a lata de gasolina e o fósforo no dia em que a rainha foi coroada por um dragão.

Puseram-me o primeiro filme à frente, assim com uma introdução de nada que deu ideia quase de uma bd, boa, mas bd, e de repente, aqui estou. Os outros dois filmes foram logo de seguida. Depois, a seguir ao primeiro volume, voltou a ir o primeiro, e o segundo depois de lido o segundo volume. Já podia ter acabado o terceiro, mas estou intencionalmente a retardar o fim, a ler tudo muito devagarinho, e a voltar atrás, e a fazer retrospectivas. Primeiro, porque sim, porque apetece. Mas sobretudo porque acho que vou entrar num terrível cold turkey quando acabar.

… quando acabar não sei se vejo só A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, ou se faço uma overdose e vão os três de seguida. E sete, sete livros que nunca se escreveram com a morte de Stieg Larsson, e para onde vai assim o resto da vida de Lisbeth Salander, do Super Blomkvist, da Suécia? o resto da nossa vida, nós que estamos todos ali numa ilusória bidimensionalidade, num mundo mental em que o ser humano de repente parece capaz de amor e razão e inteligência a jogar o jogo que tantas vezes o traz derrotado. É uma das coisas que se pode ganhar com a saga Millennium. Se sobra consciência de que o inferno não é o limite a que os seres humanos se levam uns aos outros o limite fica bem para lá do inferno, também fica um sentimento profundo de confiança. Nas pessoas. Nas pessoas que sabem e querem reconhecer o outro como a si mesmas.

 

Fica dragão tatuado.

 

M01. Os homens que odeiam as mulheres | M02. A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo | M03. A rainha no palácio das correntes de ar

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