Dois gajos de quem eu gosto…

… e que conheço há uns tempinhos, com quem várias vezes concordo e outras (nuns casos mais, noutros menos) discordo, mas relativamente a quem me é muito desagradável ler ataques abaixo-de-cão em sítios onde escreva.

Há vários outros indígenas acerca de quem poderia dizer isso (incluindo gente que me tem sacaneado bastante), mas a verdade é que esses outros não se têm tornado, aqui, sacos de pancada.

Mas nenhum ataque abaixo-de-cão a essas pessoas me faz pôr em causa o direito de outros os fazerem – ou, sobretudo, me faz pôr em causa a importância de que exista o direito de os fazer.

Isto, sem que essa minha posição diminua o meu desconforto com o que por vezes leio. Ou, ao mesmo tempo, e por muito que tal possa ser contraditório com os valores de quem faz os tais ataques (e não me venham, por favor, argumentar com o Nietzsche, a propósito da palavra “valores”), sem que tal me faça questionar as virtudes da diversidade ao ponto de deixar de escrever por aqui. Partilhando, ao fazê-lo, o sentimento de que as eventuais potencialidades de um espaço bastante mais plural do que possa parecer são superiores ao choque de nos podermos cruzar com coisas como essas, ou com coisas bastante mais relevantes do que aquilo que suscitou este post – como, por exemplo, tentativas de legitimação de lapidações.

Que fique registado, então, o meu desconforto. A par da minha tolerância – palavra que, para mim, continua a ter a sua etimológica carga negativa.

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