Da Tunísia ao Egipto, da Líbia a Portugal, o futuro ganha-se nas ruas!

A precariedade não é uma inevitabilidade, como a gravidade num plano inclinado que não possamos equilibrar. Ela não representa um novo paradigma de contratação para o século XXI, antes resgata o modelo do século XIX que os trabalhadores derrotaram ao longo do século XX.

Felizmente os planos desses profetas do Apocalipse estão a sair furados. Da paz podre que ocultava toda a injustiça parecem emergir novos movimentos de resistência, tão evidentes nas revoluções no norte de África e no Médio Oriente, como nas greves gerais da Grécia ou Espanha ou da greve geral dos funcionários públicos contra o Mubarak do Wisconsin, nos EUA. Vê-se na luta dos estudantes ingleses e italianos, na luta contra o aumento do preço do pão na Bolívia, na África do Sul ou na Tailândia. Cada um desses processos é um aviso claro de que os explorados estão longe de aceitar o papel que lhe foi atribuído. Se olharmos com mais atenção para as recentes revoluções estas mostram que quando os trabalhadores resolvem dizer já basta, não há limite para os seus justos desejos. Em pouco mais de dois meses o poder das ruas destituiu ditadores com décadas de terror e conseguiu aumento generalizado dos salários, libertação de preços políticos, congelamento dos preços, etc.

Pagar a dívida pública é um acto de devoção porque ela é, antes de mais, uma correia de transmissão de último recurso de fundos públicos para o sector privado. Não devemos aceitar que mascarem as taxas de juro como se de solidariedade se tratasse. Os artilheiros do regime, com o Sócrates à cabeça, mas também Passos Coelho, Cavaco Silva ou Paulo Portas, são como diria Marx, bons gestores dos negócios comuns da burguesia. Estarão sempre contra as greves e as manifestações porque eles sabem que essa é a única hipótese dos trabalhadores lhes fazerem frente. Assim, cada dia a mais que damos a Sócrates é um dia a mais que ele conspira contra nós. Cada centavo que tiramos dos salários, da saúde, da educação ou das reformas para pagar a dívida pública é mais um centavo usado para sustentar parasitas e a generalidade do sistema financeiro que nos escraviza. Cada oportunidade que perdemos de responder à altura do ataque que nos é infligido é uma oportunidade que perdemos de sermos vencedores.

Uma nova greve geral com um plano de lutas que unifique os trabalhadores, dos precários à rasca aos funcionários públicos, dos desempregados aos trabalhadores do sector privado. Defendemos o não ao pagamento da dívida pública para canalizar o dinheiro para onde ele é verdadeiramente necessário. Para derrotar as políticas da crise é preciso mandar o governo para a rua! É preciso que nós tomemos as ruas! Já não temos nada a perder e temos toda uma vida a ganhar!

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