Política

Em 2009, os custos da CGTP com remunerações totalizaram 1.404.200, sendo que 1.025.000 se destinaram aos salários do pessoal e 379,2 mil euros aos salários dos dirigentes. O orçamento total de quotizações é de 2,250 milhões de euros.

«A possibilidade da ruptura com o processo de burocratização deve levar em consideração as possibilidades de ruptura com o processo de alienação do trabalho (…) Por enquanto, talvez baste lembrar que este não é um processo irrecusável ou irreversível. A ascensão das lutas dos trabalhadores durante o período de crescimento do Novo Sindicalismo, nos anos 70 e 80, a retomada da mobilização sindical nos países da União Europeia, enfim, a realidade sensível de que, mesmo quando não há acção, ela germina por entre os poros da objectividade do mundo do trabalho, nos permite afirmar que, sob certas condições – materiais  e ideológicas – o movimento sindical pode superar os condicionamentos da racionalidade burocrática da acção reificada e lançar-se à construção da consciência de classe, da luta pela transformação da sociedade»

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41 respostas a Política

  1. Pedro Vaz diz:

    é isso. acabe-se já com a a CGTP!

    • João Pais diz:

      apoiado! vamos mas é todos acampar no quintal do vizinho, que isso é que já se viu é o grande polo mobilizador do proletariado portuges

  2. Raquel, qual é a mensagem do seu post ou a preocupação nele contida?

  3. Bruno Carvalho diz:

    Com todos os defeitos que possa ter, aos quais a Raquel Varela não se refere, a CGTP não deixa de ser uma referência europeia no que diz respeito ao sindicalismo de classe. Apesar da ofensiva das correntes socialistas, aliadas ao Bloco de Esquerda, para se descaracterizar a CGTP, a estrutura tem conseguido resistir. O importante é o reforço do movimento sindical através da consciencialização e organização dos trabalhadores a partir de uma perspectiva combativa e não reformista.

    Com a proximidade do congresso da CGTP, a campanha que aí vem contra a Intersindical será dura. Mais uns meses e teremos uma novela montada na comunicação social para promover um outro tipo de sindicalismo, a que alguns chamarão moderno. E os protagonistas desse modernismo sindical vão ser levados em ombros contra os “velhos”, os “ortodoxos”, os “comunistas”, etc.

  4. Rocha diz:

    A Raquel faz muitas acusações inflamadas ou então atira insultos com a maior calma do mundo. Já nos habituou ao sempre inovador “o PCP traiu”.

    Agora virou-se contra a CGTP. Não faz vistoria às contas da UGT? Porquê?
    Será que há alguém que não seja capitalista em Portugal fora do colectivo rubra (e as contas da rubra…)?

    Mas o seu ultra-revolucionarismo parece espuma, aparece e desfaz-se ao sabor das ondas.

    O que queria então? Umas Comissiones Obreras ao gosto do PSOE? CGIL controlada pelo Partido Democrático italiano? A TUC do New Labor? Os sindicatos alemães do SPD?

    Sabe que dentro da Europa Ocidental (União Europeia/zona euro) só a CGTP e a PAME (grega) são centrais maioritárias a nível nacional de maioria comunista (logo anti-reformistas e anti-governos)? O resto está sobre a alçada da Internacional capitalista… perdão “socialista”.

    Já ouviu falar de uma central sindical trotskista? Aonde? Quer fazer uma? Às tantas se juntar meia dúzia de pessoas até pode fazer uma…

    É uma pena ainda não a terem eleito porta-voz da classe trabalhadora não é?

    Eu usaria outro tom, se a sua crítica fosse construtiva, que não foi. Certamente que o sindicalismo, mesmo o que supomos ser comunista e anti-capitalista tem muitos defeitos. E o actual líder da CGTP, Carvalho da Silva, tem ainda mais – digo eu. Mas isto de mandar bocas tipo “traidores” e “capitalistas” a torto e a direito – a todos os sindicalistas e funcionários da CGTP – serve para quê e serve a quem… à UGT… à tiragem da rubra…? Parece que andamos aqui a brincar às revoluções – até dá vontade de perguntar “e você quanto ganha” – chama a isto debate de esquerda?

    Raquel: você cansa-me.

