A moção do BE é de censura ou de confiança?

A questão crucial nesse momento é: vai o BE seguir em frente com essa fantochada de lançar uma monção de censura e pedir encarecidamente ao PSD que vote contra, ou seja, uma moção que pela sua acção derrubaria o governo e pelo seu conteúdo denunciaria o PSD de maneira a garantir e dar argumentos para que um e outro vote contra? Ou vai o BE, ainda que tarde, trabalhar honestamente para derrubar esse governo com uma moção “simplex” do tipo: “censuramos o governo por não cumprimento do seu programa eleitoral” ficando os considerandos a cargo de cada bancada. Se essa fantochada for adiante, conforme já nos anunciou a direcção do BE, a única coisa que ficará clara não será o papel da direita enquanto garante da governabilidade do PS mas sim o papel do BE na prossecução dessa legitimação.

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É que de outra maneira o “ai meu deus que vem aí a direita” do Francisco Louçã é apenas um medo que se ouve da boca dele próprio, o que nos diz o fantasioso Fazenda quando larga a graçola de que o PS está “podre” e o que nos garante o efusivo Miguel Portas ao afirmar que “esta é uma moção táctica de alcance estratégico”, que “recusa inevitáveis” e uma vez “aprovada, trará eleições num tempo que não é o preferido pela direita e onde o socratismo terá reduzida margem para chantagear com o voto útil” é apenas parole, parole, parole.

É fácil provar que se quer derrubar o governo e nem se precisa de ir além da  cobrança da promessa da criação de 200 mil novos empregos, um dos muitos compromissos eleitorais que ficaram por cumprir. Em qualquer dos casos Jorge Costa nunca terá razão quando se queixa que sobre o Bloco caí o peso de estar a fazer “jogo político, manobra, tacticismo, irresponsabilidade”, em suma, “uma trica parlamentar”. Lamentavelmente e se o BE persistir em tratar o PS como um parceiro de esquerda estará também a ser responsável pela continuidade de um governo de direita. Da mais pragmática de todas as direitas.

A escolha é simples. Em que é que ficamos?

PS: Entretanto mais dois militantes, Paulo Silva e Isabel Faria, abandonam a Mesa Nacional, e um deles anunciou que não participará do próximo congresso. À mulher de César não basta parecer séria…

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