As palavras escolhidas para o 15 de Maio

Estive a ler o «Quem somos» na página que convoca a manifestação de 15 de Maio. Pareceu-me simpático. Falam em banqueiros e em sermos mercadorias, explicam que o apelo para uma acção no 15 de Maio veio de Espanha e está a ser seguido noutros países (não pensam só no portugalzinho e percebem que isto é um problema maior…), referem que querem que a plataforma seja «horizontal e desprovida de hierarquia», repudiam «posições racistas e xenófobas» (perspectiva mais interessante do que apenas repetir até à exaustação que não são de partidos nem de religiões…), e apelam à «desobediência civil», não a confundindo com «terrorismo» ou «vandalismo» ou «violência». Para além disso não dividem as pessoas em gerações. Menos mal. As coisas também valem pelas palavras que se escolhem usar.

Somos pessoas com ideologias diversas, de vários sítios e idades. Uma coisa nos une: a recusa dos ataques perpetuados aos direitos de todos nós, da degradação das nossas condições de vida, enquanto bancos, políticos e gestores vivem cada vez melhor e são cada vez mais ricos.
Para além disso, por estes ataques a estudantes e trabalhadores, a desempregados e reformados (em suma, todos nós!) terem um carácter mundial, achamos que também os povos se devem unir para os combater. Não podemos aceitar ser mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros, e temos de o dizer bem alto, todos juntos!
Por isso, decidimos responder ao apelo de uma plataforma espanhola aos grupos e cidadãos dos vários países europeus para saírem à rua no dia 15 de Maio. Foi para esse dia que a tal “plataforma de grupos pró-mobilización cidadana” lançou uma iniciativa que está a tomar proporções que acreditamos inéditas – neste momento, é apoiada já por mais de 300 grupos, associações e blogs, e por milhares de cidadãos espanhóis. Por toda a Espanha, estão já convocadas mais de 30 manifestações sob o lema “Democracia Real Ya! Toma la Calle”. Esse apelo foi já aceite pela Bulgária, bem como pela França. Nós propomo-nos a fazer o mesmo, e para isso precisamos do apoio de todas e de todos. Apelamos às dezenas de grupos que existem por todo o país para apoiarem esta iniciativa, participando na sua construção. Pedimos que adiram à plataforma para preparar a iniciativa em Portugal, no facebook – é totalmente horizontal e desprovida de hierarquia.
Reiteramos, como também o faz a plataforma espanhola, que não organizaremos qualquer tipo de actos de vandalismo e que repudiamos posições racistas e xenófobas. Este é um movimento pacífico.
Consideramos que actos violentos e de vandalismo não ajudam a atingir os objectivos pretendidos e que o caminho deve ser pautado de actuações pacíficas e de desobediência civil.
Por fim, queremos reiterar que é de extrema importância que nos unamos a nível europeu e, quiçá, mundial contra as ameaças que nos são comuns.
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