A “nossa” dívida deve ir para o lixo, naturalmente, assim como a Moody’s, o BM, o BCE, o FMI e os restantes tentáculos da sua ordem mundial.

A Raquel tem razão quando alerta para o terreno movediço de onde surgiu o levantamento patriótico na sequência da Moody’s ter baixado o rating da nossa dívida para lixo. Como se pode ver no vídeo acima o problema do actual sistema político e financeiro está longe de começar ou de acabar na classificação desta ou daquela agência de rating, mas não podemos deixar de estar solidários com este tipo de indignação. Se é verdade que a Moody’s até terá razão neste particular, ou seja, é no lixo que os talões da “nossa” dívida devem ir parar, não é mentira que o seu papel tem a função de desvalorizar o preço ao qual o governo de Passos Coelho e de Paulo Portas se preparam para vender ao desbarato o que nos resta. Os organizadores do ataque virtual à Moody’s, que teve sucesso, acabaram o dia a cantar loas ao “bom nome desta Pátria”, como se o bom nome resolvesse o problema do emprego, da precariedade ou da austeridade com que nos querem lidar nos próximos anos. Agora nem sempre a direcção de um processo determina a sua finalidade. À maioria ficou mais fácil perceber que o capitalismo não funciona depois do sobressalto patriótico e aos internacionalistas ficou mais fácil explicar que agora é preciso caminhar para outro tipo de insubordinação. Assim a pergunta impõe-se: depois do ataque à Moody’s para quando um ataque ao BM, ao BCE e ao FMI? Quando regressam as mobilizações contra o G8, o G20 ou a NATO? Quando se colocará em causa o carácter anti-democrático da União Europeia? Sabemos, e o 75º aniversário da Guerra Civil espanhola, na próxima semana, serve bem para nos lembrar, que os povos, contanto unicamente com a sua resistência, serão incapazes de dobrar os sinos por quem quer que seja. Agora, e como o próximo vídeo demonstra, se a linguagem homófoba pode ser uma ferramenta progressista para se atacar uma agência de rating, o ataque às agências de rating são também um bom meio para que mais gente passe a compreender e a atacar o capitalismo.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , . Bookmark the permalink.

19 Responses to A “nossa” dívida deve ir para o lixo, naturalmente, assim como a Moody’s, o BM, o BCE, o FMI e os restantes tentáculos da sua ordem mundial.

  1. Bolota diz:

    Renato,

    Estou farto de perguntar por ai sem que alguem me responda.

    E se a Moody’s tiver razão????

    Aliás, eu acho que tem razão e o problema não foi o que disse a Moody’s, o problema é que Moody’s veio mexer com os grandes…gestores, tipo Rui Rios, Fernando Seara, Antonio Costa, e afins…dos Bancos e empresas de topo, todas elas (bem) geridas.
    Abraços

    • Renato Teixeira diz:

      É mais ou menos isso. Eu estou convencido que a Moody’s tem razão quando diz que a capacidade de Portugal pagar a dívida, espúria e odiosa como sabemos, é nula. Independentemente disso também se percebe a intenção de agravar o preço do juro e pressionar a que o país caminhe para as privatizações que com este cenário serão bem mais baratas do que num contexto de hipotética recuperação económica.

      • Pedro Lourenço diz:

        No fundo, o que a Moody’s vem dizer é: esqueçam, enquanto continuarem com estas políticas que promovem tombos de 4% no vosso PIB não vão conseguir pagar nada e vão entrar em bancarrota mais tarde ou mais cedo. A única saída é a renegociação.

        Daí à ira dos fundamentalistas da austeridade foi um passo. A opinião de sentido único difundida e amplificada por tudo o que é meio de comunicação com o especial condimento burlesco do “lixo” quando na verdade a classificação é feita de uma forma bem menos pictórica, através de letras e símbolos (neste momento é Ba2), motivou o resto. E o resto é pela primeira vez houve uma reação negativa às agências de rating. Mas essa reação negativa não vem pelo melhor motivo. É, pelo contrário, uma manifestação de caráter patrioteiro que só acontece devido ao enfase da comparação entre o país e “lixo” – quando na verdade não se trata disso – e aquilo que seria importante até para dar um novo rumo à constetação destas políticas austeritárias não passou.

