De geração em geração até à vitória final

Passado meros segundos de ter publicado o meu post anterior sobre a cancão ‹‹Que parva que eu sou›› dos Deolinda, chega-me o anúncio – via Facebook – de uma manifestação, no dia 12 de Março na Avenida da Liberdade em Lisboa, que tem o nome de ‹‹Protesto da Geração à Rasca››. Uma coisa completamente desprezível porque, como a canção de intervenção dos Deolinda que não intervém, agora há um protesto que não protesta.

‹‹Protesto apartidário, laico e pacífico››. É assim que começa a convocatória. É isso, sem partidos porque os partidos incomodam, o Fernando Nobre também gostou dessa ideia sem acrescentar ideias; sem religiões para a malta não se lembrar de trazer crucifixos, presépios e lenços palestinianos; pacífico para ninguém trazer os ‹‹perigosos anarquistas›› e porque não se quer cá confusões nenhumas.

Reivindicações?
‹‹- Pelo direito ao emprego!
– Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade!
– Pelo direito à educação!
Pelo reconhecimento das qualificações, espelhado em salários e contratos justos!
…Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!››

E termina com a letra dos Deolinda, pois claro!

Portanto, o que importa a esta gente para além do emprego para uma certa geração (qual? a que está à rasca? qual?)? O direito à educação, pura a simples, sem dizer o que querem dizer com isso (a privada que acompanhou a campanha de Cavaco ou a pública? o que?); o reconhecimento das qualificações, espelhando em salários (quais? o que? e os que não têm qualificações? o que?) e em contratos justos (quais são? o que? 6 meses? sem termo? o que?); e por fim a crise económica e social (!) que nos arrasta a todos sabe-se lá para onde e se os que estudarem emigrarem todos? Os cérebros deste país? Quem vai tomar conta de nós?

E o cartaz com o coração na mão?

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