  5. Miguel Lopes diz:

    “é isso. acabe-se já com a a CGTP!” Pedro Vaz

    “Com todos os defeitos que possa ter..” Bruno Carvalho

    “O que queria então? Umas Comissiones Obreras ao gosto do PSOE?” Rocha

    “CGTP, love it or leave it!” Eu

    • Raquel Varela diz:

      Miguel, e Bruno
      Não há meios termos? Não se pode pensar numa central sindical que não gaste 70% do orçamento com os seus próprios funcionários? Estão a dizer o quê? Dessindicalizem-se porque melhor não pode ser?

      • Bruno Carvalho diz:

        Raquel, estás ou não de acordo com que haja trabalhadores que, destacando-se na luta sindical, sejam remunerados para ocupar a maior parte do seu tempo a informar, a sindicalizar e a organizar a luta?

        Raquel, estás ou não de acordo com o princípio leninista do revolucionário profissional? E, neste caso, de que a existência de quadros destacados, e cuja prioridade é a luta sindical, pode fazer avançar enormemente a organização e a luta?

        Supondo que na última década, o número de sindicalistas a meio tempo ou a tempo inteiro tenha diminuído ligeiramente, ou mesmo que se tenha mantido estável (são dados que desconheço), e que os seus salários não tenham sofrido grandes alterações (ou pelo menos aumentos ténues), não será que esses 70 por cento são o resultado de uma certa incapacidade, circunstancial, de recolher mais dinheiro? Ou seja, eu não acho que seja errado que a CGTP gaste esse dinheiro com sindicalistas e funcionários. Acho é que houve uma redução da recolha de fundos que elevou essas verbas aos 70 por cento.

        Se por trás dessa dificuldade de recolha de fundos estão razões internas ou externas, desconheço. Mas considero que tu erras na avaliação que fazes. Para além disso, a CGTP é uma confederação com realidades muito diferentes nos vários sindicatos.

        • Raquel Varela diz:

          Estou, mas não na proporção que tu dizes, não com melhores salários, condições de trabalho ou regalias salariais que a média, não sem rotatividade. Não compreendo como pode um dirigente sindical não trabalhar na sua profissão 30 anos.

          • Vasco diz:

            Isso caberá aos trabalhadores decidir, certo? Há excelentes dirigentes sindicais com dedicação exclusiva à luta como haverá eventualmente maus acabadinhos de chegar – e vice-versa. A questão, como o Bruno muito bem coloca é, a meu ver, a necessidade de angariar mais fundos, sindicalizando mais. Mas temos que ter uma coisa como certa: com os cortes nos salários, o desemprego e a precariedade é normal que as receitas dos sindicatos se ressintam…

  6. Vasco diz:

    Solução, cara Raquel? Deixar de ter funcionários? Assentar a sua actividade e estrutura apenas no voluntariado, com todas as implicações que isso teria, sobretudo num momento em que os horários são desregulados e as condições de vida se degradam? Deixar de ter dirigentes exclusivamente dedicados à actividade sindical? Ah, já sei: «auto-organização», «autoqualquercoisa». Soa bem. É bonito. Mas seria desastroso. Para a CGTP-IN, para os trabalhadores. Para o País.

    Genial, mais uma vez. Mas, isso sim, sempre coerente. O capital certamente agradece!

    • Raquel Varela diz:

      Vasco,
      Há 10, 20, 30, 40, 70%. A matemática é assim. E na filosofia, marxista, os saltos de quantidade podem ser também saltos de qualidade. Sim, é muito, muitíssimo exagerado este valor e ele é uma das explicações para esta apetência da direcção da CGTP pela negociação em vez da luta.

      • Raquel Varela diz:

        Inclui nessa análise o acordo de 17 de Abril de 2008 assinado pelo Mário Nogueira que matou a luta dos professores?

        • Vasco diz:

          Não indo ao pormenor de um caso que não conheço a fundo, em termos gerais evidentemente que há negociações e negociações. Que umas representam claramente vitórias (totais, como na CP) ou parciais. E há as que representam derrotas, cedências e mesmo traições. Para o desfecho de uma negociação sindical, como certamente sabe, concorrem muitos factores – situação concreta em determinada empresa ou sector ou estado de espírito dos trabalhadores…

          Sobre a moderação, continuo sem saber onde é que as minhas «acusações» são mais «radicais» do que as suas…

        • JMJ diz:

          Sim, porque os professores, sempre embuídos do espirito revolucionário e proletário que os caracteriza, foram traídos pela direcção do sindicato!

