[o umbigo de um arquitecto]

“§ João Lopes, no seu blogue Sound + Vision, questiona o problema da fulanização da política. O texto é discutível, tanto mais que o fenómeno em causa protagonizado por José Sócrates é hoje claramente assumido pelo núcleo dirigente do governo como estratégia comunicacional – veja-se o recente congresso do Partido Socialista. Mas a discordância não devia legitimar o insulto e o vale-tudo de que faz eco o Cinco Dias.
O Cinco Dias é, nos dias que correm, um exemplo do pior bloguismo de trincheira, assumindo como linha editorial o mais grotesco ataque ad-hominem a tudo e a todos. Para os autores daquele blogue, no mundo para lá das fronteiras do seu horizonte partidário todos são acéfalos e fúteis, anedóticos e burgueses, infantis ou mesmo metralhas. Um espectáculo de indignidade, intolerância e pura obscenidade. Lutar pela democracia também é lutar contra isto.”

Agora vejam o que este barrigudo (quem é?* de onde saiu?**) acha da campanha contra o FMI (e do programa ambicioso que vai alavancar a economia às nossas custas), no dia em que citou, com seriedade e sem se escangalhar a rir, a entrevista da representante de Portugal no FMI, a inefável e já mitológica, Estela Barbot:

“§ Encontramos nos blogues uma grande campanha contra o FMI. Valerá a pena questionar o sentido desta movimentação, espécie de reflexo condicionado de uma parte expressiva da esquerda. Afinal, com que alternativas nos deparamos. Um penoso enfraquecimento da nossa economia resultante de anos de políticas de austeridade severa impostas pelo exterior – que poderão conduzir, segundo alguns, a uma eventual bancarrota? Ou à recusa da intervenção externa, assumindo a bancarrota desde já?
Fica a questão: como podem partidos de esquerda defender a não intervenção externa, que acarretaria uma inevitável saída do Euro. Como podem partidos que se batalham pelo aumento do salário mínimo nacional, pela paridade de salários entre Portugal e a média Europeia, defender um cenário de que resultaria a imediata perda real de rendimento por via de uma desvalorização drástica da moeda, acompanhada de aumento de inflação e de taxas de juro, conduzindo muitas famílias a uma inevitável insolvência. E arrastando com isto, agravado pela falta de liquidez da banca, a uma falência previsível dos bancos portugueses e a um estilhaçar de toda a nossa capacidade económica. E no fim de tudo isto temos o quê? Uma competitividade assente no facto de nos termos tornado na mão-de-obra mais barata e miserável da Europa? É neste quadro que alguém espera construir estado social, direitos laborais e uma réstia de democracia?”

Espantosa inocência. Uma barriga. Um arquitecto. Um europeu.

Podemos encerrar deste modo, com chave de ouro, o mergulho no espantoso universo de Culturcide, em homenagem à Troika que nos suspendeu o que restava de democracia:

*My name is Daniel Carrapa. I was born in Lisbon, Portugal, in 1973. I’m an architect living in Évora, a nice historical town that was included in the World Heritage List by UNESCO in 1986. I’m married, have 2 cats – Matilde, Patanisco – and 1 dog – Moby. Moby is a three-legged dog. He’s okay. I graduated as an architect in 1996 (FAUTL Lisbon Faculty of Architecture). I am also an authority on cat litter and will provide expert advice upon request. I love traveling, watching movies, reading books and draining the battery from my X360 gamepad. In my lifetime I have visited the following countries: India, Nepal, China (Hong-Kong and Macau), Greece, Spain, France, Italy, Austria, Hungary, Poland, Czech Republic, Germany and the Netherlands. I have also completed many videogames.

**Admirador, claro, de Medina Carreira: “SHARED | REFERÊNCIAS Selected posts from my web reader for your personal enjoyment: Henrique Medina Carreira, former finance minister”, apesar de falar sobretudo do FMI, diz ser outra coisa que o move: “The architecture blog A Barriga de um Arquitecto / The Belly of an Architect (written in bilingual Portuguese-English) is mainly focused on contemporary architecture and urban design, covering recent works from Portuguese architects as well as projects of international significance.” Devia, sinceramente, voltar ao tema.

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8 Responses to [o umbigo de um arquitecto]

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