Mas se um dia os fascistas no poder se transformarem em balas perdidas na multidão, nós sairemos prá RUA!

Enquanto que protestos organizados fora dos partidos e dos sindicatos me possa parecer interessantes (quando digo fora, não digo contra), com outro tipo de organização da tradicional, que envolvesse debate e discussão, que juntasse pessoas diferentes (não falo de juntar ‹‹monárquicos e anarquistas››) e uma participação activa das pessoas e grupos envolvidos; as coisas que se aproximam desse género não me dão qualquer simpatia.

Longe de querer encontrar uma linha e uma justeza política, faz-me bastante confusão o Protesto da Geração à Rasca e do grupo virtual ‹‹1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política››, como bem avisa o Tiago Mota Saraiva.

Aparece então um grupo virtual no Facebook que tem um texto, uma ideia de um protesto que junte 1 milhão de pessoas (o equivalente a algo como 10% da população total do país). O texto começa por dizer que há alguns políticos bons e que esses devem tomar a gestão do país, quais são não está lá evidenciado, como é que eles chegam à ‹‹gestão›› também não dizem e acrescentam que isto terá que ser acompanhado por ‹‹uma renovação dos valores e das competências››. Mas de que valores – e sempre que vejo essa palavra utilizada nestes contextos tenho medo – é que eles falam? Bem, pois, enfim, depois de mais umas linhas que só levantam dúvidas sobre o que raio esta gente quer, termina com esta coisa: ‹‹Apenas queremos uma renovação inequívoca na gestão de Portugal, pela transparência, honestidade e competência.››. Ou seja, querem entregar a ‹‹gestão›› a uns tipos transparentes, honestos e competentes – coisas que se dizia de um certo ex-ministro das finanças? Não se percebe.

O Protesto da Geração à Rasca tem problemas menos sinistros, mas começa por se querer desvincular excessivamente de tudo (quem tem medo…): ‹‹Protesto apartidário, laico e pacífico.››, coisa que é sempre estranha: apartidário percebe-se (embora se duvide), laico enfim, pacífico já não dá. Depois, há coisas estranhas, o manifesto destina-se a todos os trabalhadores, excepto os com contrato sem termo e os independentes a sério, e às ‹‹mães, pais e filhos de Portugal››. Eu bem sei que a minha coisa anti-patriótica é incompreendida por muita gente, mas há paciência em relação a uma coisa do tipo Fátima Lopes? O manifesto continua numa coisa geracional, os jovens de hoje que são explorados, que não alcançam o seu potencial, insultos ao passado (não o da luta, mas o do trabalho), e o facto de não existir educação para todos e reformas justas leva ao – pasme-se – desperdício dos ‹‹recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico››. O sucesso, porra!

Claro que no fim garantem que ‹‹não protestam contra as outras gerações››, querem fazer parte da ‹‹solução››. Enfim, uma confusão. Uma confusão simpática, mas uma confusão. É uma altura confusa, mas isso também não é de agora.

Para terminar e aumentar então a confusão, que a coisa já vai longa, isto foi escrito após a minha chegada a casa do concerto dos Pop Dell’Arte na Culturgest (que também tem o problema geracional do preço dos bilhetes, quem tiver menos de 30 anos paga 5€, quem tiver mais paga 20€ – sim, também faço cedências caraças) e a coisa que mais retenho desta noite é o ‹‹Juramento sem bandeira››.

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