          Será que não percebe que quem faz os sindicatos são os trabalhadores nele sindicalizados? Ou será que apenas não quer perceber?

          • João Valente Aguiar diz:

            Cara Raquel,

            o que o JMJ diz aqui tem todo o sentido. Os sindicatos são o que os seus filiados (e, nalguns casos, até não filiados) fazem dele. Até um conselhista como o João Bernardo (com o qual concordo em poucas coisas) fala que a burocratização do movimento operário depende muito mais do recuo da organização e da consciencialização da classe e menos das direcções políticas e sindicais. No caso dos professores, o acordo que falas está longe de ser um bom acordo, mas o que fez a luta recuar foram outros factores, até porque posteriormente ao acordo que falas ainda houve uma enorme manifestação de 120 mil professores e duas greves com mais de 90% de adesão. Um desses factores para o recuo da luta dos professores foi o passar a assentar a luta a partir de Março de 2009 na recusa dos professores em fazerem a avaliação, desprezando as greves e as manifestações de massas. É como se a CGTP se lembrasse de deixar de fazer manifs e greves e pedisse aos trabalhadores para não preencherem papelada ou não realizarem determinadas actividades (por incorrectas e injustas que o sejam, e o são de facto).
            Mas, voltando à ideia do início, são os trabalhadores que fazem os seus sindicatos. Quanto muitíssimos profs contratados (ou a recibos verdes) gozam com o pessoal que participa em plenários do sindicato e que dizem que o sindicato só serve para lhes tratar de pontuais apoios jurídicos, tens aí o caldo cultural e (des)organizacional para o recuo da luta e da persistência de algumas deficiências (nuns sindicatos de professores mais, noutros menos).

            Abraço

          • Raquel Varela diz:

            João,
            Eu conheço as concepções do João Bernardo, interessantes ,mas discordo delas. A dimensão subjectiva/objectiva contínua a ser uma discussão no mínimo muito complexa. Tendo a achar que um povo não tem o governo que merece como o proletariado não tem a direcção que defende os seus interesses. A classe trabalhadora e os seus aliados não agem sempre de acordo com os seus interesses porque não têm uma percepção clara destes. Que outra justificação pode ter o apoio de grande parte da classe operária europeia à tragédia da I Grande Guerra? A burguesia impõe à classe trabalhadora uma visão do mundo que corresponde aos interesses da burguesia, mas que é “vendida” como interesses de todos (como não recordar aqui a “cidadania”, a «economia nacional» levada pelas direcções reformistas europeias ao coração do movimento anti-globalização?). Em segundo lugar, os factores que determinam que uma classe mantenha o apoio aos seus dirigentes são múltiplos e não se podem resumir na fórmula «cada um tem o que quer», estranha ao marxismo: as direcções são cooptadas – um fenómeno regular, com consequências trágicas, na história do século XX. A classe operária, leva tempo, sobretudo em situações defensivas ou reaccionárias a perder a confiança nos seus dirigente.
            Abç

          • JMJ diz:

            Mas uma direcção que puxa para onde os trabalhadores não querem ir arrisca-se a ir sózinha e perder os trabalhadores. Acusa-se as direcções sindicais de não serem suficientemente “revolucionárias”, mas estarão os trabalhadores prontos para esse impulso revolucionário?

            Vivemos tempos de resistência. Sejamos claros: a situação actual é claramente favorável às forças do capital. É obvio que é possivel e necessário fazer frente e romper com este cerco, mas isso não se pode fazer ao arrepio daquilo que é, hoje por hoje, a realidade que nos rodeia.

            Eu também queria a revolução ontem. Já era tarde ante-ontem. Mas tenho os pés bem assentes no chão e sei, por experiência própria, em que condições se faz hoje a luta, seja nos locais de trabalho, seja na rua.

            Atento isto importa valorizar quem fez da luta a sua vida. É uma escolha dificil, que exige sacrificios.

            O que a Raquel fez com este post foi do mais reaccionário que tenho visto nos ultimos tempos, ao nível das propostas da Troika para alteração do regime legal dos sindicatos.

