Contra a luta dos Homens da Luta, já só cá faltava a prosa de João Lopes, o dos “fatinhos Massimo Dutti”, o nosso Baudrillard de pacotilha! Cá vai, então:

«Por um Portugal digno em Dusseldorf
Ninguém consegue descrever o que se passou no passado dia 5 de março. Era suposto escolhermos a melhor canção a concurso e não foi isso que aconteceu. Se está farto destes 47 anos sem uma única vitória, se quer que seja reposta a dignidade no Festival da Canção e que se faça justiça para com aqueles que realmente se esforçaram e tinham uma canção verdadeiramente aceitável para a Eurovisão 2011, então assine esta petição…»

Ah perdão, isto não é João Lopes, o famoso inimigo figadal de Assange (pobre Assange) e esforçado (e ainda não compensado!…) amigo de JSócrats. Então, cá vai o nosso Baudrillard de fancaria; agora, sim, prestem atenção:

«Assistimos, aliás, ao triunfo de um imaginário que conseguiu esvaziar de qualquer imaginação e pensamento o próprio conceito de social. Estar “em rede” não é aceitar entrar no difícil labor de construir relações, mas apenas criar links. Quanto mais links se estabelecem, mais “amigos” se têm.
Este é, afinal, um sistema de múltiplas “amizades” e de nenhum humanismo. A cultura dominante transformou-se numa teia de gratificações aceleradas e instantâneas, a ponto de a diversão deixar de depender de um qualquer sentido de ruptura: passou a ser o estado “natural” do mundo. Uma tristeza, enfim.»

Ora, leitores, isto sim!!!

Pura prosa nobre e vassala da inteligência e da reflexividade, apesar de o autor desta pérola não saber puto do que é ou não humanismo. Porque é uma contradição nos termos falar-se em possuir-se «múltiplas amizades» e tal ligar a «nenhum humanismo», pois o humanismo é precisamente o possuir-se «múltiplas amizades» (canónicas, é bem de ver, mas também outras – sobretudo «escritas», agora também no Facebook). No seu já clássico Regeln für den Menschenpark: Ein Antwortschreiben zu Heideggers Brief über den Humanismus, Sloterdijk mostra-nos, partindo de Platão e Heidegger que o humanismo não é nada mais do que a posse e o estudo de muitos amigos (ou seja, livros, textos, prosa enfim), ou melhor, a produção e envio de «cartas» a amigos com o fito de «amansar a espécie» (o que muito bem cumprem as redes sociais). Dirá Cícero que o humanismo só pode ser, assim, consequência da «alfabetização». O clube dos alfabetizados forma, deste modo, uma seita, um fantasma de comunidade que recorre à escrita para disciplinar politicamente o mundo. Perceberá o nosso Baudrillard de fancaria isto? Que ter múltiplas amizades (bem sei, JLopes refere-se a «amizades profundas», mas as do Face não o são? Ora, porquê?, até amansam a espécie) não conduz a «nenhum humanismo», mas antes ao próprio humanismo. Ao puro humanismo, ao puro amansamento.

E, a propósito, e isto é o mais importante: o que é que esta lenga lenga do humanismo vem aqui fazer, sr. Lopes?? Então, os Homens da Luta incomodam-no mais do que a existência de JSócrats?? E sobre as próximas manifs?, o défice e a subida das taxas de juro?, a pancada dada hoje pelos jagunços de JSócrats?, a cultura pop líbia e egípcia?, o Galiano?, nada a dizer? Apenas os Homens da Luta? Compreendi-o.

Leio na petição contra os HL, «uma vergonha», e no seu texto, sr. JL, «uma tristeza». Vá, assine a petição, com a sua prosa baudrillardesca de loja dos 500, melhore aquilo: aquilo é a sua casa (a petição, entenda-se). Vamos. Um esforço.

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