Luís Galrão, Lia Nogueira, Sérgio Duarte, Filipe Feio e Yvan Le: unidos no sectarismo, no pessimismo e na calúnia.

O Rossio é uma falsificação, alegam. Acusam a esquerda organizada, dos partidos aos sindicatos, dos grupos de afinidade aos blogues e revistas, de participarem com as suas ideias nas Assembleias Populares e na Acampada. À cabeça de um sector que não compreende a necessidade de organização, hostis a todos quantos não reduzam a sua actividade à sua esfera individual, alimentam praticamente ao minuto uma campanha contra tudo e contra todos os que não pensem como eles. É pena. São, os que conheço, activistas esforçados, pelo que a trincheira em que se colocam não ajuda a que se debatam as diferenças e porventura convençam outros das suas ideias. Passo a passo foram dando voz a bordéis de qualidade duvidosa, incapazes de perceber que o pior veneno vem daqueles que nos tentam dividir com rótulos, numa táctica espúria de não discutir a política. Acusam que “alguém” desviou o movimento do seu caminho natural, que só se fala do FMI sem no entanto terem vontade ou capacidade de acrescentar outras temáticas, tudo temperado com a permanente instigação da desconfiança sobre todos os que se reúnam por ideais acima de três cabeças e de meia dúzia de pernas. Se não é partido, podia ser. Se não é sindicato, parece. Sem querer questionar a boa vontade das suas intenções podiam pelo menos ser frontais na crítica, mais do que andar repetidamente a citar blogues tão cobardes como anónimos, pouco hábil na crítica e com falta de destreza na hora da polémica. O que quer que se escreva sobre a Acampada ou sobre as Assembleias está a revelar a sua agenda escondida e no seu entender tudo está condenado por espúrias teorias da conspiração. A culpa foi dos do 12 de Março, dos do 25 de Abril, dos do 1º de Maio, dos do 25 de Novembro. Onde é que eu já ouvi isto, pá? A culpa é do PCP, do BE, do MRPP, do POUS, da PO, da Rubra, ou de qualquer outro colectivo ideológico. O isolamento a que o movimento se jogou há-de ser seguramente culpa de todos em geral, mas este discurso em particular não convence, não esclarece e não mobiliza. O movimento social é o que é e querer moldar a realidade com a forma dos nossos sonhos não costuma dar bom resultado. O caminho da divisão tem resultados conhecidos e nesta trincheira é bem-vindo quem vier por bem, ou seja, toda a gente e todas as organizações que se puserem de acordo sobre o essencial e afinarem bem a pontaria. É pena que estes e outros companheiros andem a perder tanto tempo com delírios tão ultrapassados como a patranha democrática que nos querem impor, incapazes de ver além da espuma do que lhes sopram, de cara tapada, aos ouvidos. Que o manifesto que nos unificou não troque o plural pelo singular. Uma frente comum num frete dos suspeitos do costume. Todos somos poucos para que a luta sobreviva ao desastre que aguarda a outra esquerda do consenso, no próximo Domingo.

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