Bloco de Esquerda vota a favor da intervenção da NATO na Líbia e quebra compromisso com eleitores e militantes

A notícia que o Bruno divulgou aqui não o deixa só a ele mal disposto, quebra o compromisso  do BE com os eleitores e suja as mãos dos seus dirigentes com sangue líbio e com o imperialismo. Não sou eu que o digo, é o próprio BE: “É uma história que representa a imposição de um modelo específico de Estado, de economia e de sociedade” afirma Marisa Matias a propósito do novo conceito estratégico e da cimeira da NATO em Lisboa. Mas disse mais coisas acertadas. Afirmou que “todos sabemos que o negócio da NATO é a guerra”, que “a guerra é um meio para a perpetuação das desigualdades e da exploração” e que por isso, justamente, Portugal deveria abandonar esta “aliança transatlântica e a sua política imperialista”. A Marisa Matias estava a ser coerente com o que também dizia a tese de orientação que venceu o último congresso e com o programa do BE.

Assim, violando o compromisso com os seus eleitores e os seus militantes, fico à espera de ouvir o que têm os dirigentes nacionais a dizer desta vergonha. Depois de votar o PEC grego e de apoiar o candidato do PEC português, o BE vem agora ratificar a guerra e a ocupação da Líbia pelas mãos da NATO. Onde que vai parar a “Esquerda de Confiança”?

“A Europa não precisa nem dos EUA nem da NATO para se defender e não tem qualquer interesse no regresso aos tempos da guerra-fria. O primeiro grande desafio militar que está colocado é o da instalação do sistema anti-míssil dos EUA na Polónia e na República Checa. Em resposta a estas derivas, o Bloco defende o fim da NATO e do sistema de mísseis norte-americanos na Europa.”

Tese 10 da Moção de Orientação Estratégica do BE

“Portugal deve sair da NATO e pugnar pela extinção deste e de todos os blocos militares.”

Programa do BE

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