Viva o PCP, nos seus 90 anos

Pode desagradar-me o vazio estratégico.

Ou a táctica errática e de balizas rígidas, em vez de firme e flexível.

Ou o agitar de identidades essencialistas (e, portanto, anti-marxistas), para esconjurar o medo de pensar o que é novo – quanto mais não seja, para perceber em que medida o é.

Ou as retóricas quase «pequeno-burguesas de fachada socialista», para acomodar um defensismo reactivo de “sindicato do povo em geral”.

Ou a limitação (pelo afastamento, ou pelo cansaço e o “para quê?”) da diversidade que é fonte de toda a riqueza. Ajudada por uma lógica oligárquica que deixou de fazer sentido num certo dia de 1974.

Ou a súbita defesa dos regimes e tiranetes de que a malta por lá se ria, já há uns 20 anos atrás.

Podem desagradar-me todas essas coisas que não discutirei em caixas de comentários, pois são demasiado grandes e importantes para tais espaços e para picardias de ocasião.

Mas a história e o património destes 90 anos de Partido Comunista Português são (tal como o respeito e orgulho pelo que de melhor eles têm) tão meus quanto dos seus actuais dirigentes.

E são também de todo um povo, queira-o ele ou não.

Por isso escrevo «Viva o PCP, nos seus 90 anos!»

E por isso vos convido a trautear aquela estrofe adorável e meio anarca do seu hino:

«Messias, deus, chefes supremos

Não precisamos de nenhum.

Sejamos nós quem conquistemos

A terra mãe, livre e comum.»

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