História do Povo. 19 de Maio de 1971

Em 1971 Richard Nixon está debaixo de fogo por causa da derrota norte-americana no Vietname e já se pressentia no ar o ambiente social que ia levar à sua destituição no escândalo do Watergate. No dia 19 de Maio de 1971 Nixon aprova leis de emergência para interromper a greve dos funcionários de sinalização dos caminhos-de-ferro e restabelecer a circulação rodoviária. Mais de 500 000 ferroviários estavam paralisados e 350 000 passageiros bloqueados. A greve representa uma paragem de 40% dos transportes de carga dos Estados Unidos. A força dos sindicatos obrigou Nixon a assinar um aumento de 13,5% aos ferroviários. Mas Nixon, enquanto negociava, não baixava os braços e perto da meia-noite aprovava uma lei anti-greves.

Os sindicatos fazem nesse ano aquilo que a imprensa de Salazar admite ser «um áspero ataque» às medidas económicas de Richard Nixon. Em Agosto, os sindicatos comunicam publicamente que não tencionam «colaborar com o seu programa de congelamento de salários e preços por 90 dias, nem corresponderão ao seu apelo para que sejam suspensas imediatamente todas as greves».

A causa mais profunda da situação social dos Estados Unidos estava dentro do país – com a brutal crise de superprodução de capital de 1970 -, e no outro lado do pacífico, no Vietname, mas também no Laos, Cambodja e, indirectamente, a Tailândia (neste último país também haverá um golpe de estado, em 17 de Novembro), onde os povos resistem. Pensa-se que terão sido largadas no Laos, pelos EUA, entre 1971 e 1973, 2 milhões de toneladas de bombas, em resposta à luta contra o povo vietnamita que se transferia para o Laos, onde uma ampla base de camponeses apoiava os comunistas. Reposta brutal mas vã – a derrota americana iria ser celebrada pelo mundo inteiro em 1975.

 

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