Francisco Sá Carneiro Visto Pelos Outros

Não é uma tertúlia como as outras, onde sistematicamente os seus discutem entre si as respectivas figuras. Desta feita, Francisco Sá Carneiro, fundador do PPD e motivo de evocação de todos os candidatos a líderes do PSD, estratega da primeira AD num tempo em que  estamos a ser sujeitos à terceira, e uma das figuras mais marcantes da direita portuguesa vai ser reflectido por um painel de bloggers à sua esquerda. Não sei se a moda pega e iremos finalmente assistir a um debate sobre o Cunhal sem a tutoria do PCP ou sobre o Adelino Amaro da Costa sem ser controlado pelo CDS, mas seria interessante que os debates debatessem de facto e deixassem de vez o lastro dos comícios. Com a presença desta tasca na voz do Ricardo Santos Pinto, a efervescência está garantida.

“Por ocasião da celebração do aniversário do nascimento de Sá Carneiro, o Instituto Francisco Sá Carneiro organiza uma tertúlia – debate sob o tema «Sá Carneiro visto pelos outros», que irá ter lugar no Centro de Congressos da Alfândega, no Porto, pelas 19 horas do dia 19 de Julho.

Qual a importância do legado pessoal e político de Francisco Sá Carneiro? Como o vêem hoje os que não pertencem à sua familia ideológica? Ou será que a dimensão de estadista e homem ultrapassa as fonteiras da ideologia?

Para conversar sobre este assunto estarão presentes no Centro de Congressos alguns representantes de conhecidos blogues de esquerda: Ricardo Santos Pinto (5 Dias), António José Mário Teixeira (Aventar). Bruno Góis (Adeus Lenine), Tiago Barbosa Ribeiro (Kontratempos, Metapolítica, Blog De Esquerda, Simplex) e Tomás Vasques (Hoje Há Conquilhas). A moderação estará a cargo de Filipe Caetano (do programa Combate de Blogues, TVI24).”

Convite:

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10 respostas a Francisco Sá Carneiro Visto Pelos Outros

  1. Bruno Carvalho diz:

    Renato, debates sobre o Álvaro Cunhal sem a “tutoria do PCP” há-os aos pontapés.

    • Renato Teixeira diz:

      Tirando os académicos, não tens razão.

      • Carlos Vidal diz:

        Mas o caso do Cunhal é muito, muito diferente.
        Totalmente diferente. Sem comparação possível.
        Os seus adversários de direita vergam-se à evidência do intelectual e artista (um desenhador de um lirismo arrebatado, um pensador do equilíbrio entre a forma e a mensagem, um teórico enciclopedico da arte), do pensador, do homem. (Claro que os adversários lá acrescentam uma farpas à “ideologia”.)

        Quanto a Sá Carneiro não creio ter nenhuma daquelas qualidades, nem sei que outras: nenhuma admiração me move em relação à figura – não, não era pensador, não era intelectual nem artista, como homem diria eu ser sofrivelmente respeitável (como os outros, sem nada de particularmente singular).

        • Renato Teixeira diz:

          O respeitável em ti, referente ao Sá Carneiro, merece toda uma análise semiótica. 😉

          • Justiniano diz:

            Acompanhando, um pouco, o caríssimo Vidal, diria que a mesma fundação teria um trabalho muitíssimo mais interessante, e isto dentro do escopo estatutário da mesma, se dedicasse algum tempo a Mota Pinto ou a Magalhães Godinho!!

  2. João Pais diz:

    O que há para discutir? Que o gajo era um filho da puta, um fascista, um sacana como os restantes que nos andam a encavar desde 76? Não consigo perceber o que pode alguém querer desta iniciativa, para além dos que quererão apenas fazer o povo esquecer de quem este pulha foi, que foi deputado na assembleia fascista e que não é (porque não há nenhum!) o D.Sebastião que nos faz falta. Para quem tanto critica os que “vão de férias” da luta, a mim isto parece-me ser ainda mais inutil, ao menos de ferias um gajo descansa.

  3. xana diz:

    por acaso até tenho curiosidade em saber q mais ha a dizer sobre o sá carneiro. morreu cedo. tornou se o martir da direita, pelo menos enquanto aquela tanga q tinha sido morto pelo pcp ainda pegava. agora q ja nao foi morto pelos comunistas, ja nem interessa se foi ou nao atentado, nao foi barbaramente assassinado pela esquerda? ja nao cheira a novela mexicana, ja nao interessa…por isso q mais ha a dizer sobre sá carneiro?…principalmente a esquerda! q tem ela a dizer sobre o personagem? e para quê? ha alguma lição a tirar dessa discussão, ou é fruto da silly season?

    • Renato Teixeira diz:

      Ora, até que enfim as perguntas certas. Claro que interessa discutir, especialmente agora que a direita perdeu o entusiasmo. As conclusões que já existem são claras sobre o sentido ideológico do assassinato, e o facto dele visar acima de tudo o Adelino Amaro da Costa e os que choravam o fim das regalias do Ultramar é mais do que pano para mangas.

      Francisco Sá Carneiro, a principal referência da direita, especialmente por ter fundado o seu mais importante sentido governativo, mas é um actor secundário do seu assassinato quando o alvo era o outro representante da sua coligação.

  4. Pingback: DIRECTO, às 19h30 | Francisco Sá Carneiro Visto Pelos Outros | cinco dias

  5. Não sei que novidades trouxe o debate relativamente à figura de Sá Carneiro, mas se não focou uma evidência que de há muito e em todas as ocasiões que posso afirmo, a de que ele criou uma federeção ideológica, o PPD, para fazer frente aos avanços da revolução e que era um tipo corajoso e que em face da estratégia que escolheu tinha aprontos tácticos brilhantes, por isso foi derrotado internamente várias vezes por virtude de muitos dos seus colegas não perecebem o alcance dessas viragens, então deixou em branco aquilo que o PPD actual se esforça por esconder: que um saco de gatos pensado para o ser, é o partido que maior implantação eleitoral tem no país. Por isso, os da província, como eu, passámos o tempo a gritar úma máxima de Lenine, que as revoluções se fazem na cidade e se perdem no campo. E Sá Carneiro ainda hoje tem o campo a seus pés e todas as possibilidades de travar os avanços da esquerda. Se está evidência me doi? Mas ainda me doi mais o facto de saber que para se falar de Sá Carneiro e do fulgor das suas iniciativas, tem que se falar do papel de Mário Soares. Quanto a Cunhal, se o PCP o deixa à solta pode não vir a saber como o voltar a segurar. Mas as heranças têm este peso. Está mal?

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