha sido um atentado cometido por gente de fora? Mesmo tendo havido uma organização radical islâmica a assumir a autoria do atentado? Diz-me lá como conseguiste esses poderes proféticos, também gostaria de os ter.

        • Renato Teixeira diz:

          Basta não emprenhar de ouvido e recorrer a fontes também do lado islâmico da barricada. Este ataque aparentava tanto ter raízes islâmicas como o atentado de Madrid da ETA. Até o Rogeiro e o Aznar perceberam isso, embora um e outro tenham preferido outra abordagem. À esquerda exige-se outra seriedade e pelo menos um uso mais elástico das fontes a que se recorre.

          Off Topic: Já agora, onde é que me leste a festejar as vítimas do ataque?

  3. Renato Teixeira diz:

    O que fazer quando o inimigo não é o outro?

    Na sexta-feira, a Noruega não viveu um 11 de Setembro mas sim o seu “momento Oklahoma”. A frase é de um analista da Universidade de Nova Iorque, em Londres, Hagai Segal, e a referência ao atentado contra um edifício federal em Oklahoma City, em 1995, perpetrado por um bombista solitário, Timothy McVeigh, que causou 168 mortos, é obviamente significativa.
    Sabe-se muito pouco, até ao momento, sobre as motivações e, sobretudo, sobre as ligações de Anders Behring Breivik, o cidadão norueguês de 32 anos que há dois dias “apareceu do nada” na pequena ilha de Utoya, e começou a perseguir e a assassinar, um por um, fria e incansavelmente, dezenas e dezenas de jovens que participavam num encontro da juventude do Partido Trabalhista, que governa a Noruega.
    Depois de ter sido detido, sem opor resistência, Breivik reconheceu que tinha cometido um acto monstruoso. Mas acrescentou que tinha sido “necessário”. A Noruega é um dos países mais livres e prósperos do mundo. Os direitos humanos são a pedra angular da sua vida política. É um dos países que mais lutam pelos direitos humanos em todo o mundo e tem historicamente uma atitude de abertura em relação aos estrangeiros que a procuram. Essa abertura e o modelo multiculturalista eram os alvos políticos de Breivik, um homem que tem ligações a grupos de extema-direita. Não se sabe, no entanto, se os dois atentados de Oslo e de Utoya foram a obra de um homem isolado ou se este tinha ligações a alguma organização, norueguesa ou não.
    O que se sabe, como afirma um conselheiro norte-americano na luta contra o extremismo,
    Will McCants, é que “tentar matar o primeiroministro da Noruega é uma coisa e não seria surpreendente vinda de elementos extremistas, mas matar cidadãos comuns desde modo é muito pouco habitual de elementos de extrema-direita, especialmente dos europeus”.
    Mas mesmo ignorando-se se Anders Breivik agiu no quadro de uma organização ou se representa “a emergência do todo-poderoso lobo solitário”, ainda na expressão de McCants, tornou-se claro que os atentados de Oslo e de Utoya criaram um novo paradigma para a violência extremista na Europa. Esse paradigma emula o terrorismo islamista quanto à monstruosidade e ao desprezo pela vida humana. Não teme sacrifi car os seus, nem conhece quaisquer limites. Mesmo que tenha sido a obra de um louco solitário, abriu um precedente à escala europeia. E isso é particularmente perigoso, num momento em que as tensões xenófobas e antimuçulmanas percorrem todo o continente europeu, impulsionando uma nova extrema-direita que reage ao multiculturalismo agarrando-se à defesa dos valores identitários e tradicionais. O mesmo estratagema, portanto, que inspira o extremismo islâmico.
    Em Oslo e em Utoya, contudo, o inimigo não era o outro, era um de nós. Mas, se esta crise
    que percorre a Europa foi aberta pela rejeição do outro, fi cou provado que a semente do terror também pode estar dentro de casa. Os atentados na Noruega são um aviso para todos os europeus.”

  4. Eu, guerreiro experimentado da Guerra Colonial, na Guiné, que por entre os códigos me safei às balas, nem sempre, diga-se, sou voluntário para a expedição guerreira dos paises periféricos contra os nossos do sr. Mendes e Anes, desde que a minha tarefa seja a de apanhar os estilhaços das bombas que o sr. Anes larga cada vez que fala sobre terrorismo. É claro que penso haver diferenças entre o sr. Mendes, qual meteóro das palhaçadas e o sr. Anes, erudito dos silêncios em matéria do terrorismo a sério e arauto da diversão apocalptica, quero dizer, especialista em dar-se ares de que fala verdade quando tenta distrair o pagode. A sério, a sério, de nada falam um e outro. Porquê?

  5. xatoo diz:

    porquê?
    ¿como vamos a pedir ao governo e à policía para investigar a extrema-direita se são eles mesmo?

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