A dúbia moralidade deste texto

torna-o excepcionalmente interessante: o Maradona fez o favor de o divulgar, para além do Público em que foi publicado, e eu acho que este blogue, que o Ivan in illo tempore abrilhantou com os seus textos, habitualmente desastrosos do ponto de vista político, mas sempre excepcionalmente interessantes (a repetição é intencional) do ponto de vista literário (lato sensu), tem a obrigação (até política, sobretudo política) de também o replicar: por isso, aqui vai.

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SEXTA | António Figueira
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5 Responses to A dúbia moralidade deste texto

  1. joão viegas diz:

    Ola,

    O texto é espectacular e, muito honestamente, sem fazer disso bandeira, não consigo encontrar assim tão facilmente a reprovação “politica” que v. apregoa. Acho o texto interessante, sério, honesto e mesmo comovente. Isso não impede a repudia total do nazismo, como também não me parece que tenha impedido no espirito do realizador (ou no do autor do texto, claro).

    Remete-nos para uma dificuldade que me toca de muito perto : até que ponto compreender é impedir-se de julgar.

    O texto põe-me em memoria a frase da Schwarzkopf sobre a ligação de Karajan com o nazismo (cito de memoria) : “não podemos compreender hoje o que se passou naquela época. Quando confrontado pelos amigos sobre a sua adesão ao partido nazi, Karajan confessava cabisbaixo : não foi so uma vez, depois de ver os arquivos, que eles guardavam mesmo tudo, verifiquei que na verdade aderi duas vezes, a varios anos de distância uma da outra, a segunda vez porque me tinha esquecido da primeira !”.

    Não sei se esta confissão de Karajan é autêntica (li-a numa necrologia da ES ha uns anos), mas não deixa de fazer impressão. Os vermes que conseguimos ser por ambição e carreirismo !

    Da que pensar.

    Como dão que pensar, e mais do que pensar, as consequências da nossa vã, quotidiana e torpe cobardia perante a historia !

    O que o incomoda é o paralelo com o esquerdismo ? Ora bem, a mim não me incomoda. Incomodar-me-ia não querer, por principio, olhar honestamente para ele…

    Mesmo que tenha limites, e acho que o texto não o ignora.

    Abraço

    • joão viegas diz:

      Tem piada que, tomado de um escrupulo, tentei reencontrar a tal noticia necrologica onde a ES contava a historia do Karajan. Não consegui, mas encontrei uns documentos que parecem mostrar que a tal historia da primeira adesão “esquecida” tem que se lhe diga : pelos vistos houve uma vaga inteira de adesões em 1933 que não foram registadas, pelo que muitos “candidatos” tiveram que voltar à carga mais tarde. Portanto podemos estar apenas perante uma forma comoda de contar a historia. Mais, a propria ES parece que também fez uma adesão dessas, não registada, que depois afirmou sempre que nunca teve seguimento (e não foi atingida pelas medidas de des-nazificação do pos-guerra).

      Filhos da puta !

      Filhos da puta ?

    • António Figueira diz:

      A reprovação política não se referia a este texto em particular; referia-se, em geral, à obra do Ivan – que é, como todos sabemos, terrível.

      • joão viegas diz:

        Sim, desculpe, queria antes falar da dubia moralidade, que neste caso não se distingue, a meu ver, da politica (ou se se distingue, fa-lo de maneira problematica)…

        Mas como a minha conclusão é, também ela, dubia, e como politicamente valho muito pouca coisa, o melhor é ficar calado.

        Bom, um traço permanente da minha personalidade, essa de ser melhor ficar calado.

        Abraço !

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