Hoje há Manif!

Um dia destes um tal «editor de economia da RTP 2» dizia, sem subterfúgios o seguinte: o FMI vai cortar salário e subir impostos, isso é o normal. Mas vem cá por outra razões, fazer mudanças estruturais, ou seja, acabar com contratos de trabalho, direitos sociais, saúde e educação públicas. Vem acabar com esta «anormalidade», dizia o «editor», de que 70 % dos portugueses são donos das suas próprias casas.

Continuamos porém na seguinte lógica em termos das políticas dominantes dos partidos parlamentares. Os que querem salvar o barco escolhendo aqueles que vão ficar com a sua casa e os que a perdem, os que continuam a comer peixe fresco e os que passam a alimentar-se de porco de aviário, os que salvam-se de uma doença terminal e os que não «havia nada a fazer a coisa já era grave a operação ter-se realizado 6 meses depois não alterou nada». Ou seja, estamos entre quem quer renegociar a dívida e escolher os que sofrem, mas neste caso amparados pela OIT, e os que querem esmagar o povo o mais possível para que não haja dúvidas da transferência de recursos do trabalho para o capital, e da transferência de recursos da periferia para o centro.

É bom lembrar que a história não está escrita, nunca esteve.

O FMI reduz os salários até onde as manifestações deixarem, corta subsídios até onde as greves autorizarem, aumenta o preço das casas até onde os protestos permitirem. A burguesia europeia é brutal mas não é suicida. As cartas estão lançadas e se o jogo é ir à luta dispostos a vencer vai ter jogadores. Se é, em alternativa, sair disto com as menores perdas possíveis, escolhendo os que perdem e os que não perdem assim tanto, então não vai ter jogadores, mas burocratas, funcionários de partidos, gente desesperada perdida, grandes manifestações que terminam no dia seguinte em petições e debates.

A Islândia não pagou a dívida.

Via Rubra

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