A esdrúxula táctica do BE

Quem não estivesse disposto a votar em Manuel Alegre estava a capitular ao cavaquismo e quem se mostrou favorável a votar com a direita uma moção de censura contra o governo não contava com o apoio do BE pois oferecia o poder a Passos Coelho. Duas semana volvidas e depois do BE ter acusado o PCP de abrir caminho para a direita chegar ao poder com uma moção de censura, anuncia ele próprio uma moção que só pode ter uma leitura: o BE quer parecer o que não é e tem a certeza que o PSD não vai votar a sua pretensa censura ao governo Sócrates. Não vota as moções dos outros para que fique claro que não quer que os outros votem a sua moção. Quem quer derrubar o governo deixa claro que quer derrubar o governo e não anda a brincar com os eleitores. Como no caso da candidatura do Alegre, estes senhores merecem ser novamente surpreendidos e todas as outras forças políticas deviam votar favoravelmente a sua iniciativa parlamentar ou anteciparem eles próprios as suas moções para que, olhos nos olhos, fique claro que o BE está disposto a ser o Suleiman do Hosni em que se tornou o Sócrates. A esdrúxula táctica do BE só contrasta com a clareza da sua estratégia política.

PS: O PCP, que sabe como ninguém que os governos se derrotam com greves gerais, em vez de salamaleques parlamentares já convocava a seguinte.

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