          • Raquel Varela diz:

            Eu e a troika, lado a lado camarada

          • João Valente Aguiar diz:

            «Mas uma direcção que puxa para onde os trabalhadores não querem ir arrisca-se a ir sózinha e perder os trabalhadores. Acusa-se as direcções sindicais de não serem suficientemente “revolucionárias”, mas estarão os trabalhadores prontos para esse impulso revolucionário?»

            Raquel, é este “realismo” revolucionário (não encontrei palavra melhor) mto bem descrito pelo JMJ que me parece que é o que mais nos separa.
            Bem, vamos à luta que o inimigo de classe está noutro lado e só fica imensamente satisfeito por ver a malta à cabeçada. 🙂 Neste contexto de absoluta urgência, neste contexto em que a burguesia mais nos quer reduzir a escombros e que a burguesia mais tem conseguido atacar a classe trabalhadora e o povo, juntemos forças no que nos une (ou pode unir): que eles (a burguesia, o FMI, a UE, o governo, a troika PS-PSD-CDS) são o inimigo, e que a luta de massas é o caminho.

          • Casimiro diz:

            Nem mais.

          • João Valente Aguiar diz:

            Raquel,

            eu não disse que concordo com o João Bernardo. Apenas mencionei uma tese que me parece correcta, a de que a origem de uma possível burocratização no movimento operário começa no recuo da luta de massas e não participação na luta política (onde cada operário vai tratar da sua vidinha) e não nas direcções revolucionárias. Ou seja, não basta ter uma teoria correcta sobre a luta pelo socialismo. A espontaneidade das massas tb é necessária, sobretudo no que diz respeito a, por exemplo, um início de um qualquer processo revolucionário, tal como o estado da consciência política da classe trabalhadora num determinado momento histórico tb condiciona e mto a sua adesão à luta, aos sindicatos, aos partidos revolucionários, etc. Para voltar ao exemplo dos professores, eu não iria fazer propaganda para que se começasse a construir o socialismo logo ali naquelas lutas de 2008-09, pois a sua consciência política naquele momento nem a meio caminho desse objectivo atingiria. Apesar de curiosamente serem uma das fracções mais politicamente conservadoras da classe trabalhadora, os professores mobilizaram-se e aderiram a acções de luta essenciais e imprescindíveis para toda e qualquer classe trabalhadora em geral: manifestações de massas e greves. O erro talvez tenha passado por não se ter aprofundado precisamente a via que dá corpo colectivo a algo que anteriormente tinha aderido à luta de forma espontânea e conjuntural. E o não se ter percebido isso por algumas direcções sindicais, na minha opinião, menos próximas do sindicalismo de classe que a CGTP preconiza é que tb deitou mta da luta a perder. Ora, aqui voltamos à “qualidade” da consciência dos sindicalizados e do seu envolvimento na organização do sindicato. Se muitos professores não perceberam que a luta depende da sua intervenção consciente e militante nos sindicatos (e se alguns dirigentes sindicais não percebem que tb têm de fazer um maior esforço para contactar mais frequentemente com os profs nas escolas), é óbvio que quando algumas organizações sindicais sem uma perspectiva recuam ou conduzem a luta de um modo menos “correcto”, então parece-me que a coisa só poderia resultar no desaparecimento da luta dos professores do mapa.

            A classe precisa inquestionavelmente de organizações de classe (passe o pleonasmo) que a defendam: partido, sindicatos, etc.. Mas a classe em geral (incluindo os mobilizados e os desmobilizados) tb “faz” muito do que as suas organizações “fazem” num determinado momento.

            Abraço

  7. Vasco diz:

    Ao contrário do Governo, não podemos só cortar na despesa… Sindicalizando mais aumenta-se a receita. “Não à aplicação das receitas do FMI no movimento sindical.» Belo lema!

  8. Vasco diz:

    Já agora, de quem é o texto citado? E de que «novo sindicalismo» fala? Daquele que o Chora pratica?… Uns pela direita e outros pela «esquerda», os mesmos alvos de sempre: PCP e CGTP-IN. Porque será? Será do Guaraná?

