RETRATO DA PALESTINA: O exemplo “democrático” do enclave israelita. [Em homenagem a Tim Hetherington, a Chris Hondros e aos habitantes de Gaza]

Por estes dias sobram poucas páginas e minutos à intervenção humanitária da troika do FMI, aos êxitos do judo e do futebol nacional e, claro, à longa noite benfiquista. No alinhamento segue a Páscoa, os hotéis cheios, os acidentes de trânsito, uma reportagem no Noma, enfim, “o Mundo”. O tempo que sobra para a importante tarefa pedagógica de não deixar a guerra fora da casa das pessoas, fica-se pelo caótico ruído do que nos chega da Líbia, pelo parágrafo confuso sobre o que se passa na Síria, e ponto final. Deixámos de ouvir falar do Egipto no primeiro dia da revolução, da Tunísia nada nos é dito sobre as milhares de pessoas que continuaram a fazer cair governos de gestão e a Palestina foi varrida da agenda como anda a ser varrida do mapa.

Tim Hetherington e Chris Hondros foram mais dois jornalistas que empenharam a sua vida na missão de nos trazer dos palcos da história um bocadinho mais de verdade. Morreram esta semana em serviço. Se do Mestala, da porta do Ministério das Finanças ou das praias do Algarve nos chegam imagens de grande espectacularidade mas de compromisso reduzido, de Misrata, de Cabul ou de Gaza as lentes não devem limpar os pingos de sangue que as salpica a reportagem. Sem precisar de legenda, volume ou contexto, o choro destas crianças inundadas com a cor do colonialismo israelita diz mais sobre a Palestina do que horas infinitas a ouvir o Henrique Cymerman ou a Márcia Rodrigues.

Não deixar de as ver é única maneira de se homenagear quer os que morrem para nos aproximar da verdade quer a verdade dos que nunca chegam a ser notícia:

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