PAISAGENS CONTEMPORÂNEAS: perspectivas para (re)pensar o mundo

Há um novo espaço dedicado ao pensamento da autoria do Pedro Duarte. Do que conheço do autor e como se percebe do nome do blogue, o pretexto da paisagem, da arquitectura, que é como quem diz da história e da antropologia, serão o passaporte para reflectir vários temas da vida em sociedade. Prove agora e acompanhe depois. Pela amostra, temos tasca!

“Para reinar comodamente sobre um território, com a aprovação do povo, há que amar profundamente a paisagem. Ou pelo menos simular o amor. E assim demonstrar uma identificação total com o património mais vital e arcaico de cada nação: a paisagem.

Para legitimar-se, o poder busca na paisagem elos emocionais entre si e os seus súbditos. Todos os governantes que desejam não ficar esquecidos pelos livros de história sabem cantar a sua paisagem, exaltá-la, glorificá-la. Sabem que só assim serão verdadeiramente amados e obedecidos – e terão, como desejam, caminho aberto para materializar os mais abomináveis projectos.

A identidade nacional forja-se muitas vezes através da imposição emocional de uma noção de paisagem aos habitantes de uma mesma nação. Nestes casos, faz-se um uso ideológico da paisagem.

Passível de ser manipulada, a paisagem é um instrumento eficaz ao serviço do poder, capaz de influir no modo como a identidade subjectiva e social é formada. Capaz de levar a uma identificação profunda e irracional, portanto eficaz, com o(s) poder(osos).”

Cavaco Silva nas férias, São Miguel (Açores), 2010, Eduardo Costa

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