As eleições e os reais problemas do País

Ontem ouvi, na TVI 24, um professor do ISEG de que não consegui fixar o nome dizer – cito de cor – que haver agora eleições é um contratempo, porque impede que se discutam, como deveriam estar a discutir-se (evidentemente que em petit comité), os reais problemas do País e que fazer face a eles.

O facto de ele dizer isso – e de isso não chocar ninguém – é extraordinário e revelador: nas eleições não se discutem os reais problemas do País; se isso se fizesse, estaríamos – como ouvi o Fernando Rosas dizer acertadamente num desses programas de bate-papo com o Medeiros Ferreira e o Santana Lopes – a discutir o estado em que está a Grécia um ano depois da intervenção da UE e do FMI, para sabermos o que nos espera se formos pelo mesmo caminho.

Nas eleições o que nos é servido pelos partidos do «arco da governação» (outra expressão curiosa) é uma encenação publicitária, em que os protagonistas tratam de vender-se a si próprios ao seu público-alvo potencial soltando umas frases estudadas para agradar a esse público e levá-lo a identificar-se com o que ouvem/com eles.

Não tem de corresponder em nada àquilo que irão fazer quando se virem na AR e no Governo. Mas com que legitimidade poderão então invocar o voto popular para fazerem aquilo que em 5 de Junho não irão referendar?

 

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