RENEGOCIAR A DÍVIDA – Partidos com representação parlamentar falam a uma só voz?

Depois do BE, do PCP, dos VERDES e do PS terem vindo a terreiro exigir a renegociação da dívida, chegou a vez de um dos conselheiros do próximo governo PSD-CDS vir defender o mesmo. Fico sem saber se tal constitui uma vitória da esquerda parlamentar, no sentido em que foi capaz fazer a direita virar à esquerda e de impor a sua agenda política a Passos Coelho e a Paulo Portas, ou se por outro lado se deve concluir que defender o capitalismo de emergência ou o socialismo de bitola baixa é capaz de ser tarefa tão ingrata como inglória. A Salada Russa ganha programa e direcção ou já é tempo de deixar de comer Roupa Velha e de cair na ratoeira?

Gif via Rubra

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9 Responses to RENEGOCIAR A DÍVIDA – Partidos com representação parlamentar falam a uma só voz?

  1. Álvaro diz:

    O problema do Portas está nos prazos para começar a fotocopiar documentos antes de cair o governo

  2. Leo diz:

    A renegociação imediata da dívida pública portuguesa – com a reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar – no sentido de aliviar o Estado do peso e do esforço do serviço da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do país, foi a proposta que o PCP apresentou em 5 de Abril.

    E nada tem a ver com o que João Duque defende: “Há várias formas de reestruturar uma dívida, mas há que ter em atenção que isso só resulta quando não se reduz o valor a pagar aos mercados. Isto quer dizer que podemos alterar os prazos de pagamentos, dando até um benefício por esse prolongamento. (…) Podemos renegociar os prazos, dando um pequeno benefício ao mercado. “

  3. Sérgio Pinto diz:

    Renato Teixeira,

    O seu post assume que há apenas uma forma única e indistinta de reestruturar a dívida de um país. Na verdade, há várias formas de o fazer, e seguramente que a via pretendida pela Esquerda não será idêntica à que está a ser preparada para a Grécia. Eu sei que o João Rodrigues e os demais “Ladrões” não constituem a sua leitura de eleição, mas eles tem vários posts já escritos (e bastante claros) sobre o tema…

    Em todo o caso, não vejo como possa ser mau que o debate tenha sido recentrado de um “reestruturação jamais” para um “reestruturação é inevitável”.

    • Renato Teixeira diz:

      Sérgio Pinto, os Ladrões de Bicicleta é um excelente site para fundamentar a salada de frutas, eu é que continuo muito pouco convencido dela. De pouco valem as intenções se quando se espremem as propostas tudo é demasiado parecido.

      • Sérgio Pinto diz:

        Renato, não que eu espere vê-lo como apoiante dos Ladrões de Bicicletas, mas exactamente de que forma é que as posições/propostas deles se confundem com as da direita?
        É evidente que as ideias (e objectivos) por eles defendidas não coincidem com as suas, mas há um abismo de diferença entre quem não se encontra exactamente na sua trincheira e alguém que vem direito a si e que tem a mira sobre a sua testa…

        P.S. Fiquei na dúvida se a passagem de “salada russa” para “salada de frutas” foi um ‘lapsus calami’ ou se foi intencional. Se for o 1º caso, não deixa de ser curioso, dado que imagino que o João Rodrigues também não tenha pensado em “salada russa” enquanto sinónimo de “confusão” quando escreveu o título do post…

        • Renato Teixeira diz:

          Estou certo que o João Rodrigues interpretaria uma renegociação mais humanizada do que o João Duque e o mesmo posso dizer para o Jerónimo de Sousa. Agora o problema é que enquanto estivermos presos à ilegalidade de uma dívida que não é nossa dificilmente se poderão abrir novos caminhos. Para recauchutagem já nos chega o Partido Socialista. http://www.revistarubra.org/?p=2346

          • susana diz:

            o texto da rubra está fixe, e tem umas pérolas de ironia como aquela do “aumento da taxa de exploração” a que a burguesia chama “produtividade” ou o primeiro parágrafo encabeçado por “Somos todos contra o FMI? Mas que vamos fazer para vencer?”. só tenho pena que insista no paralelo demagógico com a islândia que, por acaso, até pediu ‘ajuda’ ao FMI.

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