Há um vampiro que assombra as TVs é o espectro da mudança?


Há dois anos escrevi este post. Não tinha muito em que pensar, menos que escrever, e fiz esta elucubração:

Todos os dias multiplicam-se os livros e os filmes de vampiros. Os antigos malditos passaram aos saldos da indústria cultural. Qual é a razão desta moda?
O romantismo descobriu o diabo romântico e saudou aqueles que em troca da paixão e conhecimento vendiam a alma ao Diabo. Os anjos caídos eram um grito contra as novas prisões da modernidade. Uma espécie de ludistas, falhados como muitas revoltas, que pretendiam impedir um progresso violento que os transformava em engrenagens e em meras mercadorias.
O culto dos vampiros, em pleno século XXI, significa certamente outra coisa. A repetição tende a ganhar contornos de comédia. Claro que precisamos de adrenalina para ter a excitação do tédio. Claro que o terror tornou-se uma espécie de montanha russa de feira. Claro que receber umas dentadas em troca da imortalidade não parece um mau negócio. Apesar de tudo isso e das lantejoulas, o vampirismo parece a forma distorcida que a fantasia romântica ganha numa época em que o mundo se autodestrói de uma forma autofágica, mesmo quando tem poster na Bravo.

Na edição de março da revista de lingerie do pensamento, que dá pelo nome de Philosophie Magazine, encontrei a ideia do historiador Erik Butler que cada vez que se avizinha um periodo conturbado de revolução e mudança, os vampiros aparecem à luz do dia (salvo seja). Uma correlação espúria ou uma dentada simpática?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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