Acabado de chegar da província, só agora reparo nesta discussão entre Z. Neves e Renato Teixeira sobre LENINE, organização política e movimentos – e aqui vai uma recomendação ao Renato: ao “vazio pomposo” (como a partir de agora chamarei Z. Neves) apenas se deve responder com ESTALINE

(Porra, assim nunca hei-de obter convites para as magníficas iniciativas da UNIPOP!…).

E com Estaline – o sábio – me quedo, como sempre. Mais um comentário: o “vazio pomposo” foi recomendando, por aqui e por ali, Tronti e Negri, mas nós ainda temos Estaline, Lukács e Althusser. Se ainda valesse a pena discutir com o do “vazio pomposo” por todos eles passaríamos (Tronti e Negri), como não vale a pena, vamos ao Estaline, que sabia muito bem o que fazer aos que “não atam nem desatam”, como leremos em seguida (que ninguém se assuste, Estaline é uma voz crítica, sabedora como deve ser, como devemos ser):

Há dois tipos de marxistas. Ambos actuam sob a bandeira do marxismo e ambos se julgam “autenticamente” marxistas. Todavia, estão longe de ser idênticos. Mais: separa-os um abismo, pois os seus métodos de trabalho são diametralmente opostos.

O primeiro destes grupos limita-se habitualmente a reconhecer exteriormente o marxismo, a proclamá-lo solenemente. Não sabendo ou não desejando pô-lo em prática (o que é o autonomismo se não um espontaneísmo que acaba forçosamento no absoluto vazio onanista, caríssimo Z. Neves??), ele transforma as teses vivas e revolucionárias do marxismo em fórmulas mortas, que nada dizem. Ele baseia a sua actividade não na experiência, nem nos ensinamentos do trabalho prático, mas sim nas citações de Marx (Força Z. Neves, venham mais, da Rosa e tudo). Indicações e directivas, colhe-as não na análise da realidade viva, mas sim nas analogias e nos paralelismos históricos. Divórcio entre as palavras e os actos, tal é a doença essencial deste grupo. Daí as decepções e esse eterno descontentamento do destino que, em todos os momentos, o trai, o deixa de tal modo que “não ata nem desata”. (…)

No congresso de Londres [o 5º do Partido Operário Social-Democrata Russo, 1907], o camarada Tychko caracterizou de modo bastante feliz este grupo, afirmando que ele não se baseava, mas jazia na plataforma marxista.

Pelo contrário, o segundo grupo atinge o centro de gravidade do problema, desde o reconhecimento exterior do marxismo até à sua aplicação e utilização prática. Determinar, de acordo com a situação, as vias e os meios que permitem aplicar o marxismo, modificar essas vias e meios logo que a situação mude, eis os principais pontos para os quais este grupo dirige principalmente a sua atenção. Não é em analogias nem em paralelismos históricos que este grupo vai colher directivas e indicações, mas no estudo das condições circundantes. Ele não se apoia em citações e sentenças, mas sim na experiência prática, através da qual ele verifica cada um dos seus passos, colhendo lições nos seus próprios erros e ensinando os outros a edificar uma nova vida. (…)

A este grupo aplicam-se perfeitamente as palavras de Marx, segundo as quais os marxistas não se podem contentar em explicar o mundo, mas devem ir mais longe para o modificar. Este grupo tem um nome: bolchevismo, comunismo.

O ORGANIZADOR E CHEFE DESTE GRUPO É LENINE.

ESTALINE, 1920

Genial, sábio, sintético. Melhor não é possível!

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