        Alimentou-se a contestação à moddy’s por aquilo que foi considerado – pela maior parte das pessoas que se indignaram- um insulto ao país e não a contestação a este governo e suas políticas e à deriva e aos egoismos europeus que estão na base da atuação destas empresas de notação.

        E ao contrário do Renato, eu não vejo que este súbito ataque à Moody’s possa constituir um primeiro momento de uma conscencialização antiespeculativa ou antiausteritária. E muito menos anitcapitalista.

        Mas gostava de estar errado.

  2. Bolota diz:

    Independentemente disso…

    Renato,

    É ai que se coloca o busílis da questão.
    Se o problema não tem nada a ver com quem trabalha mas sim do capital querer acumular mais capital o que tem o povão a ver com isso??? O porque tem o Bolota de pagar o que quer que seja se não beneficia nada com isso, bem pelo contrario???

    É por estas e por outras que cada vez mais os Cavacos e afins me dão uma comichão que nem calculas.

    Um aparte, os Betinhos do Governo já entraram de ferias??? Nem Piam. Portas que falava sobre tudo e sobre nada, D E S A P A R E C E U.

  3. diz:

    empurrar o país para isso tudo e forçar uma maior perda de soberania, impor, pela força da taxa de juro, o reforço de um projecto federalista…

    As agências de notação são uma pequena parte do problema, e não é com elas europeias que se altera alguma coisa…

    Este post em nada ajuda á compreensão do problema, o “ataque” á Moody’s ajuda menos ainda!

  4. diz:

    tem-se a ilusão de fazer…

    botar faludaura, se esclaecer e ajudar a compreender a situação não tem nada de mal… vamos lá bolota!

  5. A leitura atenta da situação geral da Europa, se quisermos ver as coisas de forma a poder acrescentar algo ao desnorte que vai por aí, lever-nos-ia à conclusão de que os meios de manipulação social já conseguiram inspirar de tal forma aqueles que desejam ver este pobre mundo mudado que acabam por repisar os argumentos preparados pela direita dos poderes. A alguém que acredite na possibilidade( já nem digo da necessidade) de outro mundo, outro sistema, que interessa se a Moddys é ou não é o que quer que seja, se só sobre os destroços desses monstros( esses e outros, diga-se) se pode construir algo de novo?
    Bem sei, estamos em tempo de espera, ou à espera. A direita, fina!, faz que rabuja para iludir tolos. Mas José Saramago deixou-lhes uma resposta nos Cadernos de Lanzarote. Como era sábio!

  6. skafiarize diz:

    “Agora, e como o próximo vídeo demonstra, se a linguagem homófoba pode ser uma ferramenta progressista para se atacar uma agência de rating, o ataque às agências de rating são também um bom meio para que mais gente passe a compreender e a atacar o capitalismo.”

    – homofobia -> Repulsa ou preconceito contra a homossexualidade ou os homossexuais.

    Na letra da musica existe algo que fale contra homosexuais? Esse tipo de comentários são irresponsáveis até porque podem levar os seus leitores a ficar com ideias erradas sobre os artistas que estão a tentar através de música e videos passar mensagens de forma clara para que sejam percebidas por todos (apesar de que aparentemente a mensagem que passo na música é demasiado simples para que pessoas de discursos mais complexos compreendam).

    Se existe algo homofóbico aqui penso que será no seu pensamento e em ideias pré concebidas sobre o que é a homosexualidade. Nesta primeira imagem do video vê-se um homem a dar um açoite a uma criança mal comportada. Durante a música fala-se em “shove it up your ass”, não se fala em homosexualidade. A ideia é devolver toda a “porcaria” à sua origem. O seu comentário foi tendencioso e oportunista de forma a realçar o seu discurso e tentar de alguma forma “chocar” os seus leitores.

