1+1=3

Face à perspectiva cada vez mais premente de que o bloco central se prepara para continuar a governar e a aplicar PEC atrás de PEC e porque sabemos que o PS, o PSD e o CDS estão a arquitectar um governo anti-social e repressivo que irá agravar o já tortuoso caminho que temos trilhado, subscrevemos o chamado à unidade das esquerdas que se reclamam anti-liberais e juntamos a nossa voz à exigência de um programa mínimo de unidade contra a direita que nos tem governado nos últimos 37 anos. A unidade dessa esquerda tem naturalmente que romper com o programa que nos conduziu até aqui e deve ter a coragem de recusar o pagamento da dívida pública, defender a nacionalização da banca e dos sectores estratégicos da economia, garantir a defesa dos direitos sociais e sair da NATO juntando-se à campanha contra as suas cruzadas imperialistas. Em suma, a esquerda se quer ser alternativa tem que além de oferecer uma resposta eleitoral priorizar a luta política de rua em detrimento da concertação social e abandonar qualquer esperança num programa de consenso com aqueles que têm sido os carrascos das conquistas de Abril. A luta continuará a ser o caminho.

Via Rubra

Petição – Por uma alternativa de Esquerda:

“Eleições à porta, PS e direita ensaiam os habituais jogos palacianos, na tentativa de fazer crer que algo vai mudar quando, é sabido, deste rotativismo resulta que tudo fica na mesma.

No país, os trabalhadores e os desempregados, os precários jovens e menos jovens, os reformados e os pensionistas, têm saído à rua, contestando com firmeza as políticas de austeridade para os que menos têm, enquanto os detentores da riqueza continuam a merecer todas as benesses dos poderes nacionais, com a cobertura das grandes potências europeias e do capital internacional.

À esquerda, a oposição parlamentar apresenta diagnósticos e políticas alternativas que revelam assinalável convergência, não obstante naturais diferenças nalgumas soluções concretas.Prova disso mesmo, é a votação de ambos os partidos nas medidas alternativas ao PEC 4. Mas esta convergência, que é também acompanhada pelo movimento sindical de classe e muitos sectores sociais, não tem suscitado qualquer alternativa de governo às políticas de quase quatro décadas, que nos conduziram ao que dizem ser um beco sem saída, a não ser que cedamos ao FMI.

Conscientes de que os caminhos não são fáceis, até porque tem faltado vontade de os

trilhar, os cidadãos e cidadãs de esquerda abaixo-assinados apelam:

– ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português, para que se encontrem, com o objectivo único de debater alternativas de governo, à Esquerda, que mobilizem o povo português para uma ruptura com as políticas neo-liberais;

– a que nessa procura de alternativas sejam interlocutores a CGTP e as organizações representativas dos trabalhadores, os partidos da esquerda extra-parlamentar e os movimentos sociais progressistas;

– a que todos juntos (partidos, movimentos e cidadãos de esquerda) consigamos ultrapassar divergências, em nome de uma mudança de rumo do país, que responda aos anseios não concretizados da Revolução de Abril.”

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11 Responses to 1+1=3

  1. Luis R diz:

    “os trabalhadores e os desempregados, os precários jovens e menos jovens, os reformados e os pensionistas, têm saído à rua”
    Então quem é que vai votar em massa nos partidos do costume? Marcianos? Zombies? Ou são os capitalistas quem vai voltar a eleger os bandidos de sempre? Tretas.

    • O que se apela é à construção de uma alternativa política que traduza no voto o protesto popular. Ou acha que a frase citada não corresponde à realidade?

      • Luis R diz:

        À frase citada falta a palavra “alguns”. Infelizmente, no voto vai ver-se a vera dimensão do protesto popular: mínima.

    • Rocha diz:

      Diz o Louçã:
      “O PCP representa uma parte da história e da organização do movimento operário português. Na luta contra as medidas liberais e em defesa dos salários e do emprego, PCP e BE têm tomado posições convergentes e valorizamos esse facto.”
      (…)
      “Na ideologia, para o BE o socialismo é a garantia do fim da exploração e, portanto, da democracia económica e política, o que exclui a censura e afirma o pluripartidarismo e os direitos sindicais e outros. Assinalamos, neste contexto, que o PCP não se distancia do regime do PC Chinês e de outros regimes repressivos.”

      É assim mesmo Louçã toca a inventar desculpas à cara podre para rejeitar qualquer aproximação ao PCP!!! A malta do PCP realmente é só apoiantes devotos do regime chinês, a gente come chop soy todos os dias e tudo!

      O que a gente não come nem por nada é: a pseudo-ala esquerda do PS, alegristas-malabaristas profissionais, guerras da NATO na Líbia, FMIs na Grécia e outros Zés que fazem falta.

      O que ao Louçã custa a confessar é que prefere o Alegre (que foi a farsa que se viu) ao PCP.

      Olha eu se pudesse responder-lhe cara a cara a esta manobra do Louçã dizia-lhe: olha a malta do PCP gosta tanto do regime chinês como gosta… do Alegre.

      Não seja demagogo senhor Loução você gosta tanto de chop soy e filmes do Bruce Lee como nós!

  2. ricardosantos diz:

    isto não vai acontecer porque os revolucionários da treta (como o autor)não vão dixar já estão todos preparados para fugir.

  3. closer diz:

    Discordo muitas vezes do Renato Teixeira, mas desta vez estou de acordo com ele. A situação é demasiado grave, para permitir que no nosso campo haja desuniões. Mesmo que não haja condições para uma plataforma comum de esquerda, pelo menos fica a semente.

  4. Natalia Santos diz:

    E quem vai gerir a banca, quem vai assumir o não pagamento da dívida, etc.? Onde estão esses corajosos que nunca ninguém os viu ou conhece ? Essas pessoas que teriam de ser impolutas, sob pena de em pouco tempo ficar tudo ( o tudo que é quase nada) nas mãos de uns tantos ? Nunca os partidos de esq

  5. Fernando Pereira diz:

    Caro Renato,
    Ver-te sugerir que as pessoas assinem uma petição para uma frente eleitoral do BE e do PCP, ou seja, dos dois partidos que mais odeias, é tão ridículo que só me apetece indicar-te o caminho da instituição na Av. Estados Unidos da América.
    Parece que as coisas devem fazer algum sentido, quando assim não é, estamos a corroer-nos enquanto pessoas, a ser degradantes connosco próprios, a tirar o lixo que temos por dentro e mostrá-lo a todas as pessoas… é o que estás a fazer.
    Mas ainda estás a tempo, cura-te.

  6. Raul diz:

    Algo me faz confusão nisto tudo: como poderems nacionalizar a banca com o sistema económico que temos hoje? Não migraria rapidamente o dinheiro para outras paragens? Depois o que ficaria para ser nacionalizado? De notar que não concordo que o estado injecte, como tem feito, capital, em bancos falidos de burlões.

    depois claro, há o problema da dívida. É evidente que os juros impostos são um roubo. Mas também não estamos, em primeira instância, sobre endividados devido a termos vindo a viver sucessivamente de injecções de capital que foi mal investido? é que existe uma realidade que é a crise internacional. Mas também existe a nossa crise. OK, não pagamos, mas onde vamos procurar ajuda? É que o nossos males foram agravados pela crise mas já vêm de trás. Acho que o tom “bipolarizado” deste tipo de conversa só acabará por beneficiar a direita e o liberalismo selvagem.

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