O farsola, o pote e as muitas formas de corrupção

Pedro Passos Coelho é outro dos artistas que têm vindo a governar Portugal nos últimos anos.
O paladino da transparência e da verdade nas contas públicas sonha com a redução do défice, mas sempre à custa dos mesmos. Nem uma medida contra os benefícios fiscais à Banca, nem uma medida contra a isenção de mais-valias, nem uma palavra que explique por que razão só os grandes não vão ter de pagar o imposto extraordinário.
Tal como José Sócrates, Pedro Passos Coelho está refém do grande capital. Está refém dos poderosos. Os que lhe pagaram as sondagens nas vésperas de chegar ao poder no PSD, os que lhe pagaram a campanha interna. Já se sabia que aqueles que o levaram ao poder, mais cedo ou mais tarde, iriam querer o pagamento. A cobrança já começou.
Tal como José Sócrates, Pedro Passos Coelho põe-se de cócaras perante o grande capital. Só que, ao contrário daquele, que voga à medida dos seus próprios interesses, a sua matriz ideológica é exactamente essa: a submissão do Estado aos poderosos. Aos mesmos de sempre.
O problema? O problema é que os políticos portugueses que nos têm governado são corruptos. Corruptos na verdadeira acepção da palavra e moralmente corruptos. Ladrões de colarinho branco, que ao contrário dos heróis da literatura, roubam aos pobres para dar aos ricos. No fundo, são lixo, mas lixo que nem uma agência de rating conseguiria classificar.
É por isso que Portugal é um dos países da Europa em que a diferença entre ricos e pobres é maior. É por isso que as desigualdades aumentam a cada passo. É por isso que o Governo corta a torto e a direito nos grandes «privilégios» dos trabalhadores por conta de outrem e deixa impunes os pobres capitalistas que vivem à custa do dinheiro que não é seu. É que um novo imposto, a gentalha do capital não poderia suportar. Tem de continuar a enriquecer. Tem de continuar a poder emprestar dinheiro à economia, diz o farsola que estava mortinho por ir ao pote. Sim, tem emprestado muito até agora…
Aos meus amigos e conhecidos: Depois disto, venham com as costumeiras estórias do Rendimento Mínimo, essas migalhas que os nossos políticos dão aos miseráveis, como se estivessem a dar uma grande coisa, e venham com as estórias de quem não quer trabalhar. Insulto-vos de tudo no mesmo segundo.

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6 respostas a O farsola, o pote e as muitas formas de corrupção

  1. Sassmine diz:

    As pessoas que insistem no rendimento mínimo e no plasma a prestações que o filho da porteira comprou como razões para a crise, insultam-se a si mesmas.

  2. ovotas diz:

    Por estes números se verifica o quanto medíocre é a distribuição da riqueza em Portugal : ( 65% de trabalhadores excluídos do imposto ), e 80% dos pensionistas. Significa tão-só que 65% dos trabalhadores recebem o salário mínimo ou menor, bem como 80% dos pensionistas. Esta a sociedade civilizacional que a direita europeia nos tem para oferecer há décadas.

  3. Diogo diz:

    Coelho, tal como Sócrates, é um fantoche ao serviço da Banca. Esta é literalmente dona dos partidos do «arco do poder». De modo que, de quatro em quatro anos, a Banca apresenta ao eleitorado o PS ou o PSD, para este «escolher». Escolham os eleitores o que escolherem. Escolhem sempre o mesmo.

  4. Pedro Lourenço diz:

    Ricardo,

    Gosto de te ler.

    E mais não digo. Continua.

    Abraço

  5. HORIZONTE XXI diz:

    Enquanto houver bolo aparecerão as formigas
    Enquanto houver queijo aparecerão os ratos
    Enquanto houver merda aparecerão as moscas
    É bastante claro: gerir a riqueza produzida pelos outros sob o domínio de uma doutrina
    de acumulação e individualismo, só pode dar este resultado.

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