    Falando de outras questões da musica:

    As agências de rating surgiram para combater a assimetria de informação entre investidores e os investimentos. Neste momento o que se verifica é uma total irresponsabilidade pois as agencias de ratings servem os próprios interesses e dos seus accionistas e não dos mercados financeiros como deveriam fazer.

    A minha principal motivação para ter feito esta música e video foi:

    – Considero a Moody’s uma agência irresponsável, não por ter baixado o rating a Portugal mas por ter dado um AAA à lehman brothers e a outras grandes empresas e bancos norte americanos 1 semana antes de terem falido. Uma agência que existe para combater assimetria de informação ou age de forma responsável e dá informação correcta ou então não pode nem deve continuar em actividade.

    – Não acredito que o rating da divida portuguesa deva ser igual ao de “El Salvador”.

    – Não acredito nem nunca acreditei que agências privadas possam intreferir com assuntos de estado.

    Uma questão: onde é que na musica viu algum tipo de discurso anti capitalista?

    “Now we let private agencies destroy…” -> não acredito em agências de rating privadas a avaliarem Estados. Têm de se encontrar outros mecanismos. Não estou de forma alguma a dizer que não acredito em empresas privadas e no capitalismo.

    Se acredito que o rating de Portugal está ajustado à realidade? numa tabela de ratings tão complexa é dificil explicar, mas as constantes descidas têm sido convenientes!

    Se acredito que o rating desceu por a Moody’s achar que Portugal tem neste momento menos capacidade de pagar as duas dividas do que há uns meses atras e querem neste momento fazer um trabalho responsável para avisar os mercados do risco do investimo?

    Sinceramente depois de tudo o que se passou nos ultimos anos desde a crise, o meu bom senso obriga-me a não conseguir acreditar que não existem interesses maiores que levam a moody’s a tomar este género de decisões.

    Eu próprio acho que estes economistas e politicos que se levantaram muito indignados contra a descida de rating só o fizeram porque compreenderam que um forte movimento social se colocou em marcha e que alguma coisa daí iria saír. Naturalmente como oportunistas que são quiseram tirar proveito disso.

    No entanto isto é positivo, pois a elite da nossa sociedade informada e com capacidade de informar ficou indignada e decidiu agir, revelando-se mais uma vez uma forte defensora do povo e dos interesses nacionais (não apenas dos privados).

    Porque aqui não há inocentes: os bancos e governos que nos emprestam dinheiro para nos “salvar” ao mesmo tempo são os nossos crédores e andaram a ganhar com estas descidas de rating. Os governos europeus e as tais “Elites” informadas nada fizeram, aproveitaram.

    O problema desta sociedade neste momento é as pessoas com informação e estudos suficientes para compreenderem a realidade da situação têm o dever de agir, mas não o fazem por não terem necessidade.. e por tirarem proveito da situação. Os que não têm informação são os que mais têm necessidade de agir, e fazem-no com a pouca informação de que dispõem, fazendo maior parte das vezes asneira, o que no entanto não me parece que tenha sucedido desta vez.

    Outro ponto importante e para terminar: “Os organizadores do ataque virtual à Moody’s, que teve sucesso, acabaram o dia a cantar loas ao “bom nome desta Pátria”, como se o bom nome resolvesse o problema do emprego, da precariedade ou da austeridade com que nos querem lidar nos próximos anos. ” -> Isto foi extremamente arrogante da sua parte. Está a minimizar totalmente o que foi feito nestes ultimos dias, não apenas em Portugal mas em toda a europa.

    O Ataque à Moody’s não resolveu em nada os problemas do desemprego nem da austeridade a curto prazo. TODOS sabemos isso. No entanto a pressão social destes ataques de internautas (faça uma pesquisa nos grupos criados por toda a europa) colocou como referi anteriormente as elites oportunistas alerta para uma situação que pode saír do seu controle. Colocou as elites imediatamente a falarem sériamente sobre a criação de uma agência de ratings europeia (não apenas comentários como o da Markel no ultimo ano), ou de algo diferente do sistema que temos actualmente.