    • Raquel Varela diz:

      Vasco,
      O texto tem um link para o autor.
      Veja, estou a ser paciente, acho muito bem que defenda as suas posições, mas moderar o tom é condição para o diálogo, concordará.
      Raquel

    • Raquel Varela diz:

      Vasco,
      Apaguei todos os comentários que faz ao meu livro. Quer goste quer não, a minha investigação não é uma «opinião», são muitos anos de pesquisa que não se submetem a fanatismos e devia lê-lo atentamente para perceber mais um bocadinho de quem é, afinal é a única história do PCP na revolução e lida e defendida por muita gente diferente e séria. Se tem alguma coisa dizer sobre o livro cite a página, o facto e mostre-me, com factos e documentos, o que acha que está errado e discutimos. Acabei de receber uma carta de um militar do Porto onde me dá dados novos sobre um caso de Outubro de 1975. Pedi-lhe para ir ter com ele ao Porto para ver esse dados.
      Isto não, isto é propaganda de baixo nível que só joga contra si. Pegar nas minhas opiniões politicas de hoje – que são como sabe a de que o PCP defende a gestão do capitalismo com a renegociação da dívida e não faz oposição de facto aos governos – para questionar um trabalho de investigação, é algo que não lhe dou uma linha de margem para fazer. Discutimos porque é bom ou mau depender das autarquias e porque é bom ou mau gastar 70% de dinheiro em funcionários mas não discutimos uma vírgula do meu livro a não ser nestes termos: página, facto, documento.

      • Vasco diz:

        Aconselho: A Revolução Portuguesa, o Passado e o Futuro; A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril ou Rumo à Vitória, de Álvaro Cunhal…

        • Raquel Varela diz:

          São bons conselhos, mas veja eles dizem coisas muito diferentes. O programa de Rumo à Vitória cai no congresso de Outubro de 1974, com a Plataforma de Emergência, e só volta a ser recuperado em Fevereiro de 1975.
          “Em A Revolução Portuguesa. O Passado e o Futuro, publicada em 1976, o PCP faz o balanço da esquerda militar, acusando-a de ter boicotado a ligação entre PS, PCP e mesmo PPD, provocando a ruptura da aliança do MFA com o movimento democrático , num processo que se inicia quando este sector tenta construir «formas directas de ligação do MFA com o movimento popular», que começam com o Documento Guia Povo-MFA que Cunhal, neste livro, classifica de tentativa de «militarizar o movimento operário» . O texto prossegue defendendo a inviabilidade do V Governo, o desacerto da FUR e a correcção da política do PCP ao defender uma solução de acordo político com o PS e o Grupo dos 9. No livro, Cunhal considera ainda que não houve da parte da esquerda qualquer tentativa de golpe, que o único sector preparado militarmente nesse sentido foram as «forças e sectores aliados contra a esquerda militar», que o 25 de Novembro representou uma «derrota da esquerda militar», mas que a revolução estava em curso. Da mesma forma que o 25 de Novembro derrotou a esquerda militar, também permitiu «recompor-se e reorganizar-se, na própria evolução natural das estruturas, uma nova linha de defesa das liberdades e da democracia nas forças armadas» .
          No balanço que faz do 25 de Novembro, publicado em 1999, na obra A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se), Cunhal, que justifica a nova obra pela profusão de testemunhos entretanto publicados, defende uma tese distinta. Para o líder comunista, o «25 de Novembro foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário. A sua preparação começou muito antes das insubordinações e sublevações militares do Verão Quente e de Outubro e Novembro de 1975» . O líder comunista argumenta nesta obra que o PS, aliado à extrema-direita, sofreu um derrota política na medida em que procurou ilegalizar o PCP e aparecer como «aquele que teria salvo a democracia de um golpe» . Mas, pelo acerto da aliança que o PCP soube fazer com o Grupo dos 9, Mário Soares acabou por ser um «derrotado» no 25 de Novembro: «Mário Soares e o PS tinham representado um papel importante na acção política preparatória do 25 de Novembro. Mas o golpe de 25 de Novembro não foi o que projectaram. Nenhum dos seus três objectivos centrais se concretizou. Nem a liquidação da dinâmica revolucionária e das suas conquistas. Nem o esmagamento militar do PCP, do movimento operário e da esquerda militar, nem, como resultado do golpe, ser Soares o vencedor, aquele que teria salvo a democracia de um golpe e de uma ditadura comunista e que por isso assumiria naturalmente de imediato, no poder do Estado, as responsabilidades daí recorrentes»”. (In História do PCP na Revolução dos Cravos, Bertrand, Lisboa, 2011)

          • susana diz:

            ora toma. e só cinco minutos de pois, a mostrar que tudo estava na ponta da língua.

          • Vasco diz:

            Dizem coisas diferentes? O mundo avança, minha cara, e com ele as análises apuram-se. Nem tudo está nos livros do Trótski. Quanto ao que cita do seu livro, não respondo, caso contrário a Raquel censura…

          • Vasco diz:

            Grande testamento. Copy paste da tese não vale. Sobretudo se depois não podemos comentar por ser «factual» e «académica». Viu, dois posts sem falar do conteúdo da tese. Estou muito mais «moderado» e «civilizado»…

  9. João Pais diz:

    Então e quem seriam os 3 em cada 10 funcionários da CGTP que demitiria?
    Nem todos os que a CGTP a tempo inteiro serão os melhores do mundo certamente, mas nesta vida só não falha quem não tenta! Estou com o Vasco, menos meios são menos acção. Não se trata de “quem não está comigo, está contra mim”, mas antes de abordar a questão de uma forma estratégica. O problema não está nos meios de que a CGTP dispõe (porque esses até são curtos para tudo o que é preciso fazer), mas antes, eventualmente, na sua optimização. De que valeria o dinheiro no banco a render, é para dar juro?

    • Raquel Varela diz:

      O dinheiro no banco a render?????????????
      No outro dia fui ao meu sindicato da CGTP, por acaso num luxuoso prédio, chão de carvalho francês, aquecimento central.
      Disseram-me que não havia funcionários para ir colar cartazes a favor da greve geral na Faculdade. E quando lá cheguei havia 3, uma delas com a filha a brincar pelos longos corredores. Perguntei «afinal não há funcionário para colar cartazes comigo?». Resposta: estes funcionários estão aqui para questões administrativas.
      E que tal dinheiro para espalhar outdoors: «O imposto de Natal é um roubo, Greve geral, demissão do Governo, não pagamos a dívida, paguem-nos o que nos devem!»? Por exemplo.

      • JMJ diz:

        e não colou os cartazes com os seus colegas de local de trabalho? Com o seu delegado sindical? Ou tinha que ser o Carvalho da Silva a ir consigo? Ou o Mário Nogueira?

        A força dos sindicatos é a força dos trabalhadores.

      • Bruno Carvalho diz:

        Por acaso, há mesmo funcionários que estão ali para questões administrativas. Ou seja, podes ter o porteiro, o advogado, o contabilista, etc. Depois tens muitos dirigentes que passam a vida a calcorrear os locais de trabalho. O problema, mais uma vez, não está aí. O problema está nos que não estão e deviam estar.

  10. Casimiro diz:

    Espero que nunca (como muitos de nós já precisaram) venha a ter necessidade de recorrer aos serviços da CGTP ou de um dos sindicatos nela filiados!
    E, já agora, os tremendos aumentos anunciados para os preços dos transportes públicos não seriam merecedores de um postezito? E não será isto muito mais importante, nesta altura, do que andar a discutir o orçamento da CGTP?

    • Raquel Varela diz:

      Como sabe este blog tem muita gente diferente. Felizmente, escreve-se aqui muito sobre a má política da direita. Eu escrevo sobre a má política da esquerda porque não espero nada da direita e espero tudo da esquerda.

  11. JMJ diz:

    Então mas na Acampada de Lisboa não era para haver uma revolução que acabaria para sempre com os sindicatos?

    2 Meses depois da gloriosa revolução do 19 de Maio ainda são precisos sindicatos?
    Ainda há luta de classes?
    A mais importante luta dos ultimos 30 anos não resolveu os problemas?
    Ainda há FMI?
    Ainda há troika?
    Ainda há capitalismo?

    Cá para mim, a Rubra andou a sabotar o processo revolucionário do Rossio porque é pró-capitalista e reformista!

  12. Vasco diz:

    Separada das massas, a vanguarda vai sozinha. Há que empurrar as massas para a frente (o que demora o seu tempo, convenhamos, e tem avanços e recuos…) e não distanciar-se demasiado delas. Fosse por nossa vontade acredite, Raquel, já estávamos no socialismo (pelo menos…)

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