O nó do ambiente não está na gravata

A norma interna que inibe os funcionários do Ministério do Ambiente de usarem gravata terá sido prejudicial para o ambiente pela quantidade de papel que fez gastar. Contudo, graçolas à parte, a medida é bem vinda.
O que vestimos é, cada vez mais, condicionado por questões culturais afastando-se da necessidade de protecção e adaptação do corpo ao meio. A decisão sobre o que se veste é feita em função de como se vai ser visto e não em função do tempo que vai estar.
O desenvolvimento tecnológico levou a que se tentasse uniformizar as estações e as temperaturas dentro do espaço construído. Ora, se esta uniformização é fundamental em países de clima com temperaturas extremas, Portugal tem a sorte de ter temperaturas suportáveis na maior parte do ano. O que sucede é que a vontade de parecer se sobrepõe à necessidade. Quantas vezes, no pingo do Verão, as agências bancárias parecem arcas frigoríficas para permitir que os seus funcionários estejam fardados a rigor?
Se esta medida não tem qualquer efeito prático, pode gerar uma reflexão sobre o tema ainda que seja esmagada por decisões políticas opostas como o novo-riquismo da Parque Escolar que decreta ar condicionado em todas as escolas (como se o país fosse uno e sem pensar nos consumos) ou pelo aumento das tarifas dos transportes públicos e progressivo encerramento de linhas (que dificultam ou impossibilitam mais cidadãos de utilizar os transportes públicos).
De qualquer forma, simbolismo por simbolismo na área do ambiente, preferia que este aborto urbano fosse demolido:

imagem retirada daqui

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9 respostas a O nó do ambiente não está na gravata

  1. a anarca diz:

    A Sede da CGD é um trambolho sim senhor mas, não dê ideias …

  2. Pisca diz:

    Tiago, gostei em especial deste post, a questão do Ar Condicionado parece-me sempre mais uma questão de novo-riquismo, do que uma necessidade efectiva.
    Por questões profissionais andei e ando muito tempo por Angola, e uma coisa posso dizer, se o ar condicionado é de facto uma necessidade em Luanda, onde o calor e em especial a humidade tem alturas de ser um tormento, ao contrário se formos para o Lubango (antiga Sá da Bandeira), ele quase não é necessário, tirando é claro as agências bancárias, devem ter um acordo universal nesse sentido.
    Também lidei com gente que usava o a/c, como se fosse um frigorifico (geleira naqueles sitios), baixando a temperatura a niveis incriveis para depois dormir com 2 cobertores.
    Por aqui para mim é de rir, não temos variações de temperatura tão amplas que o justifique, mas parece que fica sempre bem por aparelhometro o que virá a seguir ?
    Já agora podia parar a ventania ao fim do dia, mesmo com um envergonhado calor temos nestes dias

  3. Carlos diz:

    Demolir a culturgeste?, boa, grande ideia, espaços desses não nos interessam, são símbolos da malfeitoria internacional, percebo o argumentário e concordo tout court, mas, já agora, o que se edificava no total da área demolida, um mausoléu?

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Carlos, o mausoléu já lá está sob a forma de caixa-forte do Tio Patinhas. Em vez daquilo era bom que fosse construída cidade.

  4. Antónimo diz:

    pino do verão

  5. José diz:

    Realmente é um edifício enorme, mas grande é necessariamente mau?
    Grande também não é “cidade”, por contraposição ao espaço rural?
    Como cheguei a morar em frente, recordo-me do espaço anterior, das ruínas da fábrica, pensando que daria um excelente parque. No entanto, depois da construção daquele “monstro”, agora, talvez por habituação, já o acomodei na paisagem urbana.
    Que fazer naquele espaço? Que é construir “cidade”?

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      José, não o critico por ser grande. Critico-o por funcionar como um castelo que não permite fruir a cidade. Critico-o porque quem lá trabalha não tem qualquer relação com o exterior, é tudo artificial. Critico-o pela sua implantação, pelos conteúdos dos seus espaços exteriores e por não trazer nada de positivo ao seu contexto urbano. E podia continuar aqui umas quantas horas…

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