    O facto de o BCE ter tomado novas medidas e ter decidido quase instantaneamente continuar a manter linhas de crédito para países com o rating que Portugal tem actualmente não resolveu nenhum problema? O facto de a taxa de juro ter caído não ajudou a médio prazo? Se não tivermos de pagar taxas de juro tão altas a médio prazo certamente estamos um pouco melhor depois deste protesto dos “internautas”. Sim não resolveram o problema do desemprego nem da precariedade dos jovens, no entanto se não for necessário pagar tanto daqui a uns anos, estaremos um pouco melhor.

    Não sou ingénuo nem utópico, sei perfeitamente que o próximo sistema de ratings (se chegar a haver, pois uma vez acalmado o movimento social tendencialmente as coisas “esquecem-se”) será completamente corrompido num curto prazo de tempo, porque mais uma vez, as elites informadas eloquentes e responsáveis servem apenas os interesses próprios e não os interesses dos “burrinhos e patenhos” que no final de contas sofrem sempre com as consequências da brincadeira e da intelectualidade.

    É importante nunca esquecer que nenhuma verdadeira alteração à forma de agir de uma sociedade surge pelas elites confortáveis, surge sempre pelo desconforto da maioria mais necessitada e menos informada.

    É o seu dever como pessoa informada e conhecedora da realidade informar as pessoas. A informação deve ser clara e objectiva, não apenas divagações sobre o que os outros fazem de errado. Diga-nos de forma clara como deve ser feita a verdadeira revolução para mudar o estado das coisas! Caso não o faça mais vale não falar mal do que nós fazemos, pois ao menos estamos a tentar mudar a situação.

    SKAFIARIZE

  7. Renato Teixeira diz:

    Skarafiarize, antes de mais bom som, como já disse o Pedro Lourenço.

    Dizer também que não tenho qualquer problema com linguagem que comporte uma carga que eu não reivindico, desde que usada sem ser com a finalidade para a qual elas foram desenhadas. “ratings up your ass” não nos remete para o campo onde “up your ass” seja imediatamente associado a algo positivo, que homo e heterossexuais podem gostar. Mas não creio que seja grave e assumo que posso ter feito uma leitura superficial da letra.

    Eu não digo que a sua letra é anti-capitalista. Digo que ela é tão simplesmente contra as agências de rating. Mais, apesar de não o dizer na posta ela nada tem de anti-capitalista no sentido em que assume que a Europa um dia foi uma democracia quase perfeita, algo longe do campo onde me acusa de o ter colocado. O que disse foi que o ataque às agências propicia o debate sobre o capitalismo em si mesmo, algo que indirectamente a sua música contribui.

    O “bom nome desta Pátria” estava escrito no perfil pelo administrador. Se reler a posta verá que eu defendo precisamente que isso não define a opinião de todas as pessoas que alinharam.

    Eu aqui não faço informação, opino. Umas vezes com mais outras com menos propriedade e quando posso escolher, que é como quem diz, quando o assunto deixa margem para isso, prefiro a segunda abordagem.

    Cumps.

    • skafiarize diz:

      É preciso é que estejemos todos animados! Acima de tudo estes momentos são os poucos dias do ano em que realmente todos nos sentimos bem dispostos por estarmos a mudar qualquer coisa. Não pode ser apenas com as vitórias do benfica!

      Eu por mim fico contente por ter abordado a música no blog (o que já começa acontecer em alguns blogs) apesar de não ter concordado com a forma como o fez, pois significa que eu cumpri o meu papel como músico!

      Até ao próximo video!

      • Renato Teixeira diz:

        Nem mais. Mas veja lá isso do Benfica que é capaz de não lhe dar momentos como estes em que nos sentimos bem dispostos. 😉 Quanto à música ficarei à espera. Fui sincero quando lhe disse que gostei. Abç.

Os comentários estão fechados.