M19 | dia 1 – Acabou a acampada, continuam as assembleias populares e os grupos de trabalho.

Com a mesma maturidade e radicalidade com que o movimento ocupou o Rossio, decidiu hoje retirar-se, mas só parcialmente. Tivessem sido todas as discussões como aquelas que tomaram qualquer uma destas decisões e estariam hoje milhares de pessoas na principal praça do país. Mas a hora é de sublinhar as conquistas, mais do que fazer balanços críticos. A seu tempo lá iremos. Como disse o Youri, a luta continua nos diferentes grupos de trabalho e na actividade das Assembleias Populares que vão continuar a realizar-se até Sábado, à mesma hora, no Rossio, sendo que muitos vêem com bons olhos a possibilidade de as vir a realizar noutros bairros de Lisboa.

O que se passou no Rossio foi antes de tudo uma vitória. Em primeiro lugar colocou em rede centenas de pessoas e dezenas de organizações, que ficaram mais capazes de continuar a luta a partir de agora. Em segundo lugar mostrou que a ocupação do espaço público pode e deve continuar, como forma de resistência e de protesto. Em terceiro, recuperou-se a boa tradição de reunir em Assembleia, debater e decidir política, e levá-la a cabo com o máximo de unidade possível, garantindo a vontade suficiente para que elas continuem a existir. Em quarto, os grupos de trabalho continuarão o seu trabalho, sendo que já hoje está marcado o lançamento da campanha contra o Bloqueio e o Muro da Palestina (às 18h30, na Embaixada de Israel), na quarta-feira um protesto contra dívida à porta do Banco de Portugal sendo que como foi dito todos os dias continuará a haver Assembleias Populares. O grande balanço e o momento para decidir como vai continuar a caminhar o movimento será no Sábado, dia de reflexão nacional, onde contra o silêncio imposto pela lei eleitoral se irá debater a partir das 15h da tarde.

Podíamos, claro, ter feito mais, mas já não faremos pouco se nos atirarmos de corpo e alma para as portas que se abriram. As contradições vão continuar a aparecer, mas é importante aprender a fazer delas uma arma e a saber amar o que nos une. Continuemos.

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