DA PAZ E DO PÃO AO HTML E AO ABS – O programa de transição tem que ser exigente

Às vezes pergunto-me se o tempo em que alguma esquerda radical lavava os dentes com cinza de cigarro, porque a pasta de dentes era pequeno-burguesa, terá chegado ao fim. Não sendo um adepto incondicional das novas tecnologias, da comunicação à condução, da aviação à culinária, não vejo como é que se pode fazer a defesa do trabalho e dos trabalhadores pregando uma espécie de celibato aos avanços que a ciência permite. Para lá da indústria espacial, que me parece ter uma relação qualidade-utilidade-preço questionável, todas as outras devem ser reivindicadas pela parte maioritária de quem as produz. Associadas à burguesia pela pior das razões, ou seja, face ao precário custo de vida poucos têm acesso aos mais elementares avanços, alimenta-se uma espécie de preconceito esquerdista que rejeita degraus importantes na qualidade e na defesa da dignidade humana. Nunca compreendi o socialismo de bitola curta e ele sempre foi o caminho mais rápido quer para o capitalismo de colarinho branco quer para o estalinismo estratificado. Será que não é possível pensar a revolução de outra maneira?

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