Na morte de Eduardo Chitas

Pedro,
como o Chitas não vai poder ir amanhã à manif e como tu referiste que ele foi também tradutor, aqui vos deixo, por amanhã e por hoje, um fragmento de uma tradução que ele fez, há uns anos, de uma passagem do Livro III do Capital, (MEW, 25,288.)

A riqueza efectiva da sociedade e a possibilidade de um alargamento constante do seu processo de reprodução não dependem , pois da duração do sobre-trabalho, mas da sua produtividade e das condições de produção mais ou menos abundantes em que ela se realiza. O reino da liberdade só começa, de facto, onde acaba o trabalho condicionado pela necessidade e pela conveniência exterior; ele situa-se, pois, por natureza, para além da esfera da produção material propriamente dita […] A liberdade, neste domínio, só pode consistir, no facto de que o homem sociabilizado, os produtores associados, regulam racionalmente as suas trocas com a natureza, colocam-nas sob o seu controlo comum, em vez de serem dominados por ela como por uma força cega; realizam-nas com o menor esforço e nas condições mais dignas e mais adequadas à sua natureza humana. Mas isto permanece sempre um reino da necessidade. Para além deste, começa o desenvolvimento das forças humanas como um fim em si, o verdadeiro reino da liberdade, que só pode florescer na base daquele reino da necessidade. A redução do dia de trabalho é a condição fundamental.
Karl Marx

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