Na Católica a formalidade, no Ministério da Agricultura é preciso ter estilo

Há milhões de problemas no país e no mundo, mas caraças, agora apetece-me pegar mais nestas cagadas do que fazer uma análise séria sobre uma qualquer medida económica do Governo ou em mais um tiro no pé do Bloco de Esquerda: os códigos de vestimenta que estão a ser implementados na Universidade Católica e no Ministério da Agricultura, Mar,  Ambiente e Ordenamento do Território. Enquanto que no primeiro caso recomenda-se que deixem de utilizar trajes, sandálias, toalhas de praia no ombro, t-shirts do Benfica, porque – ora bolas! – aqueles edifícios são uma universidade e uma instituição da igreja (e um banco BES), não é um local de diversão, é um local de trabalho; no segundo que é um local de trabalho, numa tentativa de, quiçá, tentarem descer ao povo (os agricultores, os pescadores, os marinheiros, os ambientalistas e os que dão umas ordens no e ao território), de poupar no ar condicionado e, mais importante ainda, dar um ‘ar cool’ a este tão desprezado ministério.

Enfim, uma coisa sem importância alguma. Não serve para se organizar uma slutwalk na Católica, nem uma marcha de engravatados lá pelo ministério, nem tal faria sentido. É apenas o ridículo das situações, do regresso à uniformização (já em processo com o traje académico), e da descoberta que a gravata não tem função nenhuma quando se está sentado numa secretária, noutro lado qualquer, e mesmo em pé ainda não lhe descobri nenhuma função.

Mas há aqui outro ponto que incomoda mais (ou absolutamente nada): a universidade ser apenas e só um local de trabalho, em que uma pessoa não se pode divertir. É que a restrição da universidade a um local de trabalho, e não de discussão, de partilha de ideias, pensamentos, conceitos e de ferramentas, é uma coisa que dá jeito (não é, Nuno Crato?). O mesmo serve para o local de trabalho, em que nada disso pode acontecer (e se acontecer, é em nome da produtividade, ora aí está!). Não é novo, já está em curso há bastante tempo, é cada vez mais assumido. E é perigoso e chato este mundo em que estamos